Universidade Marxista
Esta aula trata da luta entre a oposição e burocracia, travada entre 1922 e 1928, quando da expulsão de Trótski do partido e do país, marcando a 1ª fase do stalinismo
2021.01.21 O que foi o stalinismo - Aula 6 CCBP
Rui Costa Pimenta durante a 6ª aula do curso "O que foi o stalinismo" | Arquivo DCO
2021.01.21 O que foi o stalinismo - Aula 6 CCBP
Rui Costa Pimenta durante a 6ª aula do curso "O que foi o stalinismo" | Arquivo DCO

Nesta quinta (11), ocorreu a 10ª aula do curso “O que foi o stalinismo” da 46ª Universidade de Férias do Partido da Causa operária (PCO) e da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR). Avançando no período histórico em estudo, teve como tema a luta contra a burocracia e a derrota das oposições, o que configura, segundo Trótski, a fase centrista, a 1ª do stalinismo, que inicia abertamente a repressão política, com expulsões do partido e do país.

O companheiro Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO, que ministra o curso, iniciou falando da troika, formada por Zinoviev, Kamenev e Stálin. Após a morte de Lênin, a luta pelo poder do Partido Bolchevique e do Estado operário se tornou mais clara. Segundo Rui, os 3 dirigentes controlavam o aparelho do partido em regiões inteiras, como Moscou, Petrogrado, etc.

No entanto, apesar de estarem se tornando uma espécie de donos do partido, com poder sobre militantes e funcionários do Estado, nenhum deles tinha como se colocar abertamente contra Trótski, principal representante da oposição à burocracia, mas que estava muito acima dos 3. O companheiro Rui explica que se a polarização se apresentasse como “Zinoviev vs Tróstski”, por exemplo, a troika se desmoralizaria. Por isso foi necessário criar uma falsa polarização entre Trótski e o único que estava acima dele em termos de autoridade política: Lênin.

Foi assim que a troika iniciou um processo de mistificação de Lênin, que depois também seria a mistificação de Stálin e chegou ao absurdo de embalsamar o corpo do principal líder da Revolução de 1917, mesmo contra a vontade de sua esposa.

O presidente do PCO também lembrou da carta de Lênin, que ficou conhecida como uma espécie de testamento, onde este apontava Trótski como principal dirigente do Partido a conduzir o governo operário. No mesmo documento, Lênin alertava para como proceder com Zinoviev e Kamenev e solicitava o afastamento de Stálin da secretaria geral do Partido, afirmando que ele estava concentrando poder.

 

Stalinismo vs Trotskismo

Foi no marco desta luta que a troika resgatou uma série de polêmicas que ocorreram entre Lênin e Trótski – sobretudo no começo do século XX (1903, 1907 e 1908) – para propagar a ideia de que o líder do Exército Vermelho era seu principal opositor. Foi assim que a troika cunhou o termo “trotskismo” e transformou Lênin num mito para utilizar contra Trótski e acusar a oposição de estar se opondo ao marxismo-leninismo.

 

Socialismo num só país vs Revolução Permanente

No bloco seguinte, o companheiro Rui falou sobre um outro aspecto da luta entre a oposição e a burocracia. Com o país na “crise das tesouras”, explicada por ele na aula passada, a política econômica do governo operário também expressou a disputa em curso. Isto ficou expresso na política proletária, defendida por Trótski, que tinha como objetivo impulsionar a industrialização do País. E na política camponesa, defendida por Bukharin, que tinha como objetivo manter a política de conciliação com o campesinato.

Ele explicou que a política proletária necessitava de esforços ainda maiores do campesinato, que seria utilizado para a base do investimento na indústria, o que permitira um salto de qualidade no desenvolvimento do País e fortaleceria a classe operária. Já a política camponesa, era o contrário, procurava permitir ganhos cada vez maiores aos camponeses, mantendo seus privilégios às custas do resto do país.

Rui explicou que estas duas posições também se expressavam na mentalidade dos dirigentes. Como o próprio Trótski denunciou – enquanto estava na ordem do dia preparar a revolução em outros países, que estavam prestes a explodir, como a Alemanha – vários dos dirigentes bolcheviques haviam se tornado pequeno-burgueses acomodados, querendo cuidar das suas vidas e aproveitar o que conquistaram até ali.

Segundo Rui, foi assim que a NEP (Nova Política Econômica), que era uma política transitória de restaurar parte da economia de mercado para em seguida fortalecer a economia estatal, tornou-se um instrumento estratégico de restauração do capitalismo, dado que a burocracia não queria colocar em risco os privilégios que havia conquistado, em intervenções e enfrentamentos externos.

A tese do socialismo num só país, ou seja, de construir o socialismo na Rússia e depois “exportá-lo”, cunhada por Stálin em 1924, foi uma das formas que a burocracia encontrou para defender a continuidade de seus privilégios com uma roupagem marxista. Teses como da “revolução por etapas” e do “socialismo nacional” entraram no mesmo pacote revisionista.

Foi assim que a burocracia teve que atacar a teoria da Revolução Permanente, de Tróstski, que defendia justamente o internacionalismo marxista. Para defender essa política medíocre, a burocracia ainda fazia contra Trótski a campanha de que ele era alguém que procurava confusão, que enquanto a revolução tinha vencido na Rússia ele queria sempre mais, levaria os bolchevique a entrarem em mais conflitos, como guerras, etc.

 

A camuflagem leninista

Por último, o presidente do PCO explicou que para esconder a posição cada vez mais reacionária que a burocracia foi adotando, foi necessário adotar uma camuflagem que tivesse autoridade política perante o partido e as massas. Assim, fizeram uma campanha sistemática contra o “trotskismo” e passaram a se colocar como os verdadeiros marxistas-leninistas. Para tal, falsificaram o passado e utilizaram de todos os meios disponíveis para vender o trotskismo uma “ideologia profana”. Em determinado momento obrigaram os militantes do partido a rejeitar a teoria da revolução permanente e impuseram o que tinham como “marxismo-leninismo” como uma espécie de religião.

Esta disputa, iniciada mais claramente em 1922, com a doença de Lênin, teria seu ápice em 1928, quando Trótski seria expulso do partido e deportado do país, marcando a derrota da oposição contra a burocracia e configurando, segundo o próprio, a 1ª Fase do Stalinismo, a fase centrista, que viria a se intensificar ainda mais no próximo período, como se veria na repressão contra as revoluções na Hungria, na Tchecoslováquia e na Polônia (56, 68, 80).

 

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