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Nem todas têm acesso à exames
Aumento da desigualdade impede o acesso de mulheres pobres à saúde
Golpistas são contra investir em saúde de qualidade e gratuita
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Nem todas têm acesso à exames
Aumento da desigualdade impede o acesso de mulheres pobres à saúde
Golpistas são contra investir em saúde de qualidade e gratuita
Se diagnosticado no começo, o câncer de mama tem 90% de chances de cura. Foto: Reprodução.
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Se diagnosticado no começo, o câncer de mama tem 90% de chances de cura. Foto: Reprodução.

Como acontece todos os anos, durante o mês de outubro, o governo “investe” em campanhas do chamado “Outubro Rosa”, que se refere à luta das mulheres contra o câncer de mama e a importância de realizar os exames corretamente, além de saber identificar possíveis sintomas da doença. Mas, como tudo num sociedade desigual, nem todas as mulheres tem a oportunidade de se cuidarem. Essa afirmação se baseia na última Pesquisa Nacional de Saúde sobre o câncer de mama, em 2013, onde os resultados mostram que, levando em consideração somente as mulheres com nível superior, entre 50 e 69 anos, 80% já fizeram uma mamografia.

Em relação às mulheres com baixa escolaridade, com nível fundamental incompleto ou sem nível superior, esse percentual cai para apenas 50%, sendo a região Norte do Brasil a que possui o número mais baixo de mulheres que já conseguiram fazer uma mamografia, chegando a somente 30%. Esses dados são mais do que preocupantes, principalmente porque somente em 2019, o número de casos de câncer de mama deve chegar a 60 mil no Brasil e grande parte das mulheres trabalhadoras não tem acesso aos exames preventivos necessários, muito menos à cartilhas que expliquem sobre a doença.

Liz Almeida, chefe da Divisão de Pesquisa Populacional do Instituto Nacional do Câncer (Inca), chama atenção para essa discrepância nos números, lembrando que: “em cada região precisamos dar uma atenção diferenciada a questões como grau de informação, qual é a possibilidade de acessar os exames preventivos e o tratamento. Temos que olhar de forma desigual para uma situação de desigualdade e tratar essa situação de forma desigual”. Como ela afirma, a questão regional pode ser decisiva na saúde da mulher, que constantemente sofre com a falta de recursos em cidades pequenas.

Contudo, até em algumas capitais, a situação é absurda. Uma pesquisa do Ministério da Saúde, de 2018, mostrou que menos de 70% das mulheres de Boa Vista, Rio Branco, Fortaleza e Macapá haviam feito uma mamografia nos últimos dois anos. A faixa etária dessas mulheres é de 50 a 69 anos. E Salvador, esse percentual chega a 86%. Lembrando que quando diagnosticado em seu estágio inicial, o câncer de mama tem 90% de chances de cura, algo que possibilita tratamentos menos agressivos.

Infelizmente, a prevenção é quase um luxo numa sociedade desigual como o Brasil, afundado em uma crise catastrófica, com um governo golpista que assalta o bolso dos idosos e da classe trabalhadora, que retira direitos, que corta investimentos em áreas de suma importância como a saúde e que condena as mulheres pobres praticamente à morte.

Não adianta todo ano o governo golpista investir em campanhas sobre exames que muitas das mulheres nunca nem poderão fazer. Enquanto todas as cidades, por menores que sejam, do País não tiverem acesso livre e gratuito à saúde de qualidade, essas campanhas de Outubro Rosa, especialmente vindas da direita golpista, não passarão de pura demagogia e cinismo.