Ato pró-ditadura é pequeno, mas não tira golpe militar da pauta

Ontem, cerca de 100 pessoas se reuniram no vão do MASP em São Paulo para comemorar o 54º aniversário do golpe militar de 1964 e pedir “intervenção militar já”.

Que tais atos aconteçam são em si uma demonstração do nível de polarização que atingiu a situação política brasileira. O primeiro desses atos ocorreu em 2014, já como preparação do golpe que derrubou Dilma, e foi acompanhado de uma grande manifestação contra o golpe e a ditadura militar.

O ato não foi grande, mas isso não é motivo para comemoração. O golpe militar está hoje na ordem do dia. Os militares vêm ensaiando para tomar o poder; deram diversas declarações nesse sentido para ir preparando o espírito das tropas; vêm ocupando cada vez mais espaço dentro do governo golpista de Temer e, finalmente, tomaram conta do estado do Rio de Janeiro, o segundo mais importante do País.

Ou seja, um aprofundamento do atual golpe, com os militares assumindo o governo direta ou indiretamente não está de forma nenhuma descartado e deve ser preocupação fundamental na atual luta dos trabalhadores.

Isso significaria um aumento expressivo da repressão aos movimentos de esquerda, com prisão de sindicalistas virando regra, com assassinatos políticos, como o de Marielle, cada vez mais frequentes.

Lutar contra o golpe de Estado e contra a intervenção dos militares na situação política é central no atual momento. Militares devem vem voltar para os quartéis e não intervir na política do País.