Universidade de Férias
Com o tema “O grande organizador de derrotas [Stálin]”, abordou-se a política do 3º período, a ascesção do nazismo na Alemanha a Intentona Comunista no Brasil
46ª Universidade de Férias - Aula 4 02
Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO, durante aula do curso da 46ª Universidade de Férias | Arquivo DCO
46ª Universidade de Férias - Aula 4 02
Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO, durante aula do curso da 46ª Universidade de Férias | Arquivo DCO

Nesta quinta (18), ocorreu a 12ª aula do curso “O que foi o stalinismo” da 46ª Universidade de Férias do Partido da Causa operária (PCO) e da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR). Ministrada pelo companheiro Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO, o tema “O grande organizador de derrotas [forma que Trótski definiu Stálin] foi retomado, abordando da política do social-fascismo a ascensão do nazismo e a transição para a política das frentes populares.

Social-fascismo

Ele iniciou mostrando como a burocracia stalinista caracterizou a luta política a nível mundial em 3 períodos: 1º Período 1917-1921 Revolucionário; 2º Período 1922-1928 Estabilização; 3º Período 1929-1933 Revolução Iminente;

Segundo ele, apesar da forma esquemática da caracterização stalinista, a partir de 1929 houve a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque e a maior etapa revolucionária que o mundo já viu, comparada apenas ao período do término da 2ª Guerra Mundial. Por isto este período foi definido como da Revolução Iminente, uma vez que em todos os países começava a ocorrer uma grande mobilização dos trabalhadores e em oposição a ela as tendências à ascensão do fascismo.

No entanto, diante disso, ele explica que o stalinismo faz uma interpretação totalmente equivocada, considerando que a social-democracia estaria num período terminal, em que os trabalhadores a abandonariam para ingressar nos partidos comunistas. Além disso, segundo os stalinistas haveria uma tendência a fascistização da sociedade, de forma que todas as demais forças e organizações políticas, como a própria social-democracia, seriam na verdade fascistas. Ele afirma que o próprio Stálin cunhou o termo “social-fascismo” para se referir aos “social-demcoratas”. Foi desta forma, segundo Rui, que a burocracia stalinista defendeu a ruptura com os sindicatos controlados pelos social-democratas e a criação de sindicatos vermelhos (dirigidos pelos comunistas). Tal como a social-democracia se torna o inimigo principal.

O dirigente do PCO, em seguida, leu um trecho em que Stálin explica essa caracterização:

“Primeiramente não é verdade que o fascismo seja apenas uma organização de combate da burguesia, o fascismo não é meramente um assunto técnico militar, mas sim uma organização da burguesia que depende da social-democracia. Objetivamente a social-dermocracia é a ala moderada do fascismo…. Elas não se excluem, mas complementam uma a outra.”

Que em outro momento também afirmou:

“A social-democracia e o fascismo não são antípodas, mas gêmeos.” (Stálin)

Segundo Rui, obviamente a social-democracia e o fascismo são 2 forças sociais do regime burguês. No entanto, não é por isso que eles são iguais, dado que a burguesia lançar mão de partidos fascistas é diferente de quando ela se apoia em partidos “democráticos”. Ele dá o exemplo de que quando o fascismo chega ao poder ele restringe totalmente a social-democracia italiana, apoiando-se nas forças armadas e não na social-demcoracia, que bem ou mal tem uma ligação com a classe operária.

Ele explica que para ridicularizar a caracterização do Stálin, Trótski disse que “os gêmeos também podem ser antípodas”. E continua que essa política da burocracia soviética vai dar lugar a uma série de derrotas em todo o mundo, talvez a último, segundo ele, seja a do Brasil em 1935, onde os stalinistas tentam um golpe de Estado com setores da oposição, mas sem o apoio das massas.

 

Ascensão do Fascismo

A partir de 1929 abre-se toda uma oportunidade para a luta das massas, onde o centro dos acontecimentos mundiais se deslocam para a Alemanha, onde está a maior economia capitalista do mundo, a maior classe operária e o maior Partido Comunista fora da União Soviética. Ou seja:

“Durante um período, todo o destino da situação política se concentra no resultado da luta de classes na Alemanha,” afirma Rui.

Em 1929 a 1933 ocorre a ascensão do fascismo alemão. O bloco dominante é formado pelos partidos de direita tradicional e a social-democracia, que dá sustentação ao regime alemão. A partir de 1924, o fascismo começa a se tornar um fenômeno relevante dentro do País. A princípio é um agrupamento de ex-militares e ex-policiais, pessoas, que como Hitler, serviram na 1ª Guerra Mundial, Herman Goering, nº 2 do fascismo alemão, era aviador. Todos eles tinha alguma relação com as forças armadas, ou seja, corroborando a característica íntima entre fascistas e agentes de segurança do Estado. Junto a eles, agrupou-se também um setor de desempregados, um lumpen proletariado, pessoas sem rumo, vítimas da guerra e das demais mazelas capitalistas.

Na Alemanha Hitler cria as tropas de assalto (SA), tal como Mussolini tinha a camisa preta, Hitler tinha a camisa marrom, ou seja, tudo era copiado do fascismo italiano, assim como a ideia de tomar o poder e esmagar a classe operária alemã. No entanto, diferente do fascista italiano, a tomada do poder na Alemanha só viria a acontecer 10 anos depois. Rui cita o caso da tentativa de tomada do poder no episódio das cervejarias, em Munique, que acaba esmagada pelas forças armadas alemãs. O fracasso do golpe resulta na prisão de Hitler, que escreve o livro “Minha Luta” e caracteriza que não é possível tomar o poder através das armas, neste momento, mas que é preciso ganhar força através das eleições.

Rui então explica como o nazismo se desenvolveu neste período, o crescimento dos seus membros e do seu eleitorado, bem como a relação com as demais forças políticas alemãs, como o Partido Social Democrata Alemão (SPD) e o Partido Comunista Alemão.

O Partido Comunista Alemão não era pequeno, chegou a ter 2 milhões de votos a nível nacional, no entanto, já era dominado por pessoas muito ligadas ao stalinismo. É então que chega a fatídica eleição de 1933, onde os fascistas tem um crescimento gigantesco, atingindo 6 milhões de votos. Nesta mesma eleição, o Partido Comunista também tem um salto, para cerca de 2,4 milhões de votos.

 

Frente Única Operária

Rui explica que este fato é destacado por Trótski em que a situação evolui num sentido revolucionário, “há uma polarização entre a burguesia e a classe operária sobre posições antagônicas, porém, o crescimento dos comunistas é bem mais lento que o dos nazistas.” Ou seja, se a situação continuasse a se desenvolver neste sentido, os fascistas tomariam o poder antes dos comunistas e portanto, que seria necessário se unificar com outros setores da classe operária para barrar o crescimento do fascismo.

“Marchar separados, golpear juntos”

Ele explica que o termo Frente e Frente Única são termos militares, que explicam a junção de exércitos em batalhas para combater um inimigo comum. A Frente Única Operária, neste sentido, seria a união de partidos de esquerda que se aliariam para combater o fascismo.

No entanto, com a política do social-fascismo, o stalinismo levou os partidos comunistas, como o alemão, a não se unificarem com o SPD contra a extrema direita nazista. Por isso:

“Hitler chegou ao poder sem nenhuma reação da classe operária.” (Rui)

De acordo com o presidente do PCO, mesmo não tendo maioria no Congresso alemão (o Reichstag), Hitler tomou o poder por dentro do próprio regime, com o apoio de toda a burguesia europeia e americana, e esmagou a classe operária alemã.

 

A política de transição após o 3º período

Após a derrota da maior classe operária no mundo até então, resultado da política desastrosa da III Internacional Comunista sob o comando de Stálin, a burocracia entrou num período de transição da política do 3º período e passou da não reação aos fascistas para a tentativa de tomadas do poder sem o apoio das massas.

De acordo com o dirigente do PCO, esta mudança política foi expressa no Brasil com a intentona Comunista, quando o PCB (Partido Comunista Brasileiro), sob orientação do stalinismo, tentou tomar o poder diretamente e sem o apoio das massas. Ele cita o caso de Luiz Carlos Prestes, Olga Benário, Harry Berger (Arthur Ernest Ewert) e os demais militantes que foram enviados pela burocracia para o brasil para ajudar na tomada do poder.

O episódio, que ficou conhecido como Intentona Comunista, sem apoio das massas, acabou num fracasso total, em que a esquerda brasileira (comunistas, trotskistas, anarquistas, social-democratas) seriam todos presos pela ditadura de Getúlio Vargas, que se deslocaria à direita naquele momento.

Rui citou e recomendou o livro “A Revolução de 1917 a 1936: ascenção e queda da III Internacional comunista” de CLR James (Cyril Lionel Robert James), dirigente trotskista negro, que também escreveu a obra “Os Jacobinos Negros”, que ele também recomendara.

Com a ideia central de que Stálin foi responsável pela ascensão de Hitler, devido a política do 3º período, Rui encerrou a aula explicando que na próxima será iniciado o tema da política de frentes populares, em que após grandes derrotas, como no caso do Brasil, a burocracia entraria numa política de conciliação com a burguesia através (frente popular).

 

Grupos de Estudo

Neste domingo ocorrerá a 4ª reunião dos grupos de estudo da 46ª Universidade de Férias. Com exceção do grupo do exterior, que será às 7h da manhã (horário de Brasília), os demais se reunião normalmente às 18h. Fique atento ao Fórum e ao Blog da Universidade para maiores informações.

 

Escola Marxista

Assim que o curso “O que foi o stalinismo” da Universidade Marxista terminar, em março será realizada a Escola Marxista. O curso é uma espécie de continuação da Universidade Marxista e tem como objetivo levar a discussão do tema estudado para o maior número de cidades. Esta edição será baseada no livro Bolchevismo e Stalinismo, de Leon Trótski. A atividade terá duração de apenas 1 dia e ocorrerá em cerca de 150 cidades por videoconferência. Em breve as inscrições estarão disponíveis.

Ainda dá tempo de participar!

Se você perdeu alguma aula entre a 12ª e a 1ª, não há problema, na plataforma da universidade é possível acessar todo o conteúdo que foi publicado do curso até então, com as aulas na íntegra, acesso a centenas de verbetes, na Enciclopédia Marxista, textos e livros, na Biblioteca Socialista, além do Fórum para tirar dúvidas, o Blog para ter informações sobre o curso e os grupos de estudo, que terão mais uma reunião no próximo fim de semana.

Não fique de fora da maior atividade de formação marxista do País!

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