WJGILMAR1 - RIO DE JANEIRO - RJ - 04/05/2018 - GILMAR MENDES / ENTREVISTA / IMPRENSA ESTRANGEIRA - POLÍTICA OE - A Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira no Brasil recebeu, nesta sexta-feira, 04, no centro do Rio, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que falou para jornalistas internacionais. FOTO: WILTON JUNIOR/ESTADÃO
|

Nesta terça-feira (25) o STF manobrou mais uma vez para manter Lula preso arbitrariamente. Com o adiamento do julgamento da suspeição do ex-juiz Sérgio Moro no processo de Lula e a negação de um habeas corpus para o ex-presidente aguardar em liberdade essa decisão, o STF garantiu, teoricamente, que Lula continue preso até agosto. O julgamento do mérito da suspeição de Moro era arriscado para a burguesia. Mesmo para quem pretendia votar pela suspeição o adiamento foi conveniente.

Apesar de haver uma divisão no STF, e na burguesia em geral, a respeito da operação Lava Jato, quando a questão é relativa particularmente ao Lula há um acordo absoluto: o líder do PT deve continuar preso a qualquer custo. Gilmar Mendes armou um jogo de cena para se apresentar como democrático, o que será oportuno no momento de soltar outros políticos. Mas nem Gilmar Mendes, nem nenhum outro setor, quer ter que lidar com as implicações políticas da soltura de Lula.

A burguesia está falando abertamente por meio de sua imprensa que Lula não pode ser solto pelas consequências que isso causaria. Para citar um exemplo, em sua coluna no Estado de S. Paulo, Vera Magalhães apontou que a soltura de Lula “colocaria o País diante de um risco de conturbação social e política, daria mais pano para manga da polarização” (“STF dribla o puxadinho”, 26/06). Uma manifestação bastante honesta do que está acontecendo de verdade: Lula não pode ser solto por motivos políticos. Lula é um preso político sequestrado pela direita e não pode ser solto.

Por um lado, Lula incendiaria os atos contra o governo de Jair Bolsonaro, ainda que, pessoalmente, buscasse apresentar uma política mais branda diante desse governo. Por outro lado, soltar Lula seria uma derrota para a Lava Jato e a desmoralização definitiva de Sérgio Moro, um dos pilares do governo ilegítimo eleito pela fraude de 2018. A burguesia precisa evitar esses percalços, e por isso o regime golpista está todo organizado para manter o ex-presidente injustamente aprisionado.

Essa situação repõe o problema que estava colocado desde a condenação desde o primeiro dia da prisão de Lula: só a mobilização popular pode derrotar a direita golpista e tirar Lula de sua prisão política. Só os trabalhadores organizados podem impor a anulação de todos os processos fraudulentos contra e parar a perseguição contra as organizações populares pelo Estado dominado pela direita. Por isso é crucial nesse momento organizar grandes mobilizações para exigir a imediata liberdade de Lula. Dia 16, todos a Curitiba pela liberdade de Lula!

Relacionadas