Política de derrotas
As ilusões políticas da esquerda têm como resultado uma política de derrotas diante da direita golpista e da extrema-direita bolsonarista.
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Frente Ampla: a esquerda a reboque da direita. | Foto: Reprodução

“Eles estão prontos, os elementos moderados, a se agarrar a qualquer ilusão para se abster de fazer qualquer coisa”. Estas palavras, ditas por um dos líderes da ala revolucionária na luta pela independência da Itália, cai como uma luva para a situação política brasileira. A esquerda pequeno-burguesa brasileira se apega a qualquer coisa, a qualquer solução mágica e mística, para se abster de levar adiante a luta real contra a direita.

A esquerda está apegada a uma série de ilusões, que obstaculizam o desenvolvimento da luta contra a extrema-direita fascista que controla o aparelho de Estado.  Eis algumas ilusões políticas que levaram à derrota diante da burguesia e que precisam ser combatidas.

 

1. “Não é possível um golpe de Estado, porque o Brasil é uma democracia consolidada”

A crença na democracia burguesia é um dos fatores que leva a derrota da esquerda diante da direita, que controla o regime político. A crença na democracia em abstrato faz com que a esquerda se apegue a uma política eleitoral, de crença nas instituições. É como se a democracia não fosse dominada pela burguesia, como se não houvesse uma classe dominante, como se a ação do Estado não obedecesse a um interesse de classe. A democracia é tida como algo acima das classes sociais em luta.

 

2. “A Câmara e o Senado não vão votar o Impeachment

Ao invés de mobilizar o povo nas ruas, a esquerda pequeno-burguesa cultivou a crença no Congresso Nacional, mesmo que este esteja dominado historicamente pelos partidos da direita (MDB, PSDB, DEM, Republicanos, Progressistas, PL, PTB). Acreditava-se que uma articulação política na Câmara pudesse impedir que o golpe de Estado se consumasse. O Senado Federal, antidemocrático por excelência e controlado de maneira ainda mais férrea pelos partidos da direita, votou e aprovou impeachment de Dilma Rousseff (PT).

 

3. “Lula é uma personalidade internacional e não vai ser preso”.

Lula foi condenado, preso e já está na terceira condenação. Mesmo com as revelações de que treze agente do FBI participaram diretamente da Operação Lava-Jato, os processos contra Lula não são anulados e a direita nem cogita em fazê-lo. O ex-juiz Sérgio Moro, ex-ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro, admitiu em entrevista na televisão que a condenação de Lula foi política e que se tratava de uma “luta em um ringue”. Mensagens no Telegram reveladas pelo The Intercept demostram uma articulação encabeçada por Moro com procuradores para violar os direitos de Lula e condená-lo com provas forjadas, testemunhas indicadas e a partir de delações falsas.

 

4. “Vamos ganhar a eleição com Fernando Haddad”

Fernando Haddad, o plano B, perdeu no primeiro e no segundo turno. A esquerda optou por participar de uma eleição fraudulenta, onde 3,5 milhões de títulos eleitorais na região Nordeste foram cassados. A Polícia Federal invadia os comitês de campanha do PT para confiscar os materiais de campanha que tivessem a foto do ex-presidente Lula. Este último foi preso para não participar e teve sua candidatura cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O TSE implementou uma legislação eleitoral antidemocrática que, na prática, proibia a atividade de campanha nas ruas e limitava sua duração em 45 dias.

 

5. “General Vilas Boas vai salvar o país”

Um elemento de extrema-direita, assumidamente bolsonarista, foi anunciado como “nacionalista” e salvador do país por alguns setores. Vilas Boas é um general golpista a serviço do imperialismo norte-americano. Apoiou a prisão de Lula e todos os ataques aos direitos democráticos da população.

 

6. “Rodrigo Maia vai salvar a situação”

Rodrigo Maia, um político do partido de extrema-direita Democratas (DEM), também foi colocado no panteão dos salvadores da nação por alguns setores da esquerda pequeno-burguesa. Maia é um dos pilares de sustentação do governo fascista de Jair Bolsonaro no Congresso Nacional, pautou e apoiou todas as medidas de ataques ao povo, como a Reforma da Previdência, as terceirizações gerais, o congelamento de investimentos públicos por vinte anos, a venda do patrimônio nacional.

 

7. “Ciro Gomes vai ganhar a eleição e é uma solução”

Ciro Gomes foi apresentado como uma possível alternativa para derrotar Bolsonaro por setores confusos da esquerda. Ao contrário, Ciro Gomes era um elemento do golpe de Estado e sua candidatura tinha como função dividir os votos do PT e permitir que a extrema-direita chegasse ao controle do Estado.  Ciro fazia o jogo daqueles que, conscientemente, queriam impedir a eleição do PT.

 

8. “Militares vão controlar o Bolsonaro”

Os militares das Forças Armadas, em seu conjunto, são  bolsonaristas. Apoiam Bolsonaro e ocupam cargos no governo, em todos os escalões. São mais de 6 mil militares da ativa e reserva em postos civis no governo. Nunca se tratou de controlar o Bolsonaro, mas sim de apoiar e sustentar seu governo, responsável direto pela morte de mais de 90 mil brasileiros por infecção pelo COVID-19

 

9. “O Supremo Tribunal Federal (STF) vai derrubar o Bolsonaro através de processos”.

O STF fez um ou outro ataque aos bolsonaristas. Mas, no fundamental, não foi feito nada que pudesse derrubar o governo Jair Bolsonaro. Todos os ataques aos direitos dos trabalhadores foram chancelados pelos ministros do STF, que tiveram destacada participação no golpe de Estado.

 

10. “O caminho é a eleição municipal”

A esquerda apresenta a eleição municipal como um cenário de luta contra o bolsonarismo. Em geral, estas são controladas pelos caciques políticos dos partidos de direita que dominam o regime político há décadas. Na esmagadora maioria dos municípios, a esquerda não tem a menor chance de ganhar. E, se conseguir, nada vai conseguir fazer de substancial.

 

11. “A Frente Ampla vai derrubar o Bolsonaro”

A unidade com o bloco dos partidos golpistas PSDB, DEM, MDB e com a Rede Globo foi vendida como a solução na luta contra Bolsonaro. Contudo, a Frente Ampla se negou a apoiar até mesmo o pedido de Impeachment apresentado no Congresso Nacional. Rodrigo Maia arquivou os mais de trinta pedidos protocolados.

 

12. “Boulos vai ganhar a eleição em São Paulo”

A esquerda afirma que a chapa Guilherme Boulos-Luíza Erundina (PSOL) vai ganhar a eleição na cidade de São Paulo e esta é a salvação. Não passa de uma fantasia política. Ao invés de apostar na mobilização popular, única via para derrotar os golpistas e Jair Bolsonaro, a esquerda cultiva a crença em um candidato apoiado pela imprensa capitalista e a Rede Globo. É uma política de derrotas, de contenção da mobilização popular e canalização para as vias institucionais do regime político burguês.

 

Em lugar de procurar se apegar a tais ilusões, é preciso mobilizar a população, única força capaz de efetivamente derrotar o golpe.

 

 

 

 

 

 

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