16,8 milhões de desempregados
Crise histórica do capitalismo acentua ditadura da burguesia no principal país capitalista do mundo enquanto faz desemprego crescer quase 6.000%
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"Capitalismo é crise". Empobrecimento dos trabalhadores vem de décadas nos EUA. Foto: Arquivo |

Em mais uma escalada da crise capitalista, os EUA anunciaram nesta quinta, 09 de abril, que uma quantidade superior a 6,6 milhões de trabalhadores se inscreveram no programa de subsídios aos desempregados ao longo da semana, totalizando mais de 16,8 milhões de pessoas excluídas do sistema produtivo na principal nação imperialista do planeta.

Com uma força de trabalho ligeiramente superior a 164 milhões de trabalhadores, o dado revela que mais de 10% da força de trabalho está desocupada e dependente do assistencialismo para não amargar a fome. Um detalhe importante: há três semanas, haviam menos de 290 mil desempregados nos Estados Unidos, ou seja, num intervalo inferior a 25 dias, a economia americana saiu da menor média histórica desde 1969, 3,5% desde setembro de 2019 (com variação de 1 ponto percentual nos meses de outubro e janeiro de 2020), para a maior desde 1982 (10.8%).

A evolução do desemprego entre os trabalhadores estadunidenses, num momento de crise profunda a ponto de muitos ideólogos do capitalismo já usarem a palavra “depressão”, é emblemática da situação periclitante vivida pelas economias capitalistas no seu aspecto histórico.

Na Depressão de 1929, a força de trabalho americana saiu de 3,2% de desemprego no ano do crash da bolsa de Nova Iorque para atingir dois dígitos de desemprego apenas em 1931, quando fechou com 15,9% dos trabalhadores desempregados (o que implica num crescimento superior a 396% na população desempregada), agora, na atual etapa da crise, a evolução do desemprego é de 5.957,44%!

Nessa projeção, e até o momento não há nada que indique o contrário, é possível estimar que mais de 67% da força de trabalho norte-americana poderá estar desempregada em setembro, com a totalidade da classe trabalhadora fora do mercado de trabalho até meados de novembro. A princípio parece um cenário muito extremo, e de fato, há implicações políticas (para além da matemática fria) muito importantes neste caso mas devemos considerar que, apesar dos trilhões de dólares sendo torrados, a economia norte-americana continua em queda vertiginosa, ou, para usar a figura de linguagem utilizada pelo economista burguês Nouriel Roubini, um gráfico em “I”.

Se por um lado mais de 110 milhões de trabalhadores podem amargar o desemprego e a miséria dentro de 5 meses, por outro, a decadente burguesia imperialista estadunidense acaba de ser agraciada com o maior pacote de resgate da história do capitalismo. Que o leitor se sinta livre para simplificar o eufemismo ao que realmente é: um assalto feito pelos tubarões do capitalismo, os grandes burgueses detentores da indústria e das finanças. A exemplo do escárnio feito pelo governo brasileiro, os EUA aprovaram um pacote que inclui uma migalha insignificante para o conjunto dos trabalhadores norte-americanos, e quase a totalidade dos US$2,3 trilhões à grande burguesia estadunidense.

O conflito distributivo é emblemático do fundo político em que se dá a crise. Na medida em que o principal país capitalista do planeta assume que não consegue mais manter o sistema econômico compatível com nenhum tipo de conciliação de classes, demonstra de maneira escandalosa a verdadeira ditadura burguesa que é a sociedade capitalista, para além do sentimentalismo pequeno burguês que acompanha o conceito.

É, portanto, uma ditadura, cada vez mais despida do véu de ilusões democráticas, em que a luta de classes tende a se acirrar no “país número 1” do capitalismo, em sua verdadeira dimensão. Há que se combater o desemprego e o conflito distributivo, que impõem um severo sofrimento aos trabalhadores enquanto salva da miséria um reduzido grupo de burgueses, na arena em que a luta se coloca abertamente.

A superação da crise com o atendimento das necessidades da classe trabalhadora norte-americana não será ganha com barganhas, como fica claro pela agressividade do ataque. Ela só pode ser conquistada pela força, com a luta de classes, no seu sentido mais amplo.

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