“Autodefesa” e “poder coercitivo ampliado” que o Exército quer é a ditadura no Rio de Janeiro

Depois de aprovada a intervenção militar no Rio de Janeiro, a situação só piora. Logo após a votação da matéria no Congresso, Raul Jungman, ministro da Defesa, e outros golpistas do governo já afirmaram a necessidade de mandados de busca e apreensão coletivos para garantir a ação das Forças Armadas nas favelas, ou seja, uma total violação da Constituição.

Além desse absurdo, os militares querem que seja aprovado um dispositivo legal, semelhante ao usado na intervenção militar do Haiti, no qual existe a “garantia de pleno exercício do direito de autodefesa e poder coercitivo ampliado”. Em outras palavras, eles querem que a Justiça permita oficialmente que os milicos esculachem e atirem em qualquer um, sem nenhum tipo de consequência.

Ano passado, em uma clara preparação para a situação que vivemos hoje, já foi aprovada uma lei na qual os militares só seriam julgados por tribunais militares, mas as autoridades do Exército ainda não ficaram satisfeitas.

Até mesmo o considerado “moderado” general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército, clamou por “garantias para agir sem o risco de surgir uma nova Comissão da Verdade”, explicitando que o que eles querem mesmo é agir com a extrema violência de sempre, matando e torturando, mas sem prestar contas a ninguém.

A proposta é tão absurda que até o presidente golpista da Câmara, Rodrigo Maia, disse que seria muito difícil o texto ser votado no plenário, já que essas medidas seriam praticamente uma “licença para matar” dada aos militares.