Universidade Marxista
Nesta aula, fez-se uma revisão dos temas mais discutidos nos grupos de estudo (a burocracia), bem como se falou da origem e influências do Partido da Revolução Russa de 1917
2021.01.19 O que foi o stalinismo - Aula 5
Rui Costa Pimenta, durante a 5ª aula do curso "O que foi o stalinismo" | Arquivo DCO
2021.01.19 O que foi o stalinismo - Aula 5
Rui Costa Pimenta, durante a 5ª aula do curso "O que foi o stalinismo" | Arquivo DCO

Neste terça (19) o curso “O que foi o stalinismo” concluiu sua 5ª aula. Como parte da 46ª Universidade de Férias do Partido da Causa Operária (PCO) e da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR) e ministrado pelo presidente nacional do Partido, o companheiro Rui Costa Pimenta. O dirigente apresentou um balanço dos grupos de estudo, fez uma revisão das dúvidas mais comuns e divulgou que a 2ª reunião dos grupos ocorrerá no domingo 31/01.

Grupos de Estudos

No início da 5ª aula, falou-se sobre a 1ª reunião dos grupos de discussão, que reuniram mais de 200 participantes no Brasil e no exterior, em 6 grupos de discussão, sendo um por região. O dirigente do PCO reforçou o chamado para que os companheiros participem dos grupos de estudo, dado que é um parte importante da interação, esclarecimento e compreensão do conteúdo.

Lembrou que a 2ª reunião dos grupos ocorrerá no domingo 31/01 e os companheiros podem acompanhar o Blogue e o Fórum de Discussão, por onde podem obter informações sobre a organização do curso, como o caso dos grupos de estudo, bem como sobre conteúdos.

Ele destacou que as discussões feitas neste domingo (17) nos grupos, mostrou uma ansiedade dos participantes sobre temas relativos à luta dentro do Partido Bolchevique, que opuseram Stálin e Trótski, por exemplo. Explicou que se o curso fosse direto a estes acontecimentos, tornaria-se uma espécie de exibição de anedotas políticas, o que favorece a criação de mitos, como os próprios stalinistas fazem com a figura de Stálin, o que dificultaria a compreensão do fenômeno estudado. Por fim alertou que “é um grave erro explicar os acontecimentos pelas personalidades”.

O outro aspecto que se sobressaiu nas discussões dos grupos foram dúvidas e incompreensões sobre o papel da burocracia. Desta forma, o companheiro Rui começou esta 5ª aula por uma revisão das aulas sobre o tema, explicando que até aqui estudou-se a visão panorâmica da URSS, a burocracia e o Estado Operário e que o próximo passo será a luta política dentro da União Soviética.

Sobre a burocracia e as revoluções, Rui falou que todas elas se configuraram numa burocracia. Citou a revolução inglesa, a revolução francesa de 1789, do período da dominação dos jacobinos.

Rui disse que este problema da burocracia não é novo. O próprio Marx dizia ser preciso “seguir o exemplo da Comuna de Paris”, onde em 1871 o governo revolucionário fez com que nenhum funcionários da burocracia estatal ganhasse mais do que qualquer trabalhador. Ou seja, que era preciso ter o mínimo possível de burocracia.

Ele também lembrou do que Lênin foi um dos primeiros a conceber o problema da burocracia e do Estado:

“É preciso simplificar as funções do Estado, de tal maneira que uma cozinheira poderia administrá-lo.”

Ou seja, que o Estado passasse da administração de pessoas para a administração das coisas em benefício da população.

“Isto marcaria um período em que tanto o Estado, quanto a burocracia, ainda existiriam, mas estariam em dissolução. Na URSS ocorreu o contrário.” (Rui)

Ele lembrou do que dissera nas aulas anteriores sobre o caso dos especialistas da burocracia na URSS. Citou o exemplo do Exército Vermelho, onde soldados e oficiais não tinha diferença no sentido de condecorações e status. Lembrou de uma parte de músicas do exército que diziam:

“O oficial é um companheiro que desempenha uma função diferente.”

Perguntado se o Partido Bolchevique seria o PT, Rui respondeu:

“O PT nem chegou a tomar o poder para ser absorvido pela burocracia stalinista. Foi absorvido pela burocracia do Estado capitalista.”

A luta política na URSS e a origem do Partido Bolchevique

Feita a recapitulação, o dirigente marxista iniciou o tema sobre a disputa dentro do Partido Bolchevique. A divisão dentro do partido se tornou cada vez mais intensa. Desde o final da 1ª guerra, sobretudo após 1921 e até 1927.

Rui então falou sobre a origem do Partido Bolchevique e as principais influências que teve. Do Marxismo, do PSDA (Partido Social Democrata Alemão – SPD em alemão) e da Rússia.

Ele contou a situação em que Marx, após a 1ª Internacional ter acabado com a derrota da Comuna de Paris, afastou-se das reuniões da esquerda, num momento de refluxo do movimento operário. No entanto, que ele depois reconsiderou sua posição, num momento em que era necessário reagrupar o movimento. Lembrou que Marx, em carta a Engels, disse:

“Rompi a minha regra de não participar das reuniões, pois ali há forças reais do movimento operário.”

Também foi citado outro episódio em que Marx, diante da participação no movimento operário em período de refluxo, escreveu o programa da Internacional baseado no Manifesto Comunista, mas alterando a forma para o período em que se encontrava, o que ficou conhecido como:

“Forte no conteúdo, suave na forma.” (Marx)

Em seguida, Rui explicou que além do marxismo e na experiência de Marx e Engels, os bolcheviques se basearam também no PSDA alemão, que chegou a ser o maior partido do mundo em sua época. Atingindo 43 jornais diários, mais de 100 publicações outras, uma revista de teoria dirigida por um elemento da estatura política de Karl Kautsky, publicações inclusive para crianças e organização de centros culturais, chamados de “casas do povo”, em que influenciavam a classe operária de todas as formas além da política, como almoços, eventos sociais, livros, atividades culturais, etc. Um partido que chegou a ter 1/3 do Parlamento alemão.

Rússia

Rui explicou que essa influência foi decisiva e que a Rússia, apesar de ter tido uma revolução burguesa, esta fora muito atrasada, num momento em que já havia a classe operária e o imperialismo. Ou seja, o desenvolvimento da revolução russa levou de 1825 a 1917, tendo seu ponto alto a partir de 1888, com o movimento revolucionário da classe operária.

“O bolchevismo surgiu em 1903 pela experiência do marxismo.”

A partir disto, surgiram vários quadros, frutos da classe operária ter se colocado em movimento, surgiu o Partido Operário Social Democrata Russo (POSDR) e depois o próprio Partido Bolchevique, o partido comunista russo, que surgiria como uma fração do POSDR e viria a dirigir a maior revolução que o mundo já viu.

Ele também falou sobre questões conceituais da organização do Partido, como aspecto da eficiência, da necessidade organizativa da luta, bem como da polêmica entre Rosa Luxemburgo e Vladimir Lênin sobre o caráter centralista do partido.

Explicou que apesar de ter uma série de princípios, a organização precisa se basear nas condições concretas. Relembrando que Marx dizia que os anarquistas propunham formas abstratas de organização, descoladas da adaptação necessária às condições de luta.

“O mínimo que você esperar num partido político é que a decisão da maioria seja cumprida.” (Lênin, em resposta à Rosa Luxemburgo)

Num primeiro momento, a fração bolchevique, que ainda não é um partido, organiza-se através de representantes não eleitos, no chamado Komitchec, uma espécie de coordenadores de célula nomeados. Era uma impossibilidade de organização democrática, eletiva, diante da repressão e da clandestinidade impostas pelo regime czarista.

Ele controu que em 1905, durante a Revolução Russa, Lênin diz que o partido precisava eleger quadros para dirigi-lo, no entanto, os integrantes dos Komitchec ficam contra, num primeiro momento. Assim foi como muitas outras vezes dentro do partido bolchevique.

“Os atritos entre Lênin e a base do partido são frequentes desde sempre.”

Rui também falou sobre o episódio do “derrotismo revolucionário”, da estação Finlândia, o depoimento de Sukanov, um militante menchevique, a divergência no tratado de Brest-Litov (com a Alemanha) e até mesmo a absurda denúncia de Zinoviev, dirigente bolchevique, à imprensa de esquerda, de que o Partido tomaria o poder.

Ou seja, que Lênin nunca foi uma unanimidade dentro do partido bolchevique, que era uma organização bastante afeita à discussão política, que segundo o Rui e próprio Lênin, tendia mais à anarquia do que ao centralismo.

“Não é que o partido bolchevique fosse uma ditadura, era uma gelatina, segundo o próprio Lênin.” (Rui se referiu a determinado momento da revolução em que Lênin, diante da vacilação de dirigentes sobre medidas necessárias de serem adotadas, como prisões, vacilavam e capitulavam)

Já no partido bolchevique sob o comando de Stálin, por exemplo, a discussão era completamente neutralizada pelo medo que os militantes tinham. Rui contou um caso em que, durante uma cerimônia, os militantes presentes bateram palmas durante 5 minutos a Stálin, pois havia o medo de ser o 1º a parar de bater palmas e indicar alguma insubordinação ao “líder”.

O partido mais antiburocrático da história

Por fim, o presidente do PCO disse que os militantes bolchevique começavam a militar muito jovens. Alguns com 15, 16, ou até mesmo 14 anos. Era comum no partido, quando alguém começava a militar com 23, 24 anos, parecer estranho. Isso rendeu a Lênin, por parte da esquerda pequeno-burguesa, o apelido de ele era um velho “cercado de crianças”.

O que a esquerda não falava, no entanto, é que essa era justamente a força do partido: sua juventude. Os militantes mais velhos do POSDR, por exemplo, tornaram-se em sua maioria mencheviques.

Logo, o Partido Bolchevique tratava-se de um partido militante, com muita discussão política, militantes abnegados, altamente politizados. O que fez com que Lênin dissesse que foram 15 anos de luta intensa até a tomada do poder, tendo o partido atravessado a guerra, o parlamento e o refluxo da classe operária, antes de chegar à revolução.

 

O que os participantes estão achando?

A redação do DCO conversou com o companheiro Antônio Guariza, o “Toni”, que assistiu à 5ª aula no Centro Cultural Benjamin Perét – Paraná (CCBP-PR) em Curitiba.

Já é a 4ª Universidade de Férias que participa e apesar de sentir saudade dos ambientes e da interação possível nas Universidades anteriores, como os ambientes, passeios, alimentação e interação com os demais companheiros, ele gostou deste formato. Segundo ele:

“Online é até melhor que presencialmente, dado o maior nível de concentração no curso. Estou aprendendo muito”, destaca o militante sexagenário.

Perdeu a 5ª aula ou ainda não se inscreveu? Acesse Universidade Marxista e participe!

Para participar do curso basta acessar a plataforma da Universidade Marxista através do endereço universidademarxista.pco.org.br, preencher os dados e pagar a inscrição, que custa o preço simbólico de apenas R$100,00 (cem reais)!

Antes do início da 1ª aula, foi apresentado um tutorial do funcionamento do curso, dos grupos de estudo, da plataforma da Universidade Marxista, do acesso à Enciclopédia Marxista e à Biblioteca Socialista.

Se você perdeu a 5ª, 4ª, 3ª, 2ª ou a 1ª aula, não há problema, na plataforma da universidade é possível acessar todo o conteúdo que foi publicado do curso até então no ambiente do aluno, com as aulas na íntegra e os conteúdos exclusivos da Biblioteca Socialista, da Enciclopédia Marxista e do Fórum de Discussões.

Não fique de fora da maior atividade de formação marxista do País! A 46ª Universidade de Férias já atingiu mais de 1.000 inscritos e tem tido a participação regular de mais de 300 pessoas ao vivo. Uma atividade inédita na esquerda brasileira e mundial.

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