A corrida eleitoral já começou, Freixo e Dino foram para o PSB. Lula foi ao Rio de Janeiro e lá tentou costurar uma aliança. Fez reunião com Paes, Freixo, Molon e Jandira, também se reuniu com lideranças de comunidades. Maia foi expulso do DEM e Bolsonaro está percorrendo o Brasil promovendo atos e “motociatas”. Há muita movimentação sendo feita, e a melhor estratégia está sendo a de Bolsonaro, infelizmente.
Enquanto os eleitoreiros Freixo e Dino mudam de partido por carreirismo, pressionados com a cláusula de barreira, Lula esboça a velha estratégia viciada de tentar um acordo com o centrão, que hoje afunda como o Titanic. Bolsonaro por outro lado está a todo vapor com sua base eleitoral. Cada “motociata”, cada ato e cada aceno que Bolsonaro faz à sua base é um prego a mais no caixão do velho centrão e um cano a mais apontado na cara da esquerda. A extrema-direita entendeu que política se faz nas ruas.
Lula é a única figura política maior que Bolsonaro, de uma maneira até desproporcional, porém a política da esquerda não aproveita esse enorme potencial. Se o ex-presidente estiver presente nas ruas hoje, dia 19 de junho, será um ganho enorme para o movimento de esquerda. Um começo poderoso para as eleições de 2022. As manifestações que começaram no dia 1º de maio e que se estenderão nos próximos meses são a chave para as eleições do ano que vem. Agora está sendo definido quem está mais forte politicamente, a esquerda, os trabalhadores e o povo, ou a extrema-direita, o imperialismo e a burguesia.
As manifestações estão mudando a correlação de forças, então devemos dedicar a elas todas as nossas energias. Obviamente, por si só elas não vão derrotar a direita, para isso é preciso sair fortalecido delas. A construção de um partido revolucionário, de uma vanguarda consciente deve ser o foco de todos aqueles que entendem que a mobilização não é um fim mas um meio. De todo modo, a tarefa do momento é fortalecê-las e mostrar aos golpistas que o povo está disposto a enfrentá-los nas ruas.
As eleições se aproximam e quanto mais tempo dermos para Bolsonaro e a burguesia se recomporem e organizarem uma investida forte contra os talhadores, mais certos estaremos de perder a oportunidade que surgiu diante de nós. O centrão que a esquerda tanto busca já deixou claro, claríssimo até, que Bolsonaro será seu candidato caso não encontrem uma 3ª via; seja um Doria ou algum outro fascista. Inclusive, não devemos descartar a possibilidade de que Bolsonaro seja apoiado no primeiro turno.
Lula deve se apoiar nas manifestações do momento e transformá-las nos alicerces de uma candidatura dos trabalhadores contra a burguesia. Será essa sua única defesa e sua melhor arma contra as intenções golpistas dos imperialistas.
O Brasil anda numa corda bamba, típica dos períodos de altíssima polarização, por um lado podemos sofrer um duro golpe militar, que já está sendo orquestrado por Bolsonaro, por outro, temos a oportunidade de derrubar o regime golpista e entrar em um verdadeira onda revolucionária em todo continente.