Cinema brasileiro é premiado
O filme do diretor Kleber Mendonça Filho, “Bacurau”, vai concorrer ao troféu de melhor filme internacional no Independent Spirit Awards
Cena-do-filme-Bacurau
Cena do filme "Bacurau", que demonstra a idea de auto-defesa da população armada. | Foto: Reprodução
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Cena do filme "Bacurau", que demonstra a idea de auto-defesa da população armada. | Foto: Reprodução

O aclamado filme do diretor Kleber Mendonça Filho,  “Bacurau”, vai concorrer ao troféu de melhor filme internacional no Independent Spirit Awards, que ocorrerá dia 22 de abril. A premiação que considera filmes independentes anunciou nesta terça (26) seus indicados através de um vídeo apresentado pela atriz Laverne Cox, o diretor Barry Jenkins e a atriz e diretora Olivia Wilde.

Esta é a segunda vez em que Kleber Mendonça Filho, que assina a direção do longa com Juliano Dornelles, é indicado ao prêmio de uma premiação que é considerada o ”Oscar” do cinema independente, a primeira vez com o filme também aclamado “Aquarius”. “Bacurau” concorre com outros quatro longas: “The Disciple”, da Índia, “Night of the Kings”, da Costa do Marfim, “Preparations to be Together for an Unknown Period of Time”, da Hungria, e “Quo Vadis, Aida?”, da Bósnia e Herzegovina.

O filme “Bacurau”, por outro lado, tem uma posição de destaque expressiva, pois representa para muitas categorias da esquerda a denuncia do golpe de estado de 2016, o “entreguismo” ao Estados Unidos, palavra usada para representar as relações imperialistas naturais centenárias entre os países atrasados e os desenvolvidos, e por fim, a conclusão revolucionaria: Armar o povo para a auto-defesa.

Não é atoa que alguns elementos do próprio imperialismo, como o Ex-presidente Barack Obama, que disse que este era o seu “filme do ano”, viram benefícios em fazer demagogia esdrúxula em cima deste filme para fingir serem “progressistas”. Fato irônico, já que o filme representa na verdade o oposto de todo o governo deste presidente.

Falando do Oscar, “Bacurau” foi cotado para representar o Brasil na corrida pelo Oscar no ano passado, mas foi desbancado por “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz. Outro brasileiro, o ex-publicitário paulista Edson Oda, natural de Mogi das Cruzes, disputa a categoria de melhor longa de estreia com “Nine Days”. Isto só demonstra o valor do cinema brasileiro, negligenciado por completo pela burguesia e pelo governo brasileiro.

Vale a pena lembrar do total descaso com o investimento na cultura brasileira, em especial o cinema, que neste ano viu um ataque rancoroso com o fechamento da Escola de Cinema Darcy Ribeiro no Rio de Janeiro e com o abandono da Cinemateca Brasileira, em São Paulo, que corre risco de incêndio, inclusive. Mesmo com a política de sucateamento da cultura brasileira, é possível ver a importância que o cinema Brasileiro ganha internacionalmente.

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