Pesquisa da Fundação Abrinq
Assassinato de negros dispara quase 500% em 20 anos
Uma política de genocídio da população pobre
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Pesquisa da Fundação Abrinq
Assassinato de negros dispara quase 500% em 20 anos
Uma política de genocídio da população pobre
Velório de Agatha Félix, de 8 anos, assassinada no Rio de Janeiro. Foto: Silvia Izquierdo
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Velório de Agatha Félix, de 8 anos, assassinada no Rio de Janeiro. Foto: Silvia Izquierdo

Uma pesquisa da Fundação Abrinq feita com base em dados do Ministério da Saúde mostra que o assassinato de jovens negros aumentou 429% em 20 anos, entre 1997 e 2017. Entre os brancos, o número de assassinados também cresceu, mas em proporção bem menor: 102%. A quantidade de assassinatos em geral aumentou em 57,3% durante esse período. O relatório conclui que o Brasil vive uma situação de “guerra civil”. De fato, há uma guerra em curso da parte do Estado brasileiro. Uma guerra contra a população pobre, que consiste em uma política de terror e extermínio.

Trata-se de uma política impulsionada pela direita, que desde as eleições de 2014 começou uma campanha golpista para tomar o governo mas desde sempre faz a campanha pelo aumento da “segurança pública”. A solução apresentada pela direita é sempre a mesma: endurecimento das penas, e a caça aos “bandidos”. Essa caçada, no entanto, não reduz em nada a criminalidade, que continuou aumentando. Serve apenas para ampliar o extermínio da população pobre, e especialmente dos negros, maiores vítimas da violência policial, que exerce uma opressão racista, letal e sistemática para conter a população diante da miséria e das desigualdades.

Agora que a extrema-direita está no governo, o programa político de quem está no comando é ampliar esse massacre contra os negros e contra os trabalhadores dos bairros periféricos em geral. Uma das vítimas mais recentes dessa política foi a menina Ágatha Félix, de apenas 8 anos, assassinada na sexta-feira (20) no Complexo do Alemão, no rio de Janeiro. Justamente o estado governo por Wilson Witzel, bolsonarista que levou a polícia a um recorde de letalidade no primeiro trimestre do ano, com 434 mortes causadas por policiais.

É essa política que a direita defende quando declara que “bandido bom é bandido morto”. Sob o pretexto de combate à criminalidade, na verdade a direita defende um genocídio. A criminalidade é um problema social, que a direita não tem o menor interesse em resolver e só usa para fazer demagogia e esmagar a população. O resultado dessa política se reflete em estatísticas como essas levantadas pela Fundação Abrinq, com um aumento de quase 500% no assassinato de jovens negros.

A esquerda deve rejeitar totalmente esse debate da “segurança pública”, que não passa de um pretexto para um massacre. Para reduzir os crimes é preciso reduzir a miséria, isso é tudo que se pode fazer. Quanto ao massacre de setores da população promovido pela direita, a tendência agora é piorar muito. É necessário derrubar esses governos de direita como os de Bolsonaro e Witzel. Essa luta é uma questão de sobrevivência. é preciso fazer uma grande campanha levantando as palavras de ordem: Fora Witzel! Fora Bolsonaro!