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Juro Baixo = Bolha Financeira?
As sombrias previsões da burguesia para o futuro do capitalismo
Dinheiro abundante não conseguiu fazer a economia mundial deslanchar.Também não empurrou a inflação ladeira acima. Em colapso o que diz os Textos Básicos de Economia Capitalista
Go Pro abre capital na bolsa de valores dos Estados Unidos.
Juro Baixo = Bolha Financeira?
As sombrias previsões da burguesia para o futuro do capitalismo
Dinheiro abundante não conseguiu fazer a economia mundial deslanchar.Também não empurrou a inflação ladeira acima. Em colapso o que diz os Textos Básicos de Economia Capitalista
A situação nas economias mais ricas é preocupante
Go Pro abre capital na bolsa de valores dos Estados Unidos.
A situação nas economias mais ricas é preocupante

Bolhas financeiras costumam começar com juros baixos. Será assim por aqui?, assim o colunista econômico, José Paulo Kupfer, abre seu ensaio, nesta terça, 24/09/2019, no UOL.

Bolha financeira. Estouro da bolha. Correção dos desequilíbrios. Recuperação da atividade. Formação da próxima bolha. Estouro da bolha.

Essa a repetida história da economia capitalista e suas reiteradas, anunciadas, sempre presentes e inexoráveis crises.

Juros baixos costumam estar na origem desse processo cíclico.

Em todos os mais ricos países do mundo pratica-se juros muito baixos na economia. Luz vermelha. Alarmam-se os investidores do planeta todo. Temores voltam a assombrar, Formação de bolhas á vista. o ritual das crises capitalistas se repetem.

Novidade é que o Brasil desta vez, também entrou na roda das preocupações.

Nos últimos 40 anos, o Brasil contrariou as regras das cartilhas de aplicações financeiras. País proporcionava os mais altos juros. Baixo risco, Alto rendimento. Poderia dispor de seu dinheiro aplicado quando assim quisesse.

O Brasil, onde o padrão histórico é de taxas acima das praticadas no resto do mundo, os juros estão baixos. Ainda altos, mas próximos dos juros praticados lá fora. A taxa básica (Selic) está em 5,5% nominais ao ano, com tendência de 5%, no fim de 2019. Ainda sobrando espaço para reduzir até 4,5%, arriscam-se muitos analistas financeiros.

Economia global fraca. Atividade econômica no Brasil parada. Inflação abaixo da meta. Mesmo com o real desvalorizado ante o dólar, taxa da Selic reduzida até 4,5% em dezembro, arriscam projeções do mercado.

Taxa de juros real, está em torno de 1,5% ao ano, podendo recuar para cerca de 0,5%. Embora inédita baixa taxa de juros reais. Ainda assim, os 0,5% estarão acima dos juros negativos dos US$ 20 trilhões de aplicações financeiras fora do país realizados.

Nunca antes no Brasil isto aconteceu, juros tão baixos. Trata-se de marca inédita, numa economia viciada, desde os tempos de hiperinflação e mesmo depois do Plano Real, com juros pornograficamente altos.

No Brasil acontece o mesmo que no resto do mundo. Embora a menor taxa de juros no Brasil praticada, taxa Selic em 5%, aqui também a retomada da atividade econômica não acontece. Brasil não vive recuperação nenhuma. Brasil embora tímida recuperação na economia, está a anos/luz dos melhores tempos do PT, 2014, no governo Dilma. Apesar dos juros baixos, aqui também inflação não desaba ladeira acima. Aqui também a realidade está a colocar em cheque, as cartilhas econômicas, tidas como infalíveis.

No Brasil, nos últimos 40 anos, anomalias nas regras básicas de investimento contrariavam as cartilhas de aplicações financeiras. Ao mesmo tempo que proporcionava juros estratosféricos ainda asseguravam baixo risco, alto rendimento e elevada liquidez, podendo dispor do dinheiro aplicado no momento em que melhor lhe conviesse.

Os investidores serão obrigados a deixar a zona de conforto sempre por aqui existente.

Caso queiram mais segurança, terão de abrir mão de liquidez, não poderão dispor de seu dinheiro a qualquer hora. Ao optar por rentabilidade maior, terão de arriscar mais. Se arriscar, podem não alcançar o rendimento almejado, ou até dinheiro perder.

Origem das bolhas financeiras

Juros baixos, por injeção de dinheiro na economia, para animar a atividade econômica, empresas arriscam-se, sem a devida cautela. Endividam-se. Quebram. Dívidas das empresas quebradas não pagas, provocam iminente possibilidade de quebra dos bancos. Bancos brecam novos empréstimos. Mais empresas quebram por falta de empréstimos. Bancos ficam sem receber pelos empréstimos feitos, na iminência de quebrar. Podem também quebrar. Corre o governo em socorro dos bancos. Bancos não podem quebrar, reza o Deus mercado.

Passada a crise, bancos pagam suas dívidas aos bancos, de maneira muito suave, como prova o PROER, empréstimo feito aos bancos falidos brasileiros na era FHC, e até hoje ainda não totalmente pago. Bancos salvos, mas empresas não, assim quebraram as empresas de investimentos de tecnologia da bolsa Nasdaq, no início dos anos 2000 e na grande crise global, iniciada com a quebra das operações com hipotecas subprime, em 2008.

Os empréstimos feitos pelos governos dos EUA e mais Europa e Japão, ainda não foram amortizados. Excesso de dinheiro no mercado permanece. No entanto, inflação não disparou ladeira acima, como textos da teoria econômica sempre juraram que assim era.

Situação das economias mais ricas é preocupante

Com tanto dinheiro na economia, juros baixos, juros até negativos, ainda assim a atividade econômica é fraca.

Bolha no Brasil

Cenário propício para a formação de bolhas também no Brasil? Possibilidade não pode ser descartada, mas ainda longe de se transformar em realidade.

Embora o volume de empréstimos por dívidas privadas tenha aumentado em 30%, nos últimos 12 meses, por outro lado, o BNDES retirou-se da linha de frente dos empréstimos a empresas.

Juros baixos, mas não inundação de recursos no mercado. Financiamentos imobiliários permanecem moderados, desde a saída dos financiamentos estatais.

A construção residencial opera bem abaixo do pico alcançado antes do início da recessão, no segundo trimestre de 2014, durante o governo do PT.

Facilitação para o acesso ao crédito, previstos para 2020, em tese podem trazer pressão adicional para juros ainda mais baixos. Juros mais baixos; Corrida à tomada de empréstimos. Formação de bolha no Brasil. Em tese sim.

Improvável essa hipótese. O estoque de crédito na economia mal supera a marca de 45% do PIB, índice bastante baixo em relação a outras economias.

É uma indicação da existência de amplo espaço para avançar nas concessões de empréstimos sem riscos para o sistema.

Tudo isso sem falar nos juros pelos bancos cobrados, que continuam nas alturas.

A taxa Selic, como se sabe, é utilizada para bancos captarem dinheiro do Banco Central e para pagamento de dívidas governamentais. Na economia real, para empresas e pessoas, jamais é observado a taxa de juros bancários, com base na taxa Selic, em qualquer banco. Pelo contrário: taxa rotativa de juros de cartão de crédito atinge a estratosfera marca de até 400% ao ano, onde a taxa Selic em torno de 5%, para a economia real, é mera miragem.

Como se vê, a burguesia bate cabeça. Seus manuais de teoria econômica não mais funcionam. É a própria burguesia que reconhece situação de pânico: a bolha estourada da crise de 2008 nem sarada foi. Novas bolhas no horizonte se vislumbram no mundo.

Pressupostos do mundo, por aqui, também acontecem. Aqui também a economia nem da recessão consegue sair. No horizonte, até bolha para o Brasil do golpe, por aqui pode aportar.