Choque de classes explícito
Valor, em dólar, da picaretagem de Bolsonaro para os capitalistas é quase igual ao que o governo se nega a dar a idosos pobres ameaçados pelo coronavírus
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Entre bananas e palhaçadas, desinteresse de Bolsonaro vira uma ameaça grave. Foto: Reprodução |

Comprovando a tese de que as profundamente corruptas instituições da República são uma ameaça concreta e imediata à vida da população, o governo golpista de Jair Bolsonaro já torrou US$15,2 bilhões nas duas primeiras semanas de março. Isso por que na sexta feira, o Tribunal de Contas da União já havia liberado Bolsonaro para não aumentar em R$20bilhões os gastos do BPC (Benefício de Prestação Continuada, dedicado aqui a idosos pobres no grupo de risco do coronavírus) – é dólar contra o real –  de modo que o fascista fique desobrigado a devolver ao povo uma migalha maior do dinheiro, que sendo público, lhe pertence.

O TCU, nunca é demais lembrar, foi um dos setores mais atuantes, entre os poderes do Estado, articuladoras do golpe de 2016, que derrubou a presidenta Dilma Rousseff com base numa mentira escandalosa produzido pelos ministros desse órgão. Se operações financeiras previstas dentro da lei para o pagamento do Bolsa Família foram um crime grave o bastante para se derrubar a presidenta petista, mais de 15 bilhões de dólares, num único mês, para os principais parasitas do capitalismo global não parecem capazes de gerar qualquer comoção entre os burocratas, supostamente defensores da “responsabilidade e prudência” na elaboração de leis que impliquem em aumento dos gastos. Uma incoerência aparente que só faz sentido sob a ótica da guerra de classes.

Em meio a essa guerra, o governo segue sua política de destruição nacional, apoiado por uma burocracia que não se envergonha em receber, publicamente, toda sorte de mimos das nações imperialistas pelos bons serviços prestados a estes governos e suas burguesias. O principal destes serviços estamos vendo agora: a entrega de um volume superior a US$43 bilhões das reservas internacionais deixadas pelos governos petistas nos últimos 9 meses, em operações cheias de eufemismos diversos mas que na prática são um verdadeiro roubo. E assim, as reservas criadas por aqueles que supostamente quebraram o país, mais de US$361 bilhões, vão sendo simplesmente queimadas para salvar os bancos de um limitadíssimo conjunto de nações enquanto Bolsonaro e seu gabinete mente descaradamente dizendo que o país está quebrado, não tem dinheiro para aposentadoria dos trabalhadores, nem para evitar a ameaça da fome, nem para o atendimento a seres humanos em situação deplorável de miséria, que nada além  de “orientações” profiláticas pode ser feito em relação a pandemia do coronavírus, apenas para ficar nos exemplos mais recentes de que este é, para além de qualquer tipo de figura de linguagem, um governo imposto à força pelos patrocinadores do golpe de 2016, filho de uma grotesca fraude eleitoral onde o principal candidato fora tirado do pleito, novamente pela ação decisiva do Judiciário absolutamente comprometido com o golpe.

Os episódios vão compondo um quadro revelador e demonstram de maneira muito clara que a inércia do governo no sentido de proteger a vida da população, sob severa ameaça com a pandemia do coronavírus, não se deve a uma inépcia administrativa ou oligofrenia cultural mas sim ao interesse de classe. O imperialismo precisa expropriar as riquezas do Brasil (assim como a de todas as nações atrasadas do mundo) para evitar que a profunda acentuação da crise histórica do capitalismo leve a uma crise explosiva em seus próprios países, que já se encontram em uma situação de turbulência enorme e crescente.

Bolsonaro e o conjunto do regime político brasileiro, incluindo todas as instituições burocráticas (independente da vontade de eventuais indivíduos que nelas atuam de alguma forma) são inimigos da população, como tal devem ser tratados pelo povo. Provaram explicitamente na última semana que não tem nenhuma consideração pela catástrofe que se avizinha, com a possibilidade muito concreta de provocar uma mortandade sem precedentes em nossa história.

A campanha pelo fora Bolsonaro não pode esperar, como querem os setores da esquerda que defendem uma aliança com os patrocinadores do golpe de 2016 e da eleição fraudulenta de Jair Bolsonaro.

Mais do que nunca  é preciso materializar a campanha que está na “boca do povo” que  é o Fora Bolsonaro. Só é possível salvar o Pais da barbárie do coronavírus e da da profunda crise do capitalismo é pela atuação independente das amplas massas.

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