Estatizar o sistema financeiro
Os bancos dominam o Brasil e o mundo. Para voltar os recursos que são apropriados pelo sistema financeiro para as amplas massas é necessário lutar pela estatização dos bancos
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CSB/reprodução |

O apetite dos bancos não tem limite. Menos de 24 horas após o Banco Central anunciar a liberação de R$ 1,2 trilhão para o sistemas financeiro, na quinta-feira passada, os juros do cartão subiram quase 6%, passando de 316,7 % para 322,6%.

Alguém poderia dizer e com toda razão que 316,7% ou 322,6% diante de uma inflação oficial um pouco superior a 4% nos últimos 12 meses é muito mais do que um roubo.

Os bancos dominam toda a economia. São donos das principais empresas, das terras, dos governos. Nessa fase absolutamente senil do capitalismo, são os bancos que transformam dinheiro em lucro sem passar por um crescimento real das forças produtivas. É a época da especulação. Uma empresa – em geral pertencente a um banco ou pelo menos com participação acionária deste e/ou de mais bancos – vale 100, mas pelo mecanismo da especulação, pelas bolsas de valores, seu valor é cotado em 1000. São esses 900 fictícios que representam a mágica do “crescimento” capitalista.

A economia mundial já há muito apresentava indícios de que a crise de 2008 não apenas não havia sido superada, como estava sendo retomada. O coronavírus veio em pouco mais de 2 meses deixar isso às claras. O castelo de cartas da bolsa das bolsas de valores começou a mostrar o que realmente é. O coronavírus também atingiu a economia real. Aquela empresa que  valia 100, hoje vale 90, 80. A economia veio abaixo e antes que que a quebra atingisse em cheio os bancos, os mesmos bancos bilionários, trilionários, e a crise de liquidez promovesse uma quebradeira em cadeia, apareceram os governos dos banqueiros para socorrê-los. 

Esses são os mesmos bancos que esfolam a população e não apenas com os juros do cartão de crédito do cartão, do cheque especial ou dos empréstimos, mas do desvio do dinheiro público para salvá-los. Com R$ 1,2 trilhão disponíveis, o Brasil poderia dar uma de China. Construir hospitais em curtíssimos prazos, adquirir infraestrutura hospitalar, adquirir dezenas de milhões de testes, enfim dar uma outra perspectiva para a população acuada pelo coronavírus.

Em troca de tamanha caridade governamental os bancos respondem com muita demagogia – Itaú, Bradesco e Santander, os 3 maiores bancos privados do Brasil – doaram 5 milhões de testes  de detecção do Covid-19.

É bem provável que só o aumento dos juros do cartão de crédito pague em milhares de vezes vezes a “caridade” dos banqueiros. No final das contas, a filantropia foi feita com o dinheiro tirado da população. Essa é, aliás, a máxima do banqueiro: quanto pior for a situação, mas ganhos os bancos devem auferir no período, pois no futuro maior será o seu domínio sobre a economia.

a população deve se levantar contra a aposta dos banqueiros em saírem por cima de toda a miséria humana causada pela ausência do Estado, diante da pandemia do Coronavírus. 

A questão da estatização do sistema financeiro sob controle das organizações de luta dos trabalhadores é uma campanha está colocada imediatamente. De um certo ponto de vista, pode-se afirmar que os bancos já são estatais, com se viu na injeção do R$ 1,5 trilhão. Só que são estatais apenas para se apropriar dos recursos do Estado, que são utilizados justamente para manter o controle privado da economia.

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