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Audiência de Moro no Senado: um teatro
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Nessa quarta (19), o Ministro da Justiça, Sérgio Moro, compareceu a Comissão de Cidadania e Justiça do Senado para explicar-se sobre sua conduta durante a operação Lava-Jato. A presença de Moro na CCJ não passou de uma enorme encenação, montada para dar um ar institucional para a conduta criminosa do ex-juiz da Lava-Jato.

As putrefatas instituições brasileira estão repletas de vermes. A maioria dos senadores são frutos de um processo eleitoral fraudulento. A prisão do ex-presidente Lula não serviu apenas para afastá-lo das eleições, mas para fortalecer a direita que fez da Lava-Jato uma campanha contra a esquerda brasileira. Portanto não é de se assustar que a presença de Moro entre seus cúmplices não seja um show de “democracia” representativa.

Durante a comissão, o lavajatista atacou Glenn Greenwald, declarou cinicamente sua inocência e fez campanha para fortalecer um Estado policialesco. Usou-se da farsa do “hacker” para sugerir o emprego da Lei de Segurança Nacional para reprimir supostos crimes de hackeamento. Ou seja, quer usar a Lei de Segurança Nacional contra inimigos políticos que divulguem notícias de interesse público. Ao contrário do que fez Moro com Lula e Dilma divulgando um áudio ilegalmente para a imprensa que ainda por cima não continha nada que comprometesse os dois ex-presidentes. O material do Intercept (meio de comunicação e não um juiz envolvido em um caso) divulga uma informação de interesse nacional, seguindo a ética do jornalismo.

Os vazamentos provam justamente que a articulação para perseguir Lula implicava ministros do STF (Fux) e figurões do PSDB (FHC). Pelo andar da carruagem ainda há muitas figuras públicas e instituições envolvidas que ainda não foram desmascaradas.

Mas os senadores direitistas e golpistas, durante a reunião da CCJ, mostraram nitidamente de que lado estão: do mesmo de Moro. O que mais se viu foram bajulações das mais ridículas, um espetáculo sinistro de cinismo. E muitos ataques violentos contra o Intercept. Por sua vez, os senadores da esquerda e da “oposição” também fizeram um papel ridículo: nenhum enfrentamento minimamente sério contra Moro, nenhuma denúncia contundente ou questionamento que o desnudasse por completo. Esse foi um exemplo claro da serventia das lutas institucionais contra os golpistas.

A imprensa golpista continua na defesa incondicional de Moro pois está comprometida até o osso com o caso. O ministro já foi se defender no principal programa da Globo e agora está indo em programas com forte apelo popular, como é o caso do “programa do Ratinho”.

A direita continuará blindando a operação para salvar todo o processo do golpe. Nada deve se esperar das instituições brasileiras nem dos meios de comunicação do velho regime, o povo tem que entrar na disputa política pela via das ruas e lutar contra as mazelas do Golpe. Libertar Lula, derrotar Bolsonaro e chamar novas eleições gerais devem estar na ordem do dia para toda a esquerda.