Universidade Marxista
Lênin, Trótski, Sverdlov, Zinoviev, Khamenev, Bukharin e Stálin, o papel dos principais dirigentes do poder soviético e o início da crise do governo bolchevique
2021.01.21 O que foi o stalinismo - Aula 6 CCBP
Rui durante a 6ª aula da 46ª Universidade de Férias | Arquivo DCO
2021.01.21 O que foi o stalinismo - Aula 6 CCBP
Rui durante a 6ª aula da 46ª Universidade de Férias | Arquivo DCO

Nesta quinta, ocorreu a 6ª aula do curso “O que foi o stalinismo”. Parte da 46ª Universidade de Férias do Partido da Causa Operária (PCO) e da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR). Ministrada pelo presidente nacional do Partido, o companheiro Rui Costa Pimenta, na sexta aula, sobre os primeiros anos do poder bolchevique, apresentou os 7 principais personagens poder soviético (Lênin, Trótski, Sverdlov, Zinoviev, Khamenev, Bukharin e Stálin), a partir da tomada do poder, em 1917, após a Revolução Russa, bem como a introdução sobre a Guerra Civil.

 

Lênin

No primeiro bloco, o companheiro Rui falou sobre o principal ator do período revolucionário até a ascensão da burocracia: Vladimir Lênin. Lembrou de frases clássicas de Lênin, citando Marx, como:

“A verdade é sempre concreta”

e:

“O concreto é a síntese de múltiplas determinações.”

Rui descreveu Lênin como um mestre da dialética política, que dominava a teoria marxista, sobretudo em seu aspecto econômico.

Contribuição ao marxismo

Ele destaca que Lênin deu uma contribuição própria ao marxismo ao estudar as relações sociais russas. Outro aspecto do dirigente bolchevique era sua extraordinária capacidade de se manter numa linha política de forma coerente, independente das oscilações do movimento.

Coerência política

Rui lembra que em vários momentos da sua trajetória ele ficou isolado dentro do próprio partido, mas manteve sua posição, o que se provou correto durante a revolução de 1917. O caso mais famoso é o da tomada do poder pela classe operária em 1917, onde Lênin travou uma luta enérgica para que o partido mudasse de posição diante da necessidade da tomada do poder. Ele defendeu que a classe operária tomasse o poder através de uma insurreição armada, mas não foi acompanhado por seus pares, o que viria a ser revertido posteriormente, quando o partido de conjunto adotou a posição de Lênin. Rui também cita o caso do acordo de Brest-Litovsk.

Administração de conflitos e autoridade política

Por último, ele destacou a enorme habilidade de Lênin em administrar os conflitos dentro e fora do Partido, sempre discutindo, explicando, sabendo o tempo correto de intervir, fosse para ir adiante ou para recuar, o que lhe rendeu uma enorme autoridade política.

Trótski

Em seguida, o companheiro Rui falou sobre o segundo principal dirigente bolchevique da Revolução de 1917: Leon Trótski. Segundo ele, o dirigente tinha uma capacidade de mover as pessoas pelo raciocínio e pelas emoções. “Se Lênin foi o cérebro da revolução, Trótski foi o homem prático dela”, afirmou.

Ele relatou que Trótski foi a principal figura pública da revolução de 1905, também o principal orador do partido para as massas. Líder dos marinheiros de Cronstradt, em 1917 foi eleito pelo partido bolchevique ao Soviete de Petrogrado. Foi também dirigente do Comitê Militar Revolucionário que realizou a insurreição armada em outubro de 1917, quando o Partido Bolchevique tomou o poder. Rui lembrou que Lênin propôs que Trótski fosse o presidente do Comitê dos Comissários do Povo, o que foi rejeitado por Trótski, que reconhecia o papel de Lênin como principal líder e organizador do Partido.

Segundo Rui, Trótski era visto pelo povo como o grande líder junto de Lênin. Ele conta que em meados de 1918, as pessoas olhavam para a revolução e diziam “Lênin e Trótski”. Rui também explicou que sua maior façanha foi ser nomeado, pouco antes da guerra civil, Comandante Chefe das Forças Armadas. Foi o ditador militar do que viria a ser chamado de União Soviética. Extremamente adepto da disciplina, ele era duro contra todas as atitudes contrárias à disciplina no Exército Vermelho e no Partido, tendo punido uma série de pessoas que se levantaram contra a disciplina.

O presidente do PCO explica que as pessoas olhavam para Trótski como uma espécie de “Napoleão Bonaparte”. Era profundamente temido por todos os setores vacilantes, burocráticos, etc. Ele “não deixava pedra sobre pedra”, pontua. Extremamente ríspido quando se tratava de colocar em ordem determinadas decisões.

Outro ponto é que Trótski foi talvez o maior orador do século XX, provavelmente. Um teórico muito importante do marxismo, que analisou profundamente as características da Revolução Russa, fez um balanço da revolução de 1917 e o impulsionou a luta contra a burocracia.

Rui lembra da imagem clássica de Trótski no cavalo de São Jorge.

Por fim, ele conta que apesar de Lênin ter uma capacidade superior, Trótski, com sua enorme capacidade, intimidava as pessoas.

No bloco de perguntas, Rui contou sobre anedotas famosas, como a chegada de Trótski ao Comício de 1925/26 e sua popularidade única, a ida Lênin vai ao ministério de Trótski, os embates duros entre Lênin e Trótski, bem como as calúnias de que Trótski seria menchevique.

Ele explicou que diferente do que se conhece de hoje na esquerda, os bolcheviques discutiam política de forma firme, criticando os companheiros uns aos outros e confrontando suas posições políticas. Desta forma, a abordagem que os stalinistas fazem, de que isso provaria que Trótski não seria o bolchevique que foi, não passa de uma abordagem de igreja, uma espécie de culto religioso, em que o único dirigente que não teria cometido erros seria o próprio Stálin, que seria uma espécie de papa, infalível. Ele lembrou que Trótski foi o dirigente da insurreição, membro do governo e líder da vitória dos bolcheviques na guerra civil, bem como que “Lênin nunca trouxe de volta esses embates do passado a tona.”

Jacob Sverdlov

Rui também falou sobre Jacob Sverdlov, o 1º Secretário Geral do Partido Bolchevique, o
braço direito de Lênin. Segundo Rui, uma pessoa tida pelos seus contemporâneos com grande capacidade de tratar com os militantes, resolvendo problemas, conflitos, etc. Uma peça chave no partido.

Ele morre em 1919, o que abriu caminho para que Stálin dominasse o partido. No entanto, Rui explica que os bolcheviques não consideravam possível substituir Svlerdov, tamanha sua capacidade, o que fez com que criassem uma comissão para ocupar se lugar. Ele destacou que o dirigente político é um produto de todo o acúmulo de um partido em determinado período.

Ele dá o exemplo que a morte de Rosa Luxemburgo e dos demais dirigentes assassinados no mesmo período, deixaram um vácuo no Partido Comunista Alemão, que não viria a se fechar até a ascensão do nazismo. Quando Lênin morre, ocorre a mesma situação. Ele afirma que mesmo Trótski não consegue cumprir o papel que Sverdlov e depois Lênin cumpriram.

Zinoviev

Na sequência, Rui falou sobre Zinoviev, que acabou passando para a história pelos seus erros, dado que apesar de sua expressiva contribuição, ele não esteve à altura das circunstâncias revolucionárias que se impuseram. Ele destaca que o dirigente bolchevique era um orador extraordinário, um propagandista extremamente habilidoso. Mesmo não sendo propriamente um teórico, escreveu muitos textos interessantes. Seu ponto alto foi quando conseguiu, durante o congresso de unificação do Partido Comunista com o Partido Independente na Alemanha, em seu discurso de 5 horas conseguiu fazer com que quase metade dos presentes se filiassem no Partido Comunista Alemão.

Kamenev

Parceiro de Zinoviev, foi um dos intelectuais importantes no partido bolchevique, desempenhou um papel relevante na crise interna. Também opôs-se à tomada do poder pelo Partido em 1917 e durante um longo período expressou a tendência a posições direitistas dentro do Partido, tendo formado junto com Zinoviev e Stálin o triunvirato.

Bukharin

Indo adiante, falou-se sobre Bukharin, que teve uma história muito contraditória e complicada, segundo Rui, que explica que diferente do que se procura apresentar, o Partido Bolchevique não era uma “falange de ferro”, mas sim um conjunto de pessoas temperamentais, que oscilavam, etc. Bukharin era um dos que mais expressava essa condição.

Ele era considerado, depois de Lênin, o principal teórico do Partido, destaque para seu livro “O tratado de materialismo histórico”. Também colaborou com Lênin na teoria do Imperialismo. Foi líder da ala esquerda do Partido (conhecida como comunistas de esquerda) e anos depois passou a dirigente da ala direita do Comitê Central do Partido, tendo dado uma guinada de 180º em sua política.

Stálin

Por fim, Rui falou do menos destacado dirigente, uma pessoa bastante limitada do ponto de vista teórico. Sem brilho nenhum, mas apreciado por ser uma pessoa enérgica, foi militante bolchevique durante um longo período, sem destaque. Entrou no CCN apenas em 1914, apesar de estar no partido desde 1903.

Militante da Georgia, não tinha nenhuma experiência internacional, cumpria um papel secundário dentro do Partido, o que fez com que passasse despercebido diante da luta entre os dirigentes maiores, que desprezaram suas capacidades e o poder do aparato burocrático que viria a comandar.

Foi galgando posições com seu pragmatismo e se tornou conhecido como “a mediocridade mais iminente do partido bolchevique.” Rui destaca que ele era um elemento intrigante, rei da formação de camarilhas dentro do partido. Quando a crise se coloca dentro do partido, ele aparece como um “peixe dentro d’água”. E, diferente do que os stalinistas dizem, não tem nenhum mérito do que os stalinistas o atribuem, como também não cumpriu nenhum papel importante durante a revolução.
Rui lembra que ele se destacou quando assumiu o jornal do partido com Kamenev e adotou uma linha política direitista de conciliação com o governo provisório, o que rendeu uma crise no partido e a oposição de Lênin. Só se tornou uma liderança após a guerra civil, quando a burocracia começou a se erguer.

Por fim, Rui relatou que destes 7 principais dirigentes, Lênin e Sverdlov teriam morrido de causas naturais, mas os outros 4 foram assassinados por Stálin.

Durante o bloco de perguntas, Rui explicou que Stálin reverteu a liberação do aborto, do divórcio, entre outros. Falou sobre o “termidor da URSS” e que o stalinismo era um defensor da família tradicional. Perguntado sobre se existe paralelo entre o PCO e o Partido Bolchevique, ele respondeu que o Partido tem como referência o Partido Bolchevique, bem como seu método de estudar a história e assimilar os grandes acontecimentos do passado.

A guerra civil

No último bloco, Rui falou sobre as condições que vivia a Rússia e o que levaram o País à Guerra Civil. Ele lembrou que o governo operário mal assumiu e após a tomada do poder e a eleição dos comissários do povo, já se viu tendo que enfrentar a guerra e a invasão do País pelo imperialismo.

Ele citou acontecimentos como levante dos kossacos (general Kaledin), o levanta de Kerenski/Krasnov. Disse que Trótski explicou que a burguesia e a pequena burguesia não levaram a sério o governo bolchevique, o que deu lugar a uma resistência muito encarniçada contra o governo operário. Contou o episódio de quando Trótski tomou posse como comissário do povo para as relações exteriores e todos os funcionários do ministério fizeram greve contra sua direção, liderados por um príncipe. O que fez com que, Trótski mandasse os marinheiros prenderem-nos por insubordinação, bem como o príncipe.

Ele também falou sobre a proposta indecente da esquerda pequeno-burguesa: um governo de coalizão com a dissolução da guarda-vermelha. Diferente desta, ele disse que Trótski propôs um governo de coalizão baseado na proporcionalidade dos Sovietes.

“Nós temos que nos submeter a quem? A esses partidos que estão desmoralizados com a classe operária? De jeito nenhum, o lugar deles é na lata de lixo da história.” (Trótski)

Rui explicou detalhadamente como a posição de de Lênin, de que se o acordo não saísse a Alemanha invadiria o país, mostrou-se correta. Num primeiro momento, Trótski apresentou aos alemães a posição de:

“Nem paz nem guerra.”

O que rendeu a resposta da Alemanha de que em 10 dias os russos deveriam aceitar o acordo, antes dos alemães retomarem a agressão militar.

Lênin diz que se o Comitê Central não aceitasse o acordo, ele iria renunciar e fazer oposição à direção. Isto foi um dos elementos que convenceu Trótski a mudar de posição e juntos eles conseguirem ser maioria no partido. Ele lembrou que o congresso de março de 1918 do Partido fez um amplo debate sobre o acordo. E que o partido bolchevique quase rachou 2 vezes diante do acordo de paz, da situação econômica e da iminência da guerra civil.

Essa enorme soma de conflitos e da deterioração da situação fizeram com que medidas tivessem que ser revertidas, como o controle operário da economia, o que levou os comunistas de esquerda alegarem a traição da revolução por parte dos bolcheviques e a se levantarem contra o governo operário.

A Guerra Civil começou em 1918 com o levante da Legião Tchecoslováquia, com cerca de 50 mil soldados que começaram a guerra civil. A burguesia toda se mobilizou contra o governo. O que obrigou o governo revolucionário a expropriar todas as empresas para impedir que elas fossem utilizadas como um reduto de organização da contrarrevolução. Rui comparou com esta com a situação atual da Venezuela. Socialistas revolucionários se voltam contra o governo bolchevique, promovendo atentado contra Lênin. Eles assassinam o embaixador da Alemanha, para retomar a guerra. O que obriga o governo operário a reprimir os socialistas revolucionários.

Neste momento, ingleses e franceses invadem a Rússia, cada um por um lado. Criam-se 2 ou 3 exércitos revolucionários liderados por generais russos e o território russo dominado pelos bolcheviques chega a ser 20% de todo o território do País, uma redução drástica.

Por último, Rui explicou que a revolução estabeleceu um novo regime, o que significou um progresso social. Os opositores, portanto, queriam restaurar o que havia antes do regime revolucionário. Logo, era necessário defendê-lo de todas as formas possíveis, ou seja, a repressão aos opositores era a única forma de manter o regime revolucionário. Diferente do que houve posteriormente com o regime stalinista, onde já não haviam as mesmas condições críticas, que deixavam o regime por um fio.

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