Bahia: PM é denunciada por tortura a jovem e agressões a escrivã dentro de delegacia

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Da redação – No último domingo (05), em Camaçari (BA), uma escrivã foi agredida por policiais militares do estado da Bahia na Delegacia Especializada de Repressão a Crime Contra Criança e Adolescente (Derca), que, de maneira ostensiva e truculenta, entraram no local e discutiram com a funcionária.

“Estando sozinha, a tropa adentra a delegacia impondo o seu comando, onde tento através de um pedido que se retirassem e ficassem apenas o comando para apresentação do fato, não fui atendida e mantiveram-se de forma ameaçadora no interior da instalações”, relatou a trabalhadora da Derca ao Diário Causa Operária. “Vale salientar que a tropa quando leva uma situação para a delegacia não adentra a tropa de conjunto, pois o espaço físico não comporta e não há necessidade”, disse.

Ela ficou indignada com os policiais, primeiro devido à intimidação das autoridades, entrando em grupo e armadas no local. Mas, sobretudo, com a história que lhe foi contada, a respeito do motivo da visita dos PMs. Segundo ela, os militares haviam intercedido em uma briga entre dois irmãos (uma jovem de 18 anos e um adolescente de 15) durante uma festa de aniversário organizada pela família (negra e pobre) na praia. Os policiais, segundo a denúncia, algemaram a garota, a jogaram dentro de uma viatura e dispararam gás de pimenta em seu rosto, antes de fecharem a porta do veículo. Depois, se dirigiram a um posto de saúde para aplicar soro nos olhos da jovem agredida, “na tentativa de limpar a atrocidade cometida e tentar se livrar da prova”.

Ainda de acordo com a funcionária da Derca, a moça passava mal e afirmou que “eles [os PMs] colocaram gás de pimenta dentro do camburão”. A servidora declarou ainda que “no boletim de ocorrência foi relatado o ocorrido, a família não representou criminalmente contra a jovem e foi emitido guia para exame de corpo delito onde consta a vermelhidão nos olhos, hematomas nas pernas e no punho devido às algemas estarem apertadas”.

“Ao ouvir o relato desenvolve na minha pessoa um desconforto, uma aflição, o sentido de justiça, a indignação do ato covarde, desumano, truculento, animalesco e ao observar uma jovem diante de uma tropa grande, muitos homens, fortemente armados contra um ser indefeso, mulher, negra, pobre. A reação é imediata, intempestiva. Emotiva, nasce ali, o senso de justiça. Sempre mostro minha revolta em diálogo com as partes (mãe e filhos) envolvidas”, concluiu.