Pretexto para a paralisia
Desde o início do governo Bolsonaro, não faltam teses de que o governo iria “cair sozinho”
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Presidente Jair Bolsonaro recebe o presidente da Argentina Mauricio Macri no Palacio do Planalto. BsB 10-01-2019Foto: Sérgio Lima/PODER 360
Jair Bolsonaro | Foto: Sérgio Lima

Em artigo publicado no dia 16 de outubro, o portal Vermelho, editado pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), apresentou um balanço dos casos de corrupção no governo Bolsonaro e apresentou a seguinte conclusão:

“São fatos incontestáveis de que a sentença de Bolsonaro decretando o fim da corrupção com a sua chegada ao governo é uma farsa. Como bem definiu o governador Flávio Dino (PCdoB-MA), ‘Bolsonaro acabar com a corrupção seria uma espécie de autoextermínio’”.

A ideia de um “autoextermínio” do governo Bolsonaro não é, nem de longe, uma novidade. Desde que Bolsonaro assumiu seu mandato, após a fraude eleitoral de 2018, a esquerda pequeno-burguesa prega que o governo iria “cair de podre”. Isto é, que iria cair sozinho. Dois anos depois, o governo continua de pé.

O que os setores que pregam tal ideia não conseguem responder é: por que um governo cairia “sozinho”? Na política, que determina se determinados interesses irão se sobrepor em relação a outros, nada acontece “por acaso”. Assim, o que a esquerda pequeno-burguesa quer dizer quando fala em “autoextermínio” é que a burguesia, que sustenta o governo Bolsonaro, poderia derrubar o governo. Não seria, portanto, um “autoextermínio”, mas sim a classe dominante colocando abaixo o governo que ela própria estabeleceu.

Não é fato que a burguesia esteja inclinada em derrubar o governo Bolsonaro. E mesmo que tivesse, por que a esquerda deveria apoiar que os capitalistas se livrassem de um governo apenas para atender a seus interesses? O fato é que os golpistas e os trabalhadores têm interesses completamente antagônicos e, portanto, não podem estabelecer uma aliança real. A direita, neste momento de crise, quer apenas criar melhores condições para liquidar o patrimônio nacional e acabar com os direitos dos trabalhadores, enquanto estes lutam pela sua sobrevivência.

A tese do “autoextermínio”, portanto, serve apenas para justificar a política da “frente ampla”. Ou seja, a política de colaboração dos trabalhadores com a direita golpista. Essa política, que é concebida pela própria burguesia, apenas visa a salvar os setores falidos da burguesia consigam, ancorados no prestígio da esquerda, recuperar o espaço hoje ocupado por meio da extrema-direita. Para a esquerda, não há nada a ganhar. Até porque a direita não está interessada em mobilizar as massas contra a burguesia, pois é ela própria a principal representante dos interesses desta classe.

Falar que o governo vai “cair de podre”, portanto, serve apenas para justificar uma política paralisante. Isto é, para que a esquerda pequeno-burguesa, que quer promover a política da “frente ampla”, imobilize as massas e forjem seus acordos com a burguesia. É preciso rejeitar completamente essa política. É preciso organizar os trabalhadores para derrubar o governo Bolsonaro por meio da força dos próprios trabalhadores.

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