Wikileaks
Nem a pandemia faz a justiça britânica adiar o julgamento do processo de extradição de Julian Assange para os EUA
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Julian Assange. Foto: The Naked Ape |

Julian Assange, jornalista e ativista australiano fundador do Wikileaks (organização que divulga informações sigilosas de interesse público de governos e empresas por meio de sua página na internet), sofreu mais um revés na campanha de perseguição que está sofrendo do imperialismo norte-americano.

Hoje foi realizada uma audiência preparatória (via conexão audiovisual remota) e a defesa de Assange solicitou que o processo seja suspenso por motivos decorrentes direta e indiretamente da pandemia de coronavírus. Esse pedido foi negado pela magistrada da corte de Westminster, Vanessa Baraitser. A segunda sessão de audiência está marcada para 18 de maio no tribunal de Woolwich, adjacente à prisão onde Assange está preso.

Apesar de manter a data da segunda audiência, a juíza abriu a possibilidade de adicionar alguns dias a julho no calendário original, e concordou em reconsiderar a situação em uma audiência processual subsequente, prevista para 22 de abril.

Poderíamos pensar que todas essas decisões da justiça britânica tratam-se apenas de detalhes técnicos – o tipo de desculpa que está sendo cada vez mais usada nos últimos tempos para justificar desde prisões sem provas até golpes de Estado.

Mas se fizermos um retrospecto da situação de Julian Assange, as coisas ficam mais claras.

A notoriedade de Assange aumentou em 2010, quando o Wikileaks publicou na internet o vídeo “Assassinato Colateral”, que mostrava, do ponto de vista de um helicóptero Apache das forças de ocupação norte-americanas no Iraque, o assassinato de dois jornalistas da Reuters e outras nove pessoas em 2007, desmentindo a versão que havia sido dada pelas forças armadas norte-americanas, de que teria havido um confronto entre insurgentes e as forças de ocupação.

Paralelamente a isso e até 2011, o mesmo Wikileaks disponibilizou na internet documentos diplomáticos dos EUA que geraram um grande desconforto entre esse país e seus aliados.

Um pouco depois da publicação de “Assassinato Colateral”, mais precisamente em Agosto de 2010, a promotoria sueca abriu uma investigação contra Julian Assange, acusando-o de assédio sexual. Essa investigação seguiu um curso atípico, chegando inclusive a haver um pedido de extradição contra Assange, que nessa ocasião estava no Reino Unido. A Suécia queria Assange em solo sueco apenas para ser interrogado, o que poderia ter sido feito no Reino Unido, o que foi oferecido pela defesa de Assange.

Dessa forma, já em 2011, e em velocidade incomum, a extradição de Assange foi aprovada. Temendo que, ao pisar na Suécia, os EUA solicitassem sua extradição por espionagem (o que poderia levar inclusive, em tese, à pena de morte), Assange se refugiou na embaixada do Equador em Londres.

Solicitou asilo e o então presidente Rafael Correa concedeu.

Apesar disso, e indo contra o que é usual na diplomacia, o governo britânico recusou a saída de Assange da embaixada até o avião que poderia levá-lo ao Equador. Por conta disso, Assange viveu na embaixada do Equador até 2019.

Podemos perceber nisso tudo a rapidez extremamente suspeita com que a extradição de Assange foi decidida, além da estranha prioridade da Suécia no caso. Estranha inclusive porque os suecos aceitaram interrogá-lo na embaixada e depois cancelaram as investigações e o processo.

Em abril de 2019, o novo presidente do Equador, o traidor Lenín Moreno, revogou o asilo de Assange e permitiu sua prisão.

Em junho do mesmo ano, os EUA pediram sua extradição por crime de espionagem.

O processo de Assange contrasta com o pedido de extradição de Augusto Pinochet feito pela justiça espanhola  em 1998 ao Reino Unido. O assassino fascista chileno, amigo de Margaret Thatcher e admirado por Bolsonaro, pôde voltar ao Chile e morrer impunemente, depois de um ano e meio em prisão domiciliar, e com todas as mordomias que um serviçal do imperialismo costuma ter.

Vemos, então, que a tal alegação da justiça sueca não era o problema principal, e se confirmou na atual situação de Julian Assange, correndo o risco de ser extraditado para os EUA e encarar uma pena que pode chegar até 150 anos.

Isso se não acontecer o pior antes, pois, apesar das libertações antecipadas de presos que estão ocorrendo no Reino Unido por causa da pandemia da Covid-19, e do fato dos tribunais estarem praticamente sem funcionar, o processo de tortura psicológica e perseguição contra Assange não pode parar, mesmo que isso signifique a possibilidade de sua morte, já que seu estado de saúde tem se deteriorado desde o tempo de confinamento na embaixada, e agora temos a Covid-19.

Talvez o governo imperialista dos EUA não precise nem mesmo apertar o gatilho.

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