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Tabata “não manteve sua consciência de classe”, Erundina também não
PSOL oficializa candidatura de Luiza Erundina em São Paulo
Tabata “não manteve sua consciência de classe”, Erundina também não
PSOL oficializa candidatura de Luiza Erundina em São Paulo

Em entrevista de Luiza Erundina ao O Estado de S. Paulo, a deputada do PSOL foi comparada pelo jornal burguês com Tabata Amaral devido a ambas terem contrariado decisões fundamentais de seus partidos em questões graves, a ponto de levar as duas deputadas a um processo de ruptura com as respectivas associações partidárias.

O jornal recordou a Erundina sua decisão de integrar o governo Itamar, contrariando frontalmente a decisão do PT à época, que havia considerado corretamente manter-se afastado daquele governo diante da sua evidente orientação direitista e favorável à burguesia, uma verdadeira continuidade da política do governo Collor, ainda que mitigada diante da forte oposição popular que acabava de obter a vitória do Fora Collor.

Para Erundina, a diferença entre ela e Tabata estaria no fato de que a pedetista teria esquecido sua “consciência de origem de classe” ao votar em favor da reforma da Previdência, enquanto que a decisão de integrar o governo Itamar não contrariaria esta mesma consciência, pois a psolista estaria apenas optando em “usar a própria experiência para ajudar a sociedade brasileira”.

A experiência da sociedade brasileira, entretanto, contraria Erundina.

Não é possível recordar algum projeto ou ação levados avante pelo governo Itamar que tivesse beneficiado, de fato, o povo brasileiro, ainda que Erundina houvesse ocupado o importante cargo de ministra-chefe da Secretaria de Administração Federal.

Ao contrário, o governo de Itamar Franco foi fundamental para preparar um dos períodos mais terríveis para a população, que foi o dos governos criminosos e assassinos de Fernando Henrique Cardoso.

Itamar foi o grande garoto-propaganda de Fernando Henrique, ao colocá-lo no Ministério da Fazenda, e lançá-lo como pai do “Plano Real”.

Naturalmente, tratava-se de simples demagogia para enganar o povo e afastar a possibilidade de Lula ganhar as eleições após a queda de Collor. A burguesia armava seus golpes também naquela época, naturalmente, e conseguiu contrariar, nas urnas, a imensa popularidade do então candidato Lula.

Graças à demagogia e às manipulações da burguesia, através do governo Itamar, Fernando Henrique subiu ao poder e deu origem ao que até mesmo a imprensa burguesa chama de “década perdida”, ao final da qual morriam em média 300 crianças por dia de fome, no Brasil. Um verdadeiro genocídio.

Como se vê, a opção de Erundina em contrariar o PT também contraria frontalmente a real consciência de classe, uma vez que acabou contribuindo, não para o bem do país, como ela afirma, mas para o governo que manipulou o povo brasileiro em favor do mais tenebroso período de miséria, fome e morte de milhares de trabalhadores brasileiros e suas famílias.

Fome e miséria que agora já estão retornando e serão intensificadas por reformas como esta da Previdência, em que Tabata afirma ter votado por “convicção”, ou seja, atendendo aos interesses e consciência da classe… burguesa: dos bancos, dos grandes capitais, do imperialismo.

O direitismo do governo Itamar era evidente. E o “Fora Collor” somente se completaria com eleições gerais, momento em que Lula se colocaria com favoritismo absoluto para ganhar o Palácio do Planalto com o povo mobilizado, em luta por avanços sociais e democráticos, uma situação muito mais favorável à classe operária até mesmo do que na posterior vitória do PT, em 2002.

A consciência de classe tem uma demarcação simples e clara: ou se colabora com a burguesia ou se luta contra ela. Qualquer vacilação nesta luta e a burguesia infalivelmente irá se beneficiar para oprimir e explorar ainda mais o povo.

Participar do governo Itamar e votar em favor da reforma da Previdência são ambos atos que contrariam frontalmente os interesses e a consciência da classe trabalhadora.