Autodefesa: negros dos EUA criam associção pró-armas de fogo

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Um estudo publicado na Annals of Internal Medicine, pelos pesquisadores Corinne Riddell, Sam Harper, Magdalena Cerda e Jey Kaufman, que analisaram dados de 2008 a 2016 nos 50 Estados americanos e no Distrito de Columbia, constatou que homens negros têm 14 vezes mais probabilidade de serem assassinados por arma de fogo que os brancos nos Estados Unidos da América, mesmo correspondendo a aproximadamente 25% da população.

Os EUA desde sua aurora como Estado independente, garantiu a cidadania (que excluía os negros naquele momento e parcialmente ainda hoje) um direito democrático, sem o qual torna-se nulo o exercício dos direitos democráticos mais fundamentais, como o de resistência à opressão: o porte e a posse de armas pelo cidadão. Direito inscrito na Segunda Emenda à Constituição dos Estados Unidos de 15 de Dezembro de 1791.

Estima-se que atualmente exista entre 265 a 400 milhões de armas (registradas e ilegais) no país, que tem uma população de aproximadamente 328 milhões de habitantes. Estima-se também que a taxa de armamento entre os brancos é maior que entre os negros. Segundo estudo da Pew Research Center, pelo menos 36% dos brancos possuem armas, contra 24 % de negros armados.

Estes dados são extremamente importantes, embora pouco debatidos, os negros são as maiores vítimas de assassinatos por armas de fogo, e são também os que menos as possuem, o que contrasta com o argumento antidemocrático e de tipo pacifista do desarmamento. Mostra de maneira cabal que se uma população oprimida está desarmada, maior é a violência que os opressores lhes infligem.

Nesse sentido os negros norte-americanos, a quem sempre foi negado ou dificultado o porte e posse de armas pelo Estado, vêm há décadas se organizando para armar-se e defender a si e aos seus  direitos democráticos, como o fizeram os Panteras Negras.

Em 2015 surgiu o National African American Gun Association (NAAGA), associação de armas com o objetivo de representar toda a comunidade negra dos Estados Unidos. São oferecidos na associação treinamentos para ajudar os negros a usar armas para autodefesa, direito básico e fundamental, além de discutir temas centrais da luta democrática do negro naquele país. Segundo o presidente, Philip Smith, “historicamente, não temos voz na sociedade. Então tivemos de sair e desenvolver nossa própria organização e falar sobre nossos valores”.

A luta que os negros norte-americanos trilham, e que serve de parâmetro aos negros brasileiros, pelo armamento da comunidade, é, sem dúvida, uma luta central, pois possibilita pôr abaixo o regime de opressão a que são submetidos.

A luta pelo armamento é uma luta democrática de todo o povo, pois o direito ao armamento constitui a ferramenta necessária para que o cidadão possa exercer sua cidadania, ou seja, que possa levantar-se contra a tirania e a opressão, que são riscos permanentes enquanto durar o Estado burguês. Cumpre também papel fundamental na luta de uma população oprimida dentro de um Estado nacional, como o caso dos negros norte-americanos, que são uma minoria, mas também dos negros brasileiros, que são uma maioria, já que o armamento muda a correlação de forças dentro do Estado e força a admissão de direitos para quem não os tinha.