Renda cai em uma década
Trabalhadores perdem empregos e renda cai a níveis menores que 10 anos atrás, fome e desemprego vão marcar próximos anos
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Na ultima sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro fez uma declaracao afirmando que
Miséria e fome crescem no Brasil e tendem a atingir milhões de trabalhadores | Foto: Reprodução

Enquanto os ricos brasileiros aumentaram suas fortunas em 34 bilhões de dólares entre março e julho, segundo a ONG Oxfam, os trabalhadores vão amargar uma queda no padrão de vida que os fará perder tudo o que ganharam em uma década. É o que aponta levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo – CNC (O Estado de S.Paulo, 3/7/2020). Os ricos ficaram mais ricos e os pobres muito mais pobres.

O auxílio emergencial de R$ 600,00 deu um pouco de fôlego para a parcela dos trabalhadores que recebeu. Os mais de 10 milhões que tinham direito a receber mas não foram atendidos (Jornal Nacional, 9/6/2020) nem esse pequeno fôlego a mais tiveram. Para milhões de trabalhadores a renda está despencando. Para grande parte da população a perda de renda vai ser muito maior que a queda de 8,2% calculada pela CNC. O desemprego e a fome já estão dentro da casa de milhões de trabalhadores e está batendo na porta de outros tantos.

Os trabalhadores de classe média desta vez também vão pagar o preço do golpe de 2016. “O País entrou em uma montanha-russa: depois de uma forte ascensão econômica, o que foi conquistado se perdeu. É como pagar a prestação de um carro que foi roubado e que não tinha seguro – você perde o patrimônio e fica com a dívida”, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, que fez uma pesquisa a pedido do jornal O Estado de S.Paulo e descobriu que para 54% dos brasileiros seu padrão de vida piorou. Os planos de saúde perderam 283 mil clientes e a inadimplência nas escolas particulares estava em 32,1% em maio. Os pais, de classe média, estão colocando os filhos em escolas mais baratas ou transferindo para escolas públicas (idem, O Estado de S.Paulo, 3/7/2020).

Entre 2013 e 2020 o PIB per capita deve recuar 11,3%, segundo cálculos da consultoria LCA. Segundo o economista Cosmo Donato, dessa mesma consultoria, “É preciso levar em conta também o que o país deixou de crescer, sobretudo na comparação com os emergentes. O buraco é mais embaixo” (G1, 2/8/2020). Isso significa que a queda na renda que os trabalhadores estão sentindo por causa da pandemia, além de vir de muito mais longe, não vai passar quando o isolamento social acabar. Os empregos não voltarão e os salários continuarão mais baixos.

A crise se agudizou nos dois anos do segundo governo Dilma Rousseff tanto em decorrência da crise capitalista mundial que já se iniciava, quanto por conta da crise política provocada pela burguesia que declarou guerra ao governo do PT e pela política de austeridade monetária adotada. Com o golpe e o governo do golpista Michel Temer a recuperação anunciada não veio e foi dado início à política de entrega do patrimônio nacionais e das empresas estatais. Os empregos na área de petróleo, assim como na indústria naval e aeroespacial foram drasticamente reduzidos e a renda dos trabalhadores começou a cair, impulsionada pela reforma previdenciária, pela reforma trabalhista e por outros ataques aos direitos dos trabalhadores, entre eles o enfraquecimento dos sindicatos.

Não há agenda de curto prazo para recuperação de empregos e renda. A política neoliberal adotada pelo governo ilegítimo de extrema-direita é uma política de rapinagem. Querem entregar empresas e mercados para o imperialismo, gerar fortunas rápidas para golpistas, igual ao ataque que vimos no mês passado do banco BTG Pactual ao Banco do Brasil (SPbancarios, 6/7/2020). O BB continua na mira da privatização, e a pilhagem do Banco continuará com o novo presidente que vem dos quadros do HSBC.

Quando se fala que os trabalhadores vão perder uma década na renda, isso não significa somente uma média aritmética, mas são milhões que entrarão na linha da miséria, milhões que vão passar fome e milhões que vão pressionar para baixo os salários dos que estiverem empregados. Esse é o resultado tanto da crise do capitalismo quanto será também da retomada capitalista após a crise.

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