Bancários em Luta
A campanha salarial dos bancários se dará em um momento decisivo no processo golpista
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ConferênciaNacionalFinal1_5ago
Conferência bancários | Foto: Contraf Cut

Nesse 23 de julho, sexta-feira, o Comando Nacional dos Bancários formalizou a entrega da pauta de reivindicações da categoria bancária à Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) que, devido a pandemia do Covid-19, foi realizada virtualmente, por videoconferência. Está marcado para essa semana a primeira reunião de negociação.

A campanha salarial dos bancários 2020 se realizará em meio a uma intensa ofensiva reacionários dos banqueiros e dos seus governos contra os direitos da categoria. Um primeiro aspecto dessa ofensiva foi que, com o golpe de Estado, os banqueiros partiram para cima da categoria através das demissões. Somente no ano de 2019, 44.963 bancários forma jogados no olho da rua, substituídos, com salários menores. por apenas 35.500 novos funcionários e, com isso, cerca de 10 mil postos de trabalho foram extintos definitivamente na categoria, nesse período. Além da demissão em massa houve o fechamento de centenas de agências em todo o país.

Os bancos públicos, tais como a Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil passam por medidas do governo golpista que visa aumentar a pressão pela privatização das empresas estatais. Tanto o BB como a CEF passam por reestruturações que vêm ocasionando demissões em massa, descomissionamentos, rebaixamento salarial, com fechamento de agências, a venda de diversos ativos das suas subsidiárias, etc.

A direita golpistas está criando as condições para a privatização dos bancos públicos nos mesmos moldes que foi feito no governo do famigerado FHC (PSDB) que vendeu quase tudo que o Brasil tinha de valor e de produtivo, como os bancos estaduais, a Vale do Rio Doce, a telefonia, ferrovias, etc.; em consequência, milhões de trabalhadores acabaram perdendo os seus empregos, depois de uma intensa propaganda orquestrada pela imprensa capitalista.

Por outro lado o lucro dos bancos tem aumentado na mesma proporção que a exploração dos trabalhadores bancários. No ano de 2019 os cinco maiores bancos no país (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú/ Unibanco e Santander) obtiveram um lucro de R$ 108 bilhões. Somente no primeiro trimestre de 2020, mesmo com a crise da pandemia, esses mesmos bancos alcançaram um lucro de R$ 18 bilhões.

A reestruturação do setor, promovida nas últimas duas décadas, junto com as fusões, privatizações, desregulamentações, a redução acentuada dos custos operacionais e o uso intensivo da informática, levou à prática de uma política de arrocho salarial agressiva pelos bancos baseada na transformação das agências em lojas de vendas e negócios, junto com as demissões de antigos funcionários, a contratação de estagiários e de ex-funcionários através de empresas terceirizadas. Os lucros dos bancos contrastam com a deterioração dos rendimentos dos trabalhadores assalariados, hoje o salário de ingresso de um bancário de banco privado não chega a R$ 2.000,00 enquanto que um trabalhador de banco público o piso passa um pouco disso.

Os bancários, nesta campanha, estarão diante de uma gigantesca movimentação golpista e da ofensiva da direita. Deverão lutar contra a política econômica, levada adiante pelo representante dos banqueiros nacionais e internacionais no governo golpista, que coloca em prática o plano de terra arrasada contra os trabalhadores; bem como se opor à “alternativa” da direita golpista que é intensificar a política de expropriação em favor dos banqueiros e dos grandes monopólios internacionais. Os golpistas já anunciaram nos quatro cantos do mundo que pretendem privatizar todas as empresas estatais, e estão pavimenta o caminho nesse sentido, vide os casos do BB e CEF.

A campanha salarial dos bancários se dará em um momento decisivo no processo golpista, a unidade com outras categorias deve ser um momento para uma mobilização mais efetiva para a organização da paralisação nacional para derrotar o golpe e os banqueiros contra a política de ataques aos trabalhadores para beneficiar meia dúzia de parasitas capitalistas.

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