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Um novo “Brindeiro”?
Augusto Aras, um PGR a serviço do bolsonarismo
Nada melhor do que um fascista para fortalecer as posições de extrema-direita sobre o Estado do golpe de 2016
Augusto-Aras
Um novo “Brindeiro”?
Augusto Aras, um PGR a serviço do bolsonarismo
Nada melhor do que um fascista para fortalecer as posições de extrema-direita sobre o Estado do golpe de 2016
Augusto Aras em campanha no Senado – Geraldo Magela/Agência Senado
Augusto-Aras
Augusto Aras em campanha no Senado – Geraldo Magela/Agência Senado

Não é de se estranhar que Bolsonaro tenha indicado para a Procuradoria Geral da República (PGR), Augusto Aras, uma “personalidade” alinhada com a defesa dos interesses da extrema-direita no País e com o “Centrão”.

Diante da crise que cerca o seu governo, Bolsonaro, busca o fortalecimento justamente nos setores mais reacionários da sua  base de sustentação. Aras é o bolsonarista escolhido para aprofundar o programa de extrema-direita à frente da PGR, pronto para encobri as ações fascistas de Bolsonaro, uma espécie de Geraldo Brindeiro versão bolsonarista. Para quem não lembra ou desconhece, Brindeiro foi o procurador geral que encobriu as escandalosas operações de rapinagem do País patrocinadas pelo governo Fernando Henrique Cardoso.

Em época de golpe de Estado, a função do procurador vai além. Não se trata simplesmente de acobertar os crimes econômicos, mas o de fortalecer o que existe de mais reacionário da política da extrema-direita, como a defesa da “pauta” da bancada evangélica no Congresso Nacional, expressa na carta da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure), que defende, entre outros pontos, a proibição do aborto, tratamento de “reversão sexual”, o golpe militar de 1964. Ou seja, a versão na PGR do “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” pregada por Bolsonaro.

Eu seu périplo de campanha nos corredores do senado em busca dos votos para a sua indicação, Aras encontrou “boa acolhida”, inclusive da esquerda. De acordo com informações da ultradireitsta e golpista revista Veja, o vice-líder do PT no senado, Rogério Carvalho teria declarado após uma reunião de Aras com a bancada do PT que  via “com muita simpatia o nome dele”. Carvalho teria declarado, ainda, que “o que a gente quer é que a condução do Ministério Público se dê respeitando todo o regramento jurídico e constitucional. Isso é o central. Quem indica é o presidente. Importa, de fato, o tipo de compromisso institucional que ele demonstrou e apresentou, o que nos deixou satisfeitos”.

Aparentemente, a contemporização com o bolsonarista Augusto Aras viria da crítica que o candidato a procurador faz sobre os “excessos” cometidos pela Lava-Jato. Apoiar um bolsonarista é um absurdo, seja qual for o pretexto. Augusto Aras é o “homem” de Bolsonaro para fortalecer a extrema-direita, permitir o avanço fascista sobre o Estado. Tudo que possa abrir caminho para o fortalecimento da extrema-direita significa abrir caminho para a estabilização de um regime que tem como principal objetivo destruir justamente a esquerda.

Quem defende o golpe de 1964, a política fascista da “cura gay”, a cadeia para as mulheres que abortam, supostamente em nome de Deus, só pode ser um fascista. Se ainda está apoiado por Bolsonaro, o que se pode esperar de “positivo”?

A experiência recente com o golpe de 2016 sobre a indicação de supostos esquerdistas ou “personalidades” que estabeleceram alguma relação com o PT, quando o partido era governo, como supostamente seria o caso de Aras, tem um exemplo emblemático no STF, que tem boa parte de seus ministros indicados durante os governos do PT e que tem um presidente que, inclusive, advogou para o partido. Todos, sem exceção, foram peças fundamentais no impeachment de Dilma, na perseguição e prisão de Lula e finalmente na eleição farsa de Bolsonaro, a começar pelo títere dos militares, Dias Toffoli.