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Da redação – O Conselho da Judiciatura do Equador está a ponto de abrir um processo de investigação sobre 400 denúncias de perseguição política durante os dez anos de governo do ex-presidente Rafael Correa (2007-2017).

Dentre as denúncias, 80 foram apresentadas pela “ONG” Fundamedios, sobre violação à liberdade de expressão, 100 pelas vítimas da “revolta” policial de 2010 e 224 através de um formulário na Internet na página do Conselho.

Percebe-se que tais acusações cairão somente nos ombros do governo de Correa, um nacionalista de esquerda que montou um governo de conciliação com a burguesia e, como tal, fez concessões à direita. Mesmo que tais denúncias sejam verdadeiras, é notório que a direita as está usando para atacar Correa, que é perseguido pela Justiça e por isso está vivendo fora do Equador.

A situação guarda alguma semelhança com o que ocorreu durante o segundo governo de Dilma Rousseff no Brasil, quando a direita participante do governo pressionou o PT a adotar políticas repressivas e neoliberais, o que serviu de pretexto para desmobilizar, em um primeiro momento, o apoio popular do partido, a fim de atacá-lo e derrubá-lo do governo.

Entretanto, as denúncias – que, inevitavelmente, são contra o próprio Correa – não parecem verossímeis em sua totalidade. A Fundamedios, por exemplo, é uma organização da imprensa bugruesia equatoriana, denunciada há anos por ser ligada ao imperialismo, recebendo financiamento e orientação diretamente dos Estados Unidos.

É preciso ficar claro que tal campanha visa destruir o nacionalismo burguês e a esquerda, não só do Equador, como de toda a América Latina, com episódios semelhantes ocorrendo no Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia e em outros países com uma base social forte do nacionalismo.

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