Agiotas dos trabalhadores
Até a última gota de sangue: os banqueiros ganham no Brasil mais do que no resto do mundo.

Por: Redação do Diário Causa Operária

Parecem números de outro mundo, de outro planeta, mas são os juros cobrados no Brasil. Uma extorsão sem limites. O cheque especial subiu de 120,3% para 124,9% ao ano. Rotativo do cartão de crédito caiu de 329% para 326,7% ao ano. Cartão de crédito parcelado subiu de 161,5% para 167,% ao ano. Crédito pessoal não-consignado caiu de 86,7% para 86,4% ao ano.

O cheque especial no ano passado, em fevereiro, estava mais alto, 130,6% comparado as 124,9% deste fevereiro. O rotativo do cartão de crédito estava mais baixo no ano passado, era de só 322,6% e passou para 326,7% neste mês de fevereiro. Esses dados são médios, podem ser bem maiores ou um pouco menos dependendo do banco e do cliente.

Para efeito de comparação, a taxa básica de juros, a Selic, é de 2,75% ao ano. Isso depois que o Banco Central a elevou na última reunião do Comitê de Política Econômica (Copom), com a desculpa de controlar a inflação.

Segundo o Banco Central, o estoque total de crédito no Brasil é de R$ 4,047 trilhões, o que equivale a 54% do Produto Interno Bruto.

Os banqueiros, que estão demitindo bancários por todo o país e fechando agências para ganhar mais dinheiro com a concentração, são os mesmos que embolsam a diferença estratosférica entre a captação e o empréstimo. Não há comparação no mundo inteiro. É a expressão da ditadura do capital. O que no Brasil representa uma sangria fenomenal dos trabalhadores.

Segundo a Auditoria Cidadã da Dívida:

“a prática de juros de mercado elevadíssimos são o fator que mais amarra o funcionamento da economia brasileira. Enquanto a maioria dos países praticam, há vários anos, juros próximos de zero ou até negativos, no Brasil os juros sobre empréstimos são extorsivos e têm levado inúmeras empresas à falência, sacrificando também as famílias que precisam acessar crédito. Enquanto a taxa básica Selic está em apenas 2% ao ano, os juros incidentes sobre cheque especial superam 120% ao ano e no caso do cartão de crédito estão acima de 250% ao ano, e já estiveram muito acima disso!” (ACD, 4/1/21)

Os bancos brasileiros preferem ganhar muito com poucos empréstimos e com a agiotagem do sistema financeiro nacional, que remunera diariamente o dinheiro que os bancos mantêm no Banco Central, sem que esse dinheiro seja remunerado ao cliente dos bancos que mantém depósitos à vista. O dinheiro do salário dos trabalhadores não é remunerado, isso quer dizer que é “captado” a custo zero, mas o mesmo dinheiro o Banco Central remunera os bancos e esses emprestam a outras pessoas a juros que chegam a 326%. Uma diferença criminosa.

Mesmo com a queda em seus monstruosos lucros no ano passado, os juros no Brasil continuam sendo os mais rentáveis do mundo. O Santander, por exemplo, compensou suas perdas na matriz com os lucros que teve no Brasil. Em 2019 os banqueiros tiveram os maiores lucros desde 1994, quando começou a série histórica da Consultoria Economatica, medida desde a introdução do Real. O lucro dos bancos foi de R$ 81,5 bilhões. Em 2020, o lucro caiu, ficou em R$ 61,6 bilhões, segundo dados da Infomoney, em 17/2/21.

Essa política de assalto contra todo o povo brasileiro é levada adiante pelo governo golpista de Bolsonaro, que tem utilizado a pandemia como um pretexto para aumentar ainda mais o parasitismo social dos bancos no País, vide transferência direta de mais de R$ 1,2 trilhão no ano passado.

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