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Ao contrário do que diz a propaganda da imprensa golpista, Bolsonaro não foi legitimado pelo voto popular. Ele foi imposto de maneira fraudulenta para esmagar e destruir os direitos democráticos do povo e as organizações populares. Ele foi implantado na presidência da República para entregar de vez os recursos nacionais ao imperialismo.

Bolsonaro não tem apoio popular real. Pelo contrário, o povo odeia Bolsonaro. O povo queria Lula presidente e, se não tivesse sido preso e impedido de concorrer, de maneira ilegal e com a conivência do PT (graças às pressões de sua ala direita e da burguesia), Lula poderia ter vencido as eleições no 1º turno, mesmo com toda a manipulação da direita.

Não se pode cair no conto de que Bolsonaro foi eleito pelo povo. Ele foi eleito pela burguesia, que controla as eleições. Ele foi “eleito” em meio a um golpe de Estado, em um processo completamente antidemocrático, para dar continuidade e aprofundar a ditadura golpista.

Essas eleições foram as mais fraudulentas de toda a história da República. E a extrema-direita chegou à presidência e tomou conta do regime para exterminar a esquerda. Se não se mobilizar, a esquerda será destroçada.

Acabaram as eleições. Acabou também o efeito da droga eleitoral? Ou a esquerda vai continuar acreditando que poderá vencer eleições controladas a ferro e fogo pela direita? É hora de deixar para trás a passividade que dominou a esquerda durante o pleito farsesco e apostar todas as fichas no único método capaz de derrotar a direita e os golpistas: a organização das massas populares.

Sem alianças com a burguesia. Sem alianças com a direita. Não se pode deixar a ala direita tomar o controle das organizações de esquerda como o PT. A única aliança que interessa para as massas oprimidas é entre os operários e os camponeses, entre os setores realmente progressistas da sociedade, de maneira independente da burguesia. Nada de “frente democrática” com partidos golpistas como o PSB e o PDT. Isso só servirá para frear o movimento de luta contra o golpe e a direita.

Para combater de maneira contundente e na prática, desde já, o governo Bolsonaro e o golpe de Estado, a poderosa classe trabalhadora e as massas populares devem se unir e estabelecer um programa de luta efetiva.

O PCO e os Comitês de Luta Contra o Golpe já estão iniciando essa articulação. Nos dias 8 e 9 de dezembro será realizada a 2ª Conferência Nacional Aberta de Luta Contra o Golpe e o Fascismo, em São Paulo. Além disso, o PCO está convocando a imediata realização de um Congresso do Povo para definir de uma maneira ainda mais concreta essa nova etapa de lutas que se abre.

A organização independente e a mobilização de massas deve ser prioridade para a esquerda. Diante disso, também é vital a ampliação dos Comitês de Luta Contra o Golpe e de Autodefesa.

Com a palavra de ordem “Fora Bolsonaro e todos os golpistas, liberdade para Lula e todos os presos políticos”, o movimento popular entra na nova batalha, com os ensinamentos da derrota anterior. A desmobilização da tendência a um enfrentamento crescente contra a direita e os golpistas contra a prisão e, depois, pela liberdade de Lula, foi quase fatal. A luta pela liberdade daquele que o povo queria como presidente é fundamental para o movimento popular. Lula ainda é o centro da luta, por representar um embate direto contra o golpe.

Em síntese, Bolsonaro é parte do golpe e chegou à presidência por meio de uma fraude. A vontade popular foi suprimida para dar continuidade e aprofundamento ao esfolamento do povo. A “oposição” não será feita pela via institucional, uma vez que todas as instituições estão sob o comando da direita e, agora, da extrema-direita. Só a imediata organização e mobilização popular poderá derrotá-los.

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