Neoliberalismo
Em um “grande acordo nacional” as subsidiárias das estatais brasileiras estão sendo entregues ao capital financeiro internacional.
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Jair Bolsonaro e presidente da Caixa Pedro Guimarães, o "exterminador de bancos" segundo o golpista. | Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
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Jair Bolsonaro e presidente da Caixa Pedro Guimarães, o "exterminador de bancos" segundo o golpista. | Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Dentre as “comemorações” pelos 160 anos de fundação da Caixa Econômica Federal está a autorização do Banco Central do Brasil para a criação por parte da instituição de um Banco Digital a partir dos dados de 105 milhões de brasileiros que se cadastraram no aplicativo Caixa Tem. É, praticamente, metade da população brasileira.

Até aqui tudo bem, ocorre que a direção da Caixa sob a orientação do ministério da Economia conduzido pelo neoliberal Paulo Guedes vê nessa operação a oportunidade de privatizar mais um pedaço da empresa.

A medida se junta a outras manobras da atual gestão golpista da Caixa, como a privatização da Caixa Seguros, das Loterias, etc. que ataca as subsidiárias da companhia visando sua liquidação completa até o fim do governo Bolsonaro. 

O banco digital criado pela Caixa simplesmente passará a ser o maior banco digital do mundo, sendo que no momento de sua fundação já poderá superar o número de usuários do chinês WeBank que atualmente conta com 100 milhões de usuários.

Fonte: Olhar Digital; GR1D.

Em entrevista ao canal 247 no YouTube, Sérgio Takemoto, presidente da  Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), afirma categoricamente que a medida porá em risco a sobrevivência da Caixa, uma vez que as contas de usuários representam um dos setores mais rentáveis do banco e que dão sustentação aos programas sociais que a entidade desempenha. Segundo ele, a criação do banco digital representa “um golpe de morte na Caixa”.

A Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) foi fundada em 29 de maio de 1971, durante o 6º Congresso Nacional das Associações de Pessoal, em Curitiba (PR), para dar maior integração e unidade ao movimento associativo dos empregados da Caixa. A Fenae congrega as 27 Associações do Pessoal da Caixa (Apcefs). O número de associados, ativos e aposentados, é, atualmente, cerca de 50 mil.

A autorização do Banco Central para a criação de um banco digital, cria na prática uma nova subsidiária da Caixa Econômica Federal, que passará a ser num primeiro momento a sua controladora. Como se sabe, as subsidiárias de empresas estatais foram autorizadas pelo Superior Tribunal Federal (STF) para serem privatizadas sem a necessidade da análise do Congresso.

A ação permitiria, portanto, que os golpistas entregassem a terceiros todos os dados das 105 milhões de contas abertas principalmente durante a pandemia, sobretudo pelos brasileiros beneficiados com o Auxílio Emergencial e os inúmeros saques emergenciais do FGTS pagos através do aplicativo Caixa Tem.

Ou seja, na impossibilidade de privatizar diretamente a Caixa, o governo cria uma subsidiária do banco, que neste caso seria o banco digital e passa para esta nova subsidiária informações, ativos financeiros e poderes da controladora original, na sequência a mesma Caixa privatiza a sua subsidiária, e então já não possui mais nenhum poder sobre esta que agora pertence aos capitalistas do mercado financeiro. Até mesmo o preço de venda já foi anunciado: R$100 bilhões.

“Um patrimônio enorme… construído pela empresa pública Caixa, pela inteligência dos trabalhadores da Caixa”

Sérgio Takemoto, presidente da FENAE

De acordo com o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, o banco digital terá como objetivo três eixos: o pagamento dos benefícios sociais, atuar no microcrédito e também no crédito imobiliário para famílias de baixa renda. Apenas estas três esferas de atuação são suficientes para descaracterizar totalmente as operações do banco, levando a mais demissões em massa e à inviabilidade econômica da empresa.

Um ataque gigantesco aos trabalhadores

De forma semelhante ao que ocorreu no Banco do Brasil, a Caixa lançou recentemente um Plano de Demissão Voluntária (PDV) para demitir 7 mil funcionários. A direção da empresa, no entanto, não divulgou quantos trabalhadores aderiram. E assim, a Caixa que chegou a ter 101 mil empregados em 2014, atualmente estaria com 82 mil.

Também neste início de ano, 5 de janeiro, a Caixa concluiu mais uma etapa do processo de abertura de capital da Caixa Seguridade, outra de suas subsidiárias. A empresa comunicou a consolidação do acordo que permite à Tokio Marine Seguradora explorar, de forma exclusiva, os ramos de seguros habitacional e residencial, segundo informou o Valor Investe. O acordo tem prazo de 20 anos e o banco recebeu R$1,5 bilhão.

Ainda no fim de 2020, a Caixa também formalizou o acordo com a empresa francesa CNP Assurances para formação de sociedade que irá explorar, por 25 anos, os ramos de seguros de vida e produtos de previdência. A Caixa recebeu R$7 bilhões de reais pela operação, um preço miserável perto do valor dos bens fornecidos para a empresa privada.

Assim, fatias significativas do patrimônio da Caixa já foram entregues para o capital privado, inclusive estrangeiro. Somados ao roubo massivo de dados da população e ao ataque à categoria dos bancários, que serão demitidos massivamente, este é mais um ataque de morte ao povo brasileiro e ao patrimônio público nacional. 

As iniciativas econômicas dos golpistas deixam claro que o ano de 2021 será decisivo na ofensiva contra as empresas estatais, o que expressa a sanha dos capitalistas em reduzir a economia nacional à de uma mera colônia de exportação de matéria prima. O dinheiro do povo que é por séculos investido para construir empresas estatais estratégicas para a soberania nacional serão agora entregues a preço de banana para o imperialismo.

A privatização disfarçada segue, portanto, a todo vapor. A estratégia de utilizar as subsidiárias das estatais é um trunfo promissor dos golpistas de forma que as operações de destruição do patrimônio público seguem sem nenhum sinal de resistência real por parte das organizações de luta dos trabalhadores.

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