As mesmas balas que mataram Marielle: munição utilizada contra o acampamento em Curitiba é de uso exclusivo das forças de repressão

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As balas utilizadas contra o acampamento do MST em Curitiba na última madrugada de sábado, dia 28, são de uso exclusivo das forças de repressão do Estado: Exército e Polícia Militar. Os cartuchos encontrados no acampamento são de pistolas 9 milímetros, arma de uso exclusivo das Forças Armadas e da Polícia.

Os cartuchos revelam, portanto, que o atentado, o qual feriu dois companheiros do acampamento Marisa Letícia em Curitiba, teve participação direta dos agentes de repressão, policiais ou até mesmo militares. O caso é semelhante ao assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL-RJ. A vereadora que havia feito duras críticas à violência policial nas favelas cariocas e também denunciava a intervenção militar nas comunidades, foi assassinada com quatro tiros na cabeça em uma região central da capital carioca.

As balas que mataram Marielle também eram de uso exclusivo das forças de repressão, o mesmo calibre: 9 milímetros. A relação entre os dois casos não é mera coincidência, está claro que não se trata apenas de ataques feitos por grupos fascistas “loucos” ou “enraivecidos”, mas são ações organizadas e colocadas em prática pelos órgãos de repressão do estado, seja a polícia, ou os militares. As próprias instituições repressivas do estado estão por trás dos ataques, como ficou claro na declararão de um alto general do Exército, Paulo Chagas, que, por meio do twitter, apoiou abertamente o atentado.

Por isso é um erro grave a política da esquerda de pedir proteção para a Polícia. Estamos sob um golpe de Estado, todas as instituições estão sob o controle da direita, dos golpistas e dos fascistas. A Polícia e o Exército, que antes do golpe já eram extremamente letais, agora tem carta aberta para agir contra o povo e, principalmente contra a esquerda, contra todos aqueles setores que reagirem de alguma forma ao avanço do golpe.

A saída é a própria organização dos trabalhadores. Nesse sentido é preciso fortalecer os comitês de luta contra o golpe e, de maneira imediata, organizar os comitês de auto-defesa para proteger as organizações, as manifestações e a luta da esquerda e de toda a população do avanço do fascismo.