Pandemia e fome
Além do aumento de casos e mortes por Covid-19 crescendo exponencialmente, os povos indígenas estão enfrentando o descaso da FUNAI perante a situação e também a fome.
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Brasília - Grupo de indígenas Guarani-Kaiowa protesta pedindo demarcação de terras em frente ao Palácio do Planalto (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Segunda maior etnia do país, os Guaraní Kaiowá chegaram a 75 infectados por Covid-19 somente no MS. | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil.

Os ataques a vida e aos direitos básicos, que são características de governos direitistas, além do proletariado urbano também atacam violentamente as populações rurais e também os indígenas. Na pandemia esse descaso com os povos indígenas se agravou ainda mais e o número de casos de pessoas infectadas cresce exponencialmente assim como todo o resto do país. Entre os povos Guaraní Kaiowá, que é a segunda maior etnia do Brasil, o número de casos de Covid-19 saltou de 1 para 74 em apenas 17 dias, isso contando só o registrado na reserva de Dourados- MS. Segundo dados da SESAI (Secretaria Especial de Saúde Indígena), no Brasil já foram registrados 1.737 casos confirmados e 70 óbitos por Covid-19 em todo o Brasil até o último dia 4 em reservas indígenas, enquanto a Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) estimou 1.868 casos confirmados e 182 óbitos entre 78 povos indígenas atingidos pela doença no país, o que representa uma letalidade de 9,7% entre os povos indígenas. Os números ainda podem ser muito maiores, já que organizações indígenas denunciam que há subnotificação, o que já era esperado tendo em vista a falta de testes massivos para toda a população brasileira, principalmente para aqueles que estão ainda mais desassistidos pelo Estado, como é o caso dos povos indígenas.

Como se o problema da pandemia já não fosse o suficiente, as reservas e aldeias estão enfrentando outro problema grave, o da fome. Antes mesmo da pandemia esse já era um problema latente, pois em novembro de 2019 o presidente da FUNAI Marcelo Augusto Xavier da Silva assinou um memorando no qual proibia a viagem de servidores para terras indígenas não homologadas ou regularizadas. De acordo com a FUNAI, 235 terras indígenas estão esperando regularização, em que 117 estão em fase de estudo, 75 já são declaradas (ou seja, autorizadas para serem demarcadas) e 43 foram delimitadas, mas dependem da análise do Ministério da Justiça, além das 500 áreas que ainda aguardam reconhecimento. Essa determinação além de prejudicar os trabalhos de regulamentação e de outros serviços, também afeta duramente a distribuição de cestas básicas nas reservas, o que deixa a situação de fome e subnutrição grave, e ainda pior com a pandemia, já que os indígenas não podem sair das reservas por causa do isolamento social. Neste caso, os indígenas estão cada vez mais isolados e sem amparo algum do Estado, podendo agravar ainda mais a situação da pandemia, afinal com a alimentação deficiente o sistema imunológico e a saúde dos povos indígenas podem ficar ainda mais debilitados, além da falta de auxílio em outras questões relativas à doença como a higiene. Entre as mais atingidas estão as reservas da região sul do país, do Mato Grosso do Sul, além das comunidades da região Amazônica.

O problema da fome dos povos indígenas é proposital por parte do governo genocida que assola a vida dos brasileiros. Enquanto comunidades entram em verdadeiro desespero diante dessa situação de desamparo pela FUNAI, a CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) do Mato Grosso do Sul está completamente carregada de alimentos que poderiam muito bem ser distribuídos as comunidades.

Enquanto comunidades indígenas passam fome, CONAB/MS está cheia de alimentos. Foto: Ascom MPF/MS

A situação dos povos indígenas no Brasil está cada vez mais difícil e os mesmos se encontram cada vez mais desamparados pelo Estado, e isso se agravou ainda mais com o governo genocida de extrema direita de Jair Bolsonaro, que não mede esforços para tentar esmagar as comunidades indígenas e acabar com a luta do povo por suas terras. Neste momento, os trabalhadores precisam se organizar e sair às ruas em defesa da vida de todos, principalmente dos povos mais marginalizados na sociedade, como é o caso dos indígenas. A defesa da queda do governo Bolsonaro é uma defesa da vida dos trabalhadores e todos os brasileiros.

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