Entrevista
Veja aqui a entrevista concedida por integrante da greve dos trabalhadores da Cobra Tecnologia, prestadora de serviços do Banco do Brasil
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Banco do Brasil #BB #Economia #Emprego #JornaldosCanyons
Banco do Brasil | Foto: reprodução

Os trabalhadores da Cobra Tecnologia, empresa prestadora de serviços do Banco do Brasil, estão em greve no Estado da Bahia desde o dia 27 de novembro devido aos patrões se aproveitam da pandemia para explorar ainda mais os trabalhadores e negam completamente suas reivindicações e insistem congelar os salários, apesar do aumento da carga de trabalho. Vendo a situação, o Diário Causa Operária entrevistou Jaciel, Presidente da Comissão de Empregados do Banco do Brasil Tecnologia para falar sobre a mobilização e a situação da greve dos trabalhadores.

1- DCO: Gostaria de começar perguntando como começou a greve?

Jaciel – O movimento grevista começou logo após a revogação da procuração junto à Fenadados, a federação que o Sindados Bahia é filiado, e devido a nossa insatisfação com a Fenadados em nível nacional que historicamente não tem promovido uma boa mediação junto às negociações coletivas dos acordos coletivos, então esse ano decidimos revogar da Sindados junto a Fenadados e fazer uma negociação local e já vamos em várias mesas de negociação junto a Fenadados e vimos que não era a forma correta de se chegar em um consenso então decidimos em assembleia  no dia 25 de novembro em entrar em estado de greve por tempo indeterminado a partir de 27 de novembro, a greve começou assim pois historicamente estamos perdendo nossos direitos não temos correção salarial  baseado nos índices de correções oficiais, esse foi o estopim para fazermos uma mudança a de negociação e fazer uma negociação local.

2- DCO: Companheiro qual a principal reivindicação da categoria e como foi a adesão dos trabalhadores pela greve

Jaciel – A nossa maior reivindicação é em relação aos reajustes salariais dentro dos índices de correções oficiais, por que na verdade historicamente nós temos perdido  essas correções, e não tivemos ao longo dos anos nenhuma contemplação do ganho real, então a princípio é uma correção baseado nos índices oficiais INPC, IPCA, e somando a isso um ganho real, e por outro lado nós temos também uma briga em relação ao plano de saúde que os descontos são muitos altos, tem pessoas que tem o desconto de quase mil reais de plano de saúde, trabalhadores que tem salário em torno de R$ 1800 a R$ 2000, tendo desconto de mil reais em um plano de saúde, estão exterminando de fato o poder de compra dos trabalhadores aqui da BB Tecnologia. Então nesse sentido essa outra vertente em torno do plano de saúde com esses valores muito caros, e a categoria está muito cansada com relação esses dois pontos. Um é a defasagem salarial e falta de reajustes previstos pelos índices oficiais mais ganho real, e o segundo ponto mais relevante seria em relação ao plano de saúde e que também tem uma defasagem onde os mais antigos não pagam o plano básico e os que entraram depois de 1996 eles pagam o plano básico, então os antigos não pagam o plano básico e os novatos mesmo os que entraram por concurso público pagam e é um valor bastante alto. As duas bandeiras principais são essas.

3- DCO: Como tem sido envolver os trabalhadores e quais trabalhos estão sendo feitos no meio da pandemia

Jaciel – Nós tivemos uma adesão muito grande aqui na Bahia, cerca de 90% dos trabalhadores da capital (Salvador) e no interior chegou a mais de 95%. A Cobra Tecnologia que tem o nome fantasia de Banco do Brasil Tecnologia e Serviço SA,  é uma empresa vinculada ao Banco do Brasil prestação de serviço tecnológico, parte do corpo funcional e técnico de rua o técnico operacional que exerce suas funções nas agências e postos de atendimento e quiosques de caixas eletrônicos nas ruas, e outra parte dos trabalhadores que figuram internamente  nos escritórios da empresa em várias localidades do Brasil, esses de trabalhos internos estava em regime de escala e boa parte do tempo trabalhando em casa. Então a greve veio também de forma indireta para preservar a saúde do trabalhador, de forma que estando em casa durante o período grevista não estão se expondo como deveriam estar nas atividades normais em campo atendendo, é uma greve em período de pandemia e as pessoas estão em casa mais protegidas contra a contaminação.

Falando mais sobre a adesão dos trabalhadores ao movimento grevista isso se deu também as questões históricas  dessa defasagem salarial a categoria então está muito insatisfeita pois fazemos um trabalho extremamente fundamental para o Banco do Brasil, um banco hoje não vive sem tecnologia, e nós fazemos manutenção em praticamente todo o parque tecnológico quer seja alarmes, caixas eletrônicos, servidores, computadores, portas giratórias, gerador de neblina, a cada dia que passa o banco passa mais responsabilidade, mais atribuições, mais equipamentos e novos contratos para a Cobra Tecnologia, em contra partida a categoria não é reconhecida  como deveria, baixos salários, falta de motivação, de valorização de pessoal, inclusive tem trabalhadores saindo e indo para a iniciativa privada porque já não consegue manter um padrão de vida mínima dentro da empresa.

4- DCO: Como está a greve em pleno natal e virada do ano, conte nos como está sendo?

Jaciel – Na verdade nossa greve se iniciou no dia 27 de novembro às zero hora, e isso se deu em decorrência da falta de consenso nas mesas de negociação junto a empresa, que inicialmente começou com a Fenadados com negociações em nível nacional pois o nosso sindicato está vinculado a essa federação, só que teve várias mesas de negociação e na primeira a empresa deu reajuste zero, na segunda teve uma evolução, e ao longo de quatro meses não se chegou a nenhum consenso, nossa data base é primeiro de outubro e acaba entrando em época de recesso, natal e fim de ano, e temos uma dificuldade de ajuizar um dissídio de greve por que o judiciário está em recesso, e acabou que esse ano aconteceu novamente, as negociações foram bastantes extensas por não ter uma conclusão, a empresa sempre vem com propostas de reajuste zero, uma empresa que teve 340% de lucro em 2019, e nesse último trimestre parece que teve mais de 17 milhões de reais de ganhos, mas ela vem e oferece reajuste zero, para outra federação os patrões ofereceram 100% de reajuste do INPC  e eles aceitaram. Nós solicitamos através de assembleia uma negociação local só que a empresa insiste em levar essa negociação junto ao TST, ela insiste em fazer convocação de negociações pré processuais junto ao TST, sendo que a competência é do TRT da Bahia, então estamos aguardando, e o nosso sindicato ja comunicou a empresa desde o início da greve que as negociações seriam locais e até o momento não sentamos em mesa, não se fez uma mesa virtual, não convocou o sindicato para negociar aqui na Bahia, eles convocaram para a negociação pré processual no TST junto a Fenadados, só que nós nos separamos desse acordo coletivo da federação e queremos uma negociação local aqui na Bahia, inclusive ja foi votado em assembleia o ajuizamento do dissidio coletivo de greve que a empresa alega que é a greve é ilegal, mas não a juíza o dissídio coletivo de greve. Nós manteremos a greve na tentativa de resolver o impasse e de ser julgado também os itens referentes às melhorias econômicas e sociais do nosso acordo coletivo.

5-  DCO: Gostaria de deixar uma última fala antes de encerrarmos a entrevista?

Jaciel – A mensagem que eu deixo para todos os trabalhadores é que nunca desistam da luta, até por que historicamente se analisamos a luta dos movimentos sindicais, da luta de classes proposto por Marx e Engels é fácil de entender que a greve é um movimento que se busca através da paralisação dos trabalhos a luta por melhorias. Os patrões fizeram até um painel falando que os trabalhadores são essenciais para o funcionamento da empresa, mas infelizmente damos o nosso melhor, somos reconhecidos por dar o melhor com conversas, mas efetivamente através de uma remuneração decente não somos reconhecidos.

 

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