Universidade Marxista
Na 7ª aula, falou-se sobre como o Partido Bolchevique atuou durante a guerra, os conflitos, os erros de Stálin e o início da ascensão da burocracia
2021.01.21 O que foi o stalinismo - Aula 7 02
Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO, durante a 7ª aula do curso "O que foi o stalinismo" | Reprodução: Universidade Marxista
2021.01.21 O que foi o stalinismo - Aula 7 02
Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO, durante a 7ª aula do curso "O que foi o stalinismo" | Reprodução: Universidade Marxista

Nesta terça (26), ocorreu a 7ª aula do curso “O que foi o stalinismo”, que faz parte da 46ª Universidade de Férias do Partido da Causa Operária (PCO) e da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR). Dedicada à Guerra Civil e a NEP (Nova Política Econômica), foi ministrada pelo companheiro Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido.

Nela, fez-se a exposição sobre o início da guerra civil. “Diante do levante generalizado da burguesia contra o novo governo [revolucionário]” os bolcheviques estabelecem o que ficou conhecido como “comunismo de guerra”, segundo Rui, implementado através de “um decreto nacionalizando todas as grandes empresas do País, as vias de comunicação e a coleta de grãos”, explica.

Nesta primeira parte, ele explica que a Guerra Civil foi extremamente violenta. Ele cita o episódio em que os marinheiros atacam seus oficiais e decidem castrá-los. “Imagine o que os oficiais, que eram muito mais agressivos, muito mais violentos, faziam” sugere.

Segundo ele, ambos os lados em confronto tinha clareza que se tratava de “uma guerra de morte”, dado que quem perdesse estaria liquidado em vários aspectos, inclusive histórico. Rui explica que a

guerra feita à base de uma economia russa devastada pela 1ª Guerra Mundial, o que aprofundou ainda mais a crise interna do País, que teve que abandonar outras atividades em detrimento do esforço exigido pela guerra, que acentuou problemas como vias de comunicação destruídas, fábricas e a classe operária diminuída, em termos numéricos, etc.

Diante desta situação, ele conta que os bolcheviques perceberam – o que se expressou de forma destacada em Trótski – que era necessário ter um exército profissional para lutar essa guerra, dado que os inimigos (exército branco) tinham o armamento mais moderno da época, fornecido pelos ingleses, franceses, etc, que continham enormes armas de destruição recém utilizadas na 1ª Guerra Mundial.

Desta forma, Trótski dá seguimento à construção de um exército moderno. Rui explica que “ele percebe que o Partido Bolchevique e a classe operária não têm o conhecimento necessário para enfrentar uma guerra deste tipo”. O dirigente do PCO explica que “não é uma guerra onde se forma um grupo de guerrilheiros e ataca um destacamento armado, como aconteceu em Cuba ou na China”. Diferente disto, os bolcheviques estavam num momento em que os países detinham exércitos gigantescos. Ele lembra que “os bolcheviques chegaram a ter 5 milhões de soldados no Exército Vermelho”. Não teria como colocar em jogo uma capacidade combativa “sem um conhecimento muito grande da técnica militar”. Assim, “apesar de não ser uma ideia unicamente de Trótski, é ele que lança mão do recrutamento dos especialistas militares… que viriam a ser 3/4 dos oficiais do Exército Vermelho”, esclarece Rui.

É um feito extraordinário! Destaca o presidente do PCO, para quem os bolcheviques compreenderam bem que tinham que utilizar o que dispunham naquele momento e mostraram uma compreensão muito prática do que era necessário fazer na situação em que se encontravam. “Não dá para jogar o pessoal fora e começar do nada”, lembra. Levando em conta que os oficiais eram ex oficiais do regime czarista, os bolcheviques mantinham um controle muito próximo de cada um deles, que tinha um comissário ou comissão do Partido a quem tinham que se reportar. Em aula anterior do curso, quando fala sobre o burocracia soviética, Rui deu maiores detalhes de como funcionou esse recrutamento.

No outro bloco, Rui falou sobre como surgiu o enfrentamento entre Trótski e Stálin. Falou-se sobre a história da cidade de Tsaritsyn, que teve seu nome alterado Stalingrado (ação de Stálin), que hoje se chama Volgogrado.

Relatando vários episódios, Rui explica como Stálin atuou durante a Guerra Civil, os erros que cometeu por colocar seu interesse próprio e imediato em detrimento da necessidade política do Partido, o que custou em operações militares dezenas de milhares de mortos e de prisioneiros de guerra. Outro aspecto utilizado por Stálin era fazer demagogia com o sentimento dos militantes em relação aos especialistas militares, dizendo que estes seriam burocratas, não fariam nada, etc. Ele dizia que os militantes é que deveriam ocupar o lugar dos oficiais, no lugar dos antigos generais da monarquia. Ele procurava explorar o sentimento que os militantes tinham em relação a esses oficiais, muitos dos quais foram presos durante a revolução de 1917 pelos próprios bolcheviques e agora comandavam o Exército Vermelho. Rui explica que desta forma, Stálin se colocava contra a política do Partido e passava agrupar “os rancorosos”.

No bloco seguinte, Rui seguiu a explicação de como Stálin, que enfrentou dificuldades na guerra civil, retornou para o aparelho burocrático do Partido, após o término da guerra civil, em 1921. Ele explica que Stálin era o homem do aparelho burocrático, do método de agrupar camarilhas, com as pessoas mais incompetentes, rancorosas e medíocres, postura que vai caracterizar a ascensão da burocracia. Um exemplo importante dado é o caso da “inspeção operária e camponesa”, um instrumento criado pelos bolcheviques para evitar o desenvolvimento da burocracia. No entanto, sob o controle de Stálin, a inspeção passa a ser utilizada para angariar apoio da burocracia ao invés de combatê-la.

O presidente do PCO falou sobre o problema das camarilhas e da falta de programa. O Partido Bolchevique, que após a guerra civil tinha 400 mil militantes, passa a viver o fenômeno da criação de grupos formados por interesses imediatos e pessoais, que vão se desenvolver e formar uma rede que permeia o Partido e em determinado momento virá a se levantar contra ele. Rui explicou que a burocracia precisava de alguém que expressasse seus interesses. Stálin, pela seu método típico de burocrata, de “homem de escritório”, pela sua falta de programa e pela determinação em defender seus interesses imediatos, “torna-se instrumento de forças que não conhece e não controla”, torna-se um instrumento das circunstâncias”.

Ele também contou o caso em que Trótski e Lênin divergiram sobre a utilização dos sindicatos para a reconstrução do País, o que contribuirá para que vários setores dentro do Partido se coloquem contra Trótski no momento posterior da definição de quem deve substituir Lênin. Um problema que já aparecera na guerra civil, aprofunda-se com essa crise com os sindicatos. “Trótski aparece como sendo uma “pessoa muito linha dura, muito disciplinador”, o que “afeta os setores mais atrasados do partido” e que será aproveitado precisamente por Stálin.

Por último, no bloco das perguntas, Rui explicou que os bolcheviques, mesmo enfrentando várias situações novas, fizeram aquilo que era necessário: “colocou-se uma revolução, a classe operária se levantou, eles a conduziram à vitória. A burguesia se levantou, foi para a guerra civil, eles enfrentaram e venceram a guerra civil. O país estava destruído após a guerra civil, eles reconstruíram” concluiu.

Perdeu a 7ª aula ou ainda não se inscreveu no curso?

Ainda dá tempo de participar, basta acessar o endereço universidademarxista.pco.org.br, preencher os dados e pagar a inscrição, que custa o preço simbólico de apenas R$100,00 (cem reais)!

Antes do início da 1ª aula, foi apresentado um tutorial do funcionamento do curso, dos grupos de estudo, da plataforma da Universidade Marxista, do acesso à Enciclopédia Marxista e à Biblioteca Socialista.

Se você perdeu a 7ª, 6ª, 5ª, 4ª, 3ª, 2ª ou a 1ª aula, não há problema, na plataforma da universidade é possível acessar todo o conteúdo publicado até então, com as aulas na íntegra!

Não fique de fora da maior atividade de formação marxista do País! A 46ª Universidade de Férias tem mais de 1.000 inscritos no Brasil e no exterior! Mais do que um curso é um chamado à luta contra o golpe de Estado e pela revolução proletária mundial.

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