As mortes na Rocinha que a PM oculta e que a maioria da esquerda não quer ver

Com a matança realizada no sábado, como parte de mais uma operação de guerra do Batalhão Choque da Polícia Militar do Rio de Janeiro, na Comunidade da Rocinha, zona Sul da Capital fluminense, e com mais um assassinato, nesta segunda, dia 16, os mortos chegaram a, pelo menos, 10, em uma semana e ultrapassaram o total de 50 desde o início da ocupação militar, em 18 de setembro passado.

Segundo a própria versão da PM, até a semana passada, já haviam morrido na Rocinhs “48 criminosos, dois policiais e uma turista espanhola” e 11 moradores também teriam ficado feridos nos “confrontos”. Esses números, nem de longe, dão conta da realidade uma vez que é uma tradição dos  órgãos de repressão ocultar, sempre que possível, a verdade sobre os mortes, as condições em que ocorrem etc.

O caso da chacina do último sábado é exemplar dos métodos dos “valentões” da PM e, agora, dos interventores militares do Exército e Cia.  Moradores da Rocinha denunciaram o Choque iniciou a operação na Comunidade quando  o dia ainda clareava, antes das 6h da manhã, em meio à escuridão acentuada pela falta de luz, e se deu dois dias depois da morte de soldado morto na localidade em um tiroteio por eles promovido que também levou à morte de um senhor de 70 anos. Na ocasião, foram disparados milhares de tiros e um clima de terror se instalou na Comunidade que já está sem aulas em suas escolas há cerca de uma semana.

Uma moradora resumiu a situação como “muito tensa”, explicando que “todo mundo preso dentro de casa. Muito tiro, muito. Ninguém pode sair para canto nenhum. Nem sair para trabalhar dá. Tem patrão que entende, mas não é todo mundo. Tem muita polícia na rua, mas isso não garante nada”, relatou o direitista O Estado de S. Paulo, no dia da chacina.

Diante desta situação, a PM e o Comando do Exército, que comanda a intervenção militar no Rio de Janeiro, oculta corpos (no sábado, começou divulgando que eram 2 mortos, reconheceu – depois – que eram seis e, depois que moradores colocaram dois mortos em uma passarela na Av. Atlântica, anunciou-se que os mortos eram pelo menos oito) e procura apresentar toda esta situação como uma “cassada à bandidos” e de “defesa da segurança” quando centenas de milhares de pessoas estão sendo submetidas a uma situação de terror que evidencia que a intervenção militar no Rio de Janeiro, nada tem a ver com garantir a segurança da população.

A morte de, pelo menos, 10 pessoas em menos de uma semana na Rocinha, poucos dias depois da morte da vereadora Mariellen e do seu motorista reafirma o clima de terror que o regime golpista da intervenção militar impõe à Cidade Maravilhosa, como parte do “laboratório para todo o País” – como anunciou o general-interventor – do golpe militar que chefes militares vêm pregando. Se soma também à ação de bandos fascistas contra a caravana  d ex-presidente Lula, no Sul do País, para compor um quadro de ofensiva da direita.

Diante dessa situação, a maioria da esquerda  burguesa e pequeno burguesa, não vê nada à sua frente que não seja uma disputa eleitoral. Não relaciona os acontecimentos com o golpe. Não denuncia o covarde fuzilamento de trabalhadores pobres e negros da Rocinha e de outras comunidades operárias. Deixando claro que mesmo protestam contra o assassinato de Mariellen, o fazem por interesse eleitoral, uma vez que não mostram qualquer disposição de defender aqueles que eram e continuam sendo vítimas  das ações dos militares, que a própria vereadora denunciava.

É preciso deixar para trás esta política da direita que, inclusive, “analisou” a intervenção no Rio como uma  “farsa” ou uma “jogada eleitoral”,o que nada tem a ver com todas estas mortes.
É preciso denunciar a intervenção criminosa contra a população pobre e trabalhadora do Rio e sair chamar a sair às ruas para protestar contra a matança da Rocinha, contra a execução de Mariellen e contra a política da direita de atacar e prender Lula e impor uma ditadura ao País, sem nenhuma ilusão de que está ofensiva possa ser paralisada por meio de ações no judiciário golpista ou através de eleições, cada vez mais improváveis e que, se realizadas, se darão sob um regime de massacre da população e aberta violação dos direitos democráticos de todo o povo.