Conservadorismo
Augusto Aras, futuro PGR bolsonarista, assinou carta contra o aborto
A política de Bolsonaro está posta, infiltrar o máximo de moralistas possível no governo e priorizar os desejos das igrejas evangélicas de lucrar.
Fotos produzidas pelo Senado
Conservadorismo
Augusto Aras, futuro PGR bolsonarista, assinou carta contra o aborto
A política de Bolsonaro está posta, infiltrar o máximo de moralistas possível no governo e priorizar os desejos das igrejas evangélicas de lucrar.
Augusto Aras em entrevista. Foto: Reprodução.
Fotos produzidas pelo Senado
Augusto Aras em entrevista. Foto: Reprodução.

O avanço da extrema-direita em todas as instâncias das instituições do governo está a todo vapor. Esse é caso do indicado à Procuradoria-Geral da República, o bolsonarista Augusta Aras, que não escondeu seu comprometimento com uma série de “valores cristãos”, como os conservadores gostam de chamar, expressos em uma carta da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure). Aras vem recebendo apoio dessa instituição, pelo que parece, tendo bastante influência dentro do governo do fascista Bolsonaro.

Segundo o presidente da Anajure, Aras “se comprometeu com a pauta prevista, tanto moral quanto de combate à corrupção.” Essa institução de juristas evangélicos incluem juízes, desembargadores, advogados, promotores, etc., mostrando como a igreja vem se infiltrando na política, a fim de moraliza-la e dominá-la. A carta assinada por Aras, com a qual ele se compromete, traz questões como a total criminalização do aborto e contra a união homossexual, segundo a carta “a instituição familiar deve ser preservada como heterossexual e monogâmica.”.

A Anajure também argumenta em favor do ensino confessional e que registros públicos devem admitir apenas registros de masculino e feminino.

É inadmissível que um servidor público expresse suas moralidades religiosas na política do Estado, ainda mais numa questão tão delicada e polêmica como é o aborto, onde os conservadores tratam como questão de polícia e punição, como se não fosse um problema de saúde pública, planejamento e familiar e, acima de tudo, decisão única e exclusiva da mulher responsável pela gravidez.

O que Aras pretende é estender os braços do governo brasileiro para as igrejas, que obviamente irão lucrar muito dinheiro enquanto mulheres morrem em abortos clandestinos todos os dias e deixar as decisões políticas nas mãos de um grupo de homens, ricos, brancos, moralistas e conservadores, que não possuem um fio de consciência política, além da que lhes favorece financeiramente.

A extrema-direita quer cercar a população pobre de todos os lados, e a igreja evangélica, uma das maiores inimigas da população pobre, das mulheres, negros e LGBTs, ganha cada vez mais força, podendo interferir nas questões políticas do País a seu favor, com desculpas religiosas, ignorando completamente a laicidade do Estado.