As camponesas devem organizar a autodefesa contra os ataques dos latifundiários e se juntar à luta contra o golpe.

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Em poucos meses do governo golpista de Jair Bolsonaro é possível perceber uma série de medidas impopulares, que representam um total ataque aos trabalhadores, em especial no campo. As mais afetadas são as mulheres camponesas. Seus poucos direitos estão sendo brutalmente retirados, tornando-se fundamental a organização dos comitês de luta contra o golpe e de autodefesa.

É fato que as políticas trabalhistas e tributárias para mulheres que vivem no campo sempre foram escassas. Antes da reforma da previdência, por exemplo, elas poderiam se aposentar após os 55 anos de idade. Segundo o especialista em direito previdenciário e professor da Universidade Mackenzie, Vinicius Fluminhan, ainda nesses antigos moldes, o número de trabalhadoras rurais que precisavam se aposentar por invalidez era cada vez maior. Com as novas regras para aposentadoria, a tendência é que estes acometimentos sejam ainda maiores. O novo sistema previdenciário prevê que elas possam se aposentar apenas após os 60 anos de idade, tendo, ainda, que contribuir pelo menos 20 anos ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).

No que tange ao aumento das dificuldades das trabalhadoras rurais em acessar a previdência, é importante também ressaltar os entraves econômicos que a reforma previdenciária irá gerar as comunidades. Segundo Isolete Wichinieski, uma das coordenadoras executivas da Comissão Pastoral da Terra, essa série de medidas impopulares “retira a oportunidade de aumentar a renda local. É um impacto nas gerações, pois se observa um movimento muito forte de saída da juventude do campo para garantir recursos à família”. Os camponeses que vivem da agricultura familiar terão ainda mais dificuldade para sobreviver e consequentemente para se aposentar, tendo em vista que, para tal, é necessário um pagamento mínimo de R$600 para que possam se aposentar futuramente.

Segundo a coordenadora nacional da Marcha das Margaridas (maior mobilização de massa das mulheres camponesas de Brasília), Maria José Morais, é fundamental que as trabalhadoras se organizem para barrar esses ataques brutais que as trabalhadoras vêm sofrendo. Segundo ela, outro problema está na facilidade ainda maior que os latifundiários encontram, com o governo fascista de Jair Bolsonaro, de se armarem, enquanto as moradoras das áreas rurais são impedidas de se defender.

Vale lembrar que, para Bolsonaro, os trabalhadores rurais e para membros dos movimentos sociais, como o MST, devem ser totalmente impedidos de possuir qualquer tipo de armamento para se defenderem dos brutais ataques dos latifundiários e seus jagunços. Os camponeses são vistos como terroristas e ainda precisam aceitar a opressão violenta que sofrem, vetados de expressar qualquer tipo de resistência.

Além da dupla jornada de trabalho, as camponesas sofrem diversos tipos de abusos. Em um relatório organizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em 2012, que analisa a violência sofrida pelas trabalhadoras rurais, foram entrevistadas as participantes da Marcha das Margaridas. Os dados mostraram que 58% delas afirmam ter sofrido algum tipo de ataque, seja físico, moral, psicológico e/ou sexual ao longo da vida.

A tendência, como é possível perceber, é que os ataques aos trabalhadores, em especial os do campo, estão crescendo exponencialmente. A única forma das mulheres lutarem contra os ataques brutais do governo fascista de Jair Bolsonaro é através da criação de comitês de luta contra o golpe e de autodefesa. Esta é a única maneira de conseguirem barrar a ofensiva dos golpistas que estão massacrando seus poucos direitos conquistados, bem como de garantirem sua própria sobrevivência.