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Golpe imperialista
Áudios revelam participação dos EUA no golpe militar na Bolívia
Governo dos EUA financiou o golpe e a desestabilização em meio às eleições vencidas por Evo Morales
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Golpe imperialista
Áudios revelam participação dos EUA no golpe militar na Bolívia
Governo dos EUA financiou o golpe e a desestabilização em meio às eleições vencidas por Evo Morales
Como sempre, imperialismo norte-americano promove mais um golpe.Foto:Esteban Monclova (CC BY-NC 2.0)
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Como sempre, imperialismo norte-americano promove mais um golpe.Foto:Esteban Monclova (CC BY-NC 2.0)

Da redação – Um conjunto de 16 áudios revelados no início de outubro e que podem ser encontrados no portal Behind Back Doors mostra uma parte da participação dos Estados Unidos no golpe militar na Bolívia, que derrubou ontem (10) o presidente eleito Evo Morales.

Os áudios mostram conversas nas quais estão presentes, dentre outros, um ex-presidente boliviano e o ex-governador de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, opositor de Morales que vive atualmente nos EUA.

Um desses áudios faz referência a uma ativista chamada Miriam Pereira, que informa que o deputado opositor Juan Flores (presidente do Comitê Cívico de Cochabamba) viajou aos EUA junto com outros direitistas para se reunirem com Carlos Sánchez Barzain, que foi ministro do ex-presidente neoliberal Gonzalo Sánchez de Lozada. A viagem tinha como objetivo arrecadar meio milhão de dólares para gastos em mobilização contra o governo no âmbito das eleições que ocorreram em 20 de outubro.

De acordo com o portal, grande parte do financiamento já estava na Bolívia no início de outubro, graças ao apoio de embaixadas de governos direitistas e da Igreja Evangélica, que seria utilizada pelo governo norte-americano como uma fachada para encobrir sua participação direta no golpe.

Ainda conforme a averiguação do Behind Back Doors, diplomatas norte-americanos na Bolívia, como Mariane Scott e Rolf A. Olson, se encontraram com altos diplomatas de Brasil, Argentina e Paraguai para organizarem e planejarem ações de desestabilização contra o governo boliviano, assim como para repassar o financiamento para a oposição.

As estimativas do próprio governo dos EUA eram de que Morales venceria as eleições no primeiro turno, por isso a embaixada norte-americana criou as condições para a proclamação de uma fraude eleitoral, disseminando essa acusação para outros setores diplomáticos na Bolívia. Assim, Mariane Scott convenceu os governos de Brasil, Argentina, Paraguai, Colômbia, Equador, Chile, Espanha e Grã-Bretanha a denunciarem a “fraude”.

Mas a fraude foi da própria direita. Em julho, os opositores “cívicos” se reuniram e concordaram em adquirir “máquinas para a contagem rápida de votos” para manipular o resultado das eleições de outubro, cujo custo total seria de 300 mil dólares. 

A embaixada dos EUA e a representação da União Europeia contribuiriam com mais de 800 mil dólares através da Fundação Jubileo e da Igreja Evangélica. O dinheiro também foi gasto no pagamento dos funcionários que contariam os votos. Também seriam recrutados jovens de extrema-direita para, após a contagem e antes do resultado final, começarem a onda de violência.

O portal ainda adianta (a primeira matéria é de 8 de outubro) que o fascista Luis Fernando Camacho, presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz e principal líder do golpe, recebe total assessoria de Rolf A. Olson, funcionário da embaixada dos EUA, e que um dos candidatos derrotados por Evo Morales, Oscar Ortiz, recebeu treinamento secreto do governo norte-americano.

Além disso, toda a desestabilização causada após a eleição de 20 de outubro – locautes, campanhas de propaganda enganosa na imprensa, violência etc – foi dirigida e financiada pela embaixada dos Estados Unidos na Bolívia.