Liberdade de Assange Já
A liberdade e proteção de Julian Assange é essencial para a luta mundial em defesa da liberdade de expressão, dos direitos humanos e contra o terrorismo praticado pelo imperialismo
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Assange
Defesa de Assange, perseguido há mais de uma década, é tarefa imediata da esquerda internacional. | Foto: WikiMedia Commons

Ainda não acabou a perseguição contra Julian Assange, mas nesta segunda-feira (4/1/21) veio uma boa notícia. A Corte Penal de Old Bailey, em Londres, não autorizou a deportação do ativista australiano fundador do site WikiLeaks preso em Londres desde 2019.

Ele viveu refugiado na Embaixada do Equador de 2012 até 2019 quando o presidente do Equador, Lenín Moreno, cedeu às pressões e subornos dos EUA e retirou o asilo diplomático dele, o que possibilitou sua prisão pela Polícia Metropolitana de Londres. Desde 2010 os Estados Unidos da América do Norte (EUA) tentam prender Assange por ele ter divulgado documentos sigilosos que demonstravam uma série de crimes do governo dos EUA que haviam sido vazados por uma ex-militar, Chelsea Manning, que resultaram em um escândalo internacional que levou o nome de Cablegate. Assange já tinha uma longa história de invasão de sistemas computacionais para a obtenção de documentos e informações sobre atos ilegais de governos. Antes mesmo de completar 18 anos ele já havia criado um grupo denominado Subversivos Internacionais, que demonstrou a capacidade técnica do grupo.

No caso das informações sigilosas militares norte americanas, sua divulgação ganhou repercussão internacional quando o site criado por Assange em 2006 publicou os documentos que mostravam a farsa da invasão militar dos EUA no Iraque e no Afeganistão e os abusos cometidos por militares norte-americanos. Em 2009, o site de Assange ganhou um prêmio da Anistia Internacional por ter publicado documentos secretos sobre execuções extrajudiciais no Quênia. Sua credibilidade foi reforçada com a publicação de documentos sobre resíduos tóxicos na África e sobre o tratamento dado aos prisioneiros da Prisão de Guantánamo. Por isso, ao publicar telegramas secretos dos EUA em agosto de 2010 ele recebeu o apoio de cinco grandes jornais internacionais: El País, Le Monde, Der Spiegel, The Guardian e The New York Times. Com o apoio desses jornais a repercussão foi mundial e com potencial arrasador sobre a diplomacia e a política militar norte-americana.

Em 2010, ele ganhou o Sam Adams Award, prêmio concedido àqueles que aliam ética e inteligência a agências inteligentes. Várias comunidades da Internet promoveram a indicação de Julian Assange para o Prêmio Nobel da Paz 2011, pela fundação do WikiLeaks. Em 2014, foi homenageado com a Medalha Chico Mendes de Resistência entregue pelo grupo de direitos humanos brasileiro Tortura Nunca Mais.

A repercussão internacional manchou a imagem dos EUA, mas ficou nisso. Para tentar evitar que os escândalos repercutissem até o ponto de gerar problemas diplomáticos, os EUA prenderam a ex-militar Chelsea Manning e a submeteram a condições equiparadas à tortura, segundo a Anistia Internacional, e se utilizaram da Suécia para fabricar um escândalo moral envolvendo um falso crime de estupro contra Assange, que, por coincidência envolvia uma militante anti-Cuba financiada pela CIA.

Em 2010, a Suécia emitiu um mandado internacional de prisão contra Assange, que foi o instrumento utilizado para começar o cerco a ele. Acabou sendo preso no Reino Unido e solto por fiança e fugiu até conseguir asilo político na Embaixada do Equador. Mesmo tendo a Suécia extinto seu processo criminal, sem reconhecer a fraude que promoveram, ele continuou sendo perseguido e os EUA insistindo em sua extradição alegando conspiração para atingir a segurança norte-americana com base na lei de espionagem de 1917 e na lei de fraude e abuso de computadores de 1986. Qualquer país que agisse assim seria imediatamente reconhecido como ditadura pela imprensa burguesa internacional. Mas isso sequer foi aventado sobre o país que mantém o centro de tortura de Guantánamo, onde aprisiona ilegalmente aqueles que o governo norte-americano chama de terroristas. O silêncio internacional sobre os métodos dos EUA tem reforçado as medidas de censura e atentados contra os direitos humanos promovidas pelos EUA, Reino Unido, França e Alemanha.

Mesmo sendo perseguido pela Suécia e EUA, Assange liderou a publicação de outros lotes de informações. Em 28 de novembro, o WikiLeaks voltou à carga, divulgando mais de 250 mil documentos diplomáticos confidenciais do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Os documentos revelam, por exemplo, como o governo dos EUA, mais precisamente Hillary Clinton, deu instruções a seus diplomatas para que atuassem como espiões e recolhessem informações sobre líderes políticos e nas Nações Unidas, inclusive dados biométricos e cartão de crédito do secretário geral da ONU, Ban Ki-moon.

O então vice-presidente dos EUA (agora presidente eleito), Joe Biden, sem esconder seu lado bélico e autoritário, em 19 de dezembro, declarou à rede de televisão NBC que o Departamento de Justiça explora vias legais para deter Julian Assange. Paralelamente à via judicial, há iniciativas que visam estrangular tecnicamente e financeiramente o WikiLeaks. O Bank of America, seguindo os passos da MasterCard, Visa, PayPal e Amazon , anunciou que deixará de processar transações relacionadas com o WikiLeaks.

A esquerda internacional promoveu uma série de atos em favor da liberdade de Assange nesta década de sua perseguição. Já em 2010, o ex-presidente Lula foi o primeiro líder internacional que prestou solidariedade a Assange e criticou a imprensa por não defender a liberdade de expressão. “O rapaz do WikiLeaks foi preso e eu não estou vendo nenhum protesto contra a ameaça à liberdade de expressão“, disse. Vários artistas e intelectuais do mundo todo fizeram o mesmo. A pressão internacional em favor de Assange não impediu que ele fosse espionado mesmo dentro da Embaixada do Equador e que fosse continuadamente ameaçado de morte, situação que acabou se configurando como um processo de tortura psicológica prolongada que abalou sua saúde. Mas a pressão internacional provavelmente evitou que fosse assassinado, já que sua morte seria imediatamente ligada aos notórios atos de terrorismo dos EUA fora de seu país.

Os milhares de documentos divulgados pelo WikiLeaks e também o vasto conjunto de documentos divulgados por Edward Snowden, ex-analista da Agência de Segurança dos EUA (NSA) atualmente asilado na Rússia, sobre a prática de espionagem e invasão ilegal de computadores e sistemas de comunicação de diversos governos e empresas, mostraram como os EUA e seus aliados agem à margem da lei no mundo todo, sem limites e sem prestar qualquer satisfação.

A defesa de Julian Assange é um dever de toda a esquerda internacional, de todos os movimentos sociais e sindicais em favor da liberdade de expressão, dos direitos humanos e contra as ações terroristas do imperialismo. A decisão da juíza distrital Vanessa Baraitser contra o pedido de extradição de Assange é uma grande vitória da liberdade, mas é fundamental que a mobilização em favor de sua liberdade seja mantida e aumentada, pois não devemos nos enganar com os EUA e seus aliados. É essencial que nesses próximos dias uma onda de mobilizações e apoios se organizem mostrando a real face terrorista do imperialismo, a prática genocida de seus exércitos, de suas instituições de segurança e de sua rede diplomática. É importante desnudar a farsa da democracia burguesa e imperialista.

 

 

 

 

 

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