Ataque na basílica
Um recente atentado à Basílica de Notre-Dame na cidade de Nice, na França, mostra o clima de tensão entre franceses e muçulmanos graças à repressão do imperialismo
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(Osaka - Japão, 28/06/2019) Presidente da República, Jair Bolsonaro, e o Presidente  da República Francesa, Emmanuel Macron, durante Reunião Paralela dos Líderes do G20, sobre Economia Digital.Foto: Frederico Mellado / ARG
Emmanuel Macron, presidente da França, junto com Bolsonaro | Foto: Frederico Mellado / ARG

Na última quinta-feira (29), três pessoas foram mortas em um ataque a faca,na Basílica de Notre Dame, localizada na cidade de Nice, na França. O agressor é o tunisiano Barhim Aouissaoui, de 21 anos. Ele foi baleado pela polícia na hora e levado para um hospital, onde ainda se encontra sob custódia, em estado grave.

As três vítimas são o sacristão da basílica, de 55 anos de idade, uma mulher de 60 anos, que foi degolada e outra mulher que conseguiu fugir para um café nas redondezas, mas que não resistiu e acabou morrendo lá também. Ela foi, posteriormente, identificada como a brasileira Simone Barreto Silva, que residia na França havia 30 anos.

Encontraram em posse do atacante um Alcorão, dois celulares e a faca de 30 centímetros, usada no ataque. Dentro de uma bolsa largada por ele no chão, havia ainda outras duas facas, que não foram utilizadas. 

Brahim Aouissaoui havia chegado à Europa no dia 20 de setembro, após sete dias viajando em um dos tantos barcos de imigrantes que costumam atracar na ilha de Lambedusa, localizada na costa italiana. Ele chegou na cidade de Nice, de trem, na quinta-feira. Da estação ferroviária, ele foi direto para a Basílica, onde ocorreu o ataque. Ele não era fichado pelas autoridades tunisianas como um “militante radical”. 

Outros três incidentes de menor envergadura ocorreram no mesmo dia do ataque, que coincide com o Mulude, data em que se comemora o aniversário de Maomé. Na cidade de Montfavet, a polícia francesa assassinou um homem que, segundo eles, ameaçava pedestres. Além disso, um afegão foi preso em Lyon por portar uma faca e na Arábia Saudita, um homem foi detido após ferir um guarda do Consulado francês, em Jedá. 

Ataque ao professor de História 

Estes ataques sucedem outro ocorrido anteriormente, em que o professor de História e Geografia francês, Samuel Paty, foi decapitado na cidade de Conflans Saint-Honorine, a noroeste de Paris. O assassinato ocorreu após o professor exibir, em sua sala de aula, as caricaturas de Maomé feitas pelo jornal satírico francês Charlie Hebdo, que foi vítima de um atentado em sua sede no ano de 2015, por ocasião da publicação destas mesmas caricaturas. 

O autor deste assassinato ainda não foi encontrado, no entanto, está claro para os investigadores que se trata de um muçulmano. Uma das testemunhas relatou que o escutou dizer “Allah Akbar” (“Alá é maior”) ao executar o ataque. 

Em resposta ao ataque da Basílica, o presidente Emmanuel Macron declarou, em um discurso cheio de demagogia: ”Se nós somos atacados, é devido a nossos valores, nosso apreço pela liberdade e pela possibilidade de ter liberdade de crença em nosso território (…). Hoje, digo novamente com muita clareza: nós não vamos ceder”. Logo depois, realocou diversos soldados para as igrejas e saídas de escola no País.

Reação à repressão e perseguição

Para além de toda a demagogia, é preciso deixar claro que os ataques realizados pelos muçulmanos na França são de minúscula envergadura se comparados com o que é feito pelo imperialismo francês nos países árabes ao redor do mundo. A destruição promovida, com ajuda dos governos franceses, em países como Síria, Líbia, Argélia e tantos outros, que foram devastados pela colonização francesa ao longo da história. Os mísseis e bombas franceses devastam cidades inteiras nessas nações e nada é dito pela imprensa capitalista, apoiadora desses massacres. 

Além disso, é preciso denunciar o clima de intensa repressão promovido pelo governo Macron contra a população islâmica que reside na França. O presidente Erdogan, da Turquia, denunciou que Macron estava conduzindo “uma campanha de linchamento parecida com a que foi feita contra os judeus antes da Segunda Guerra Mundial está sendo organizada contra os muçulmanos”. A perseguição policial aos muçulmanos nos bairros mais pobres das grandes cidades francesas é uma constante. Sob o pretexto de antissemitismo, um manifesto de conservadores franceses chegou a propor que se excluísse parte do Corão, livro sagrado do islamismo.

A perseguição ao islamismo na França e em outros países imperialistas, sob o pretexto da defesa da mulher, da liberdade de expressão ou de outros valores democráticos colocados de forma puramente demagógica, já é histórica. No entanto, nos países atrasados que são invadidos pelo imperialismo, não se fala em defesa de nenhuma democracia. Haja visto a situação em que se encontra o Iraque hoje, de total ruína. 

Apesar de os métodos levados adiante por esses radicais islâmicos não serem os mais eficientes na luta contra o imperialismo, não é possível condenar a reação de um povo que se vê massacrado dia após dia. Os três assassinados por um ataque realizado com uma faca não chegam aos pés dos milhares bombardeados pelos exércitos franceses em países árabes, isso sem falar na repressão sistemática contra os muçulmanos dentro da França.

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