Ataque na Bahia evidencia que não é so Lula e o PT, é toda a esquerda e todas as organizações dos trabalhadores

Em nova ação, “Cartão Vermelho”, amplamente divulgada pela imprensa golpista, a Polícia Federal invadiu a residência e o gabinete na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do governo do Estado da Bahia, do secretário e e ex-governador Jaques WagnerAtaque na Bahia, evidencia que não é so Lula e o PT, é toda esquerda e todas as organizações dos trabalhadores.

A organização que, há anos, atua como um dos centros do golpe, em nome do suposto “combate à corrupção” – que serviu para atacar, derrubar, prender e perseguir políticos da esquerda burguesa e pequeno burguesa e seus aliados, enquanto elementos apoiados pelas maiores organizações criminosas e corruptas do País, como os bancos e grandes monopólios “nacionais” e estrangeiros – desta feita, resolveu atacar o dirigente petista que é a principal liderança no Estado, governado pelo partido há 12 anos.

Ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Petroquímica (Sindiquímica-BA), fundador do PT e da CUT, Jaques Wagner foi eleito governador do estado, em outubro de 2006, no que foi a mais contundente derrota da direita baiana, do  “carlismo”, em décadas. Se reelegeu em 2010 e elegeu seu sucessor, em 2014. É apontado por setores da imprensa burguesa e do próprio PT como possível candidato presidencial substituto  do PT, no caso de afastamento definitivo de Lula, pelo judiciário golpista.

A PF usou como pretexto para a invasão e pedido de indiciamento do petista um suposto recebimento de propinas – doações eleitorais – nas obras do Estádio da Fonte Nova, com base – mais uma vez – em delações. Também foi enquadrado o secretário da Casa Civil do Estado, Bruno Daulster, além de um empresário no inquérito.

A ofensiva deixa claro que os ataques dos golpistas contra os opositores do golpe de estado que derrubou a presidenta Dilma Rousseff, por meio de uma impeachment fraudulento, que tem como alvo principal – neste momento – o ex-presidente Lula, não vai parar parar em Lula e nem mesmo no PT. A direita, que não tem votos e apoio suficiente para ganhar eleições nacionais e vê bem próximas derrotas em vários Estados, atua claramente – como se vê também no caso da intervenção militar do Rio de Janeiro – para impedir qualquer eleições nas quais a vontade popular e a revolta crescente contra o golpe e seus ataques contra a imensa maioria do povo e a economia nacional possam se manifestar.

Sem uma gigantesca mobilização operária e popular, nas ruas, contra o golpe, contra a prisão de Lula, contra as “reformas”  dos golpistas, não há a menor possibilidade de que haja um “acordo” no qual a direita aceite passivamente a derrota que, com certeza, colheria em eleições que não fossem totalmente controladas pelo judiciário, PF, monopólios das comunicações, máquinas eleitorais da burguesia golpistas.

Por isso mesmo, a direita está colocando – por meio de “aproximações sucessivas”, como anunciaram os chefes militares golpistas –  as tropas na rua para impor, diante do “caos” [entenda-se, a reação popular ao golpe, ao governo Temer, às reformas, à prisão de Lula etc.] , uma nova etapa do golpe: o golpe militar.

Para deter esta ofensiva e derrotar o golpe, é preciso multiplicar os comitês de luta em todo o País e todas as iniciativas de mobilização para reagir, imediatamente, às iniciativas da direita golpista, como a intervenção militar no Rio de Janeiro e uma provávelVamos colar 500 mil cartazes contra a prisão de Lula! Contribua! prisão de Lula.

Nesta mobilização, é preciso condenar e esclarecer o caráter persecutório dos processos contra inúmeros dirigentes petistas, como José Dirceu, Jaques Wagner e tantos outros. E deixar claro que os golpistas – se não forem derrotados – não vão parar por aí. É todo o PT, toda a esquerda e todas as organizações da esquerda e da luta dos explorados que estão na mira dos golpistas que, a serviço dos interesses o grande capital, querem jogar o País nas trevas de uma ditadura muito mais profunda do que aquela que já vivemos.