Bolsonaro cara de pau
Depois de tanto discurso demagógico contra o bolsa família, Bolsonaro agora quer se promover com o auxílio emergencial
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Lançamento do aplicativo CAIXA|Auxílio Emergencial
Aplicativo do auxílio emergencial no celular | Foto: Reprodução

Uma das consequências imediatas da pandemia do novo coronavírus é a diminuição no ritmo da atividade econômica, reflexo do isolamento social, medida necessária para o combate à pandemia, que levou ao fechamento de vários estabelecimentos comerciais. Com a atividade comercial paralisada, os capitalistas, não querendo arcar com o ônus da crise, aceitaram o fechamento do comércio mas, em contrapartida, demitiram uma imensa quantidade de trabalhadores ou reduziram o salário dos mesmos. 

Num cenário onde as condições de vida e trabalho do proletariado brasileiro já eram péssimas, com a pandemia se tornaram ainda piores: quem estava empregado trabalhando em más condições e ganhando um salário que não supre as necessidades básicas (alimentação, água, luz, telefone, aluguel..), agora ficou sem emprego ou o manteve porém com salário diminuído. Resumidamente, a pandemia catalisou uma crise socioeconômica  já  vigente. A convulsão social que isto poderia acarretar seria enormemente prejudicial para a classe burguesa, que precisou adotar medidas para conter a chegada da mesma. A principal medida adotada foi a criação do auxílio emergencial pelo governo Bolsonaro.

Inicialmente prevista com valor de míseros 300 reais, Bolsonaro se viu forçado pela burguesia a subir um pouco este valor. “Bondosa” como é, a direita considerou melhor aumentar o auxílio para 600 reais. Apesar do valor ainda ser baixíssimo, levando em conta as necessidades dos trabalhadores e a montanha de dinheiro que Bolsonaro distribuiu para os grandes capitalistas, a renda extra se mostra essencial para amenizar a crise e fazer a economia voltar a se movimentar, embora a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) tenha sido das piores. O Planalto previu uma queda de 4,7% no somatório das riquezas do Brasil, enquanto que o FMI (Fundo Monetário Internacional) já é mais negativo, prevê uma baixa de 9,1%. A atividade industrial, por sua vez, subiu em 8,9% no mês de junho, em comparação a maio, segundo o IBGE. Tal subida é, todavia,  insuficiente para cobrir a perda 26,6% nos dois primeiros meses da pandemia. Ainda que exista algum avanço na economia, a expectativa dos especialistas e do mercado financeiro permanecem negativas. Para estes, a perspectiva positiva com relação a determinados setores da economia se deu em razão do apoio financeiro concedido pelo governo às empresas e ao auxílio emergencial distribuído para a população. Tal fato faz a direita ter cautela com relação à quando e como pôr fim a este programa de transferência de renda pros trabalhadores, sem trazer risco de uma revolta popular e desacelerar mais a economia.

Em se tratando dos reflexos políticos do auxílio emergencial, Bolsonaro, que sempre foi contra este benefício e já havia planejado sua redução e extinção, agora vê ele como importante para sua sobrevivência política no Planalto. O presidente da república, que junto à direita de conjunto sempre se opôs aos programas assistencialistas dos governos Lula e Dilma Rousseff, vindo com o discurso demagógico de que o bolsa família era compra de voto à favor dos petistas, agora contraditoriamente vê no auxílio-emergencial uma forma de manter e subir seu índice de popularidade para com a população, somando às negociações com o Centrão para que seu impeachment seja barrado.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Relacionadas