Nordeste saiu às ruas pelo fora Bolsonaro

Frente com golpistas, não!

Super-impeachment com os golpistas, os novos aliados da esquerda

Depois do golpe que destruiu as condições de vida do povo e de apoiar Bolsonaro, a direita busca se reciclar junto às organizações de esquerda

O super-impeachment da esquerda com os golpistas. – reprodução

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Depois de quase três anos de atividade intensa de uma pequena parcela mais esclarecida da esquerda pelo Fora Bolsonaro, de superar a paralisia que acometeu grande parte das organizações populares e de realizar duas grandes mobilizações com mais de meio milhão de pessoas por todo o País e também no exterior, os partidos (PT, PSOL, PSTU, PCdoB, PCB e UP) e organizações de trabalhadores resolveram protocolar um pedido de impeachment contra o presidente ilegítimo no mínimo inusitado. Outros pedidos já haviam sido protocolados, pelo menos 120 foram engavetados pela presidência Câmara de Deputados, mas o chamado “super impeachment” protocolado no dia 30 de junho de 2021 tem uma peculiaridade bastante escatológica.  

Dentre as 46 assinaturas que constam no documento, três delas provocaram grande indignação em todas as pessoas que lutaram contra o golpe na Dilma Rousseff em 2016 e contra a prisão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. A presença dos nomes de deputados federais (o ator pornô, Alexandre Frota; a ex-jornalista do PIG, Joice Hasselmann; e o MBL, Kim Kataguiri), que estiveram e estão do outro lado da trincheira nessas lutas importantes, junto aos de representantes das organizações de luta dos trabalhadores constitui uma zombaria com a cara do povo brasileiro. Neste sentido é necessária uma retrospectiva sobre o papel que esses elementos da extrema-direita cumpriram diante desses acontecimentos. 

Deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) 

O deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) foi um dos líderes da organização fascista, Movimento Brasil Livre (MBL). O MBL foi financiado por organizações do imperialismo como Students for Liberty, organização que existiu na Venezuela em oposição ao governo chavista, no Brasil cumpriram o propósito análogo de derrubar o governo petista de Dilma Rousseff. 

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Kim Kataguiri, líder do MBL, movimento pela derrubada de Dilma Rousseff

O MBL, em entrevista ao El país no ano de 2014, deixou claro que não se tratava somente de tirar o Partido dos Trabalhadores (PT) do governo, defendeu as privatizações, se posicionou contra o Bolsa Família e disse que o Relatório Final da Comissão da Verdade “tem servido como instrumento para a esquerda se vitimizar”. Kataguiri admite, na rádio fascista Jovem Pan em 2015, que a campanha pelo Fora Dilma tinha como objetivo colocar Michel Temer (PMDB) no governo. Sobre o impeachment, no mesmo ano, disse ao G1 que era possível já que o PMDB controlava as duas casas do parlamento brasileiro e que era preciso “investir nessa base política”, afirmou ainda que “O [Eduardo] Cunha é nosso primeiro-ministro. 

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Movimento pelo golpe congregou os maiores criminosos da política nacional em torno do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PSDB, MBL, Bolsonaro, etc)

O autoproclamado liberal apartidário se filou ao Democratas, partido cuja bancada toda votou no fraudulento impeachment da presidenta Dilma, assim foi também na votação pelo teto dos gastos que congelou gastos com saúde, educação e investimentos públicos, não foi diferente com a destruição das leis trabalhistas e tampouco com o fim da previdência social cujas votações foram unanimes pelos representantes do partido no Congresso Nacional. Apesar de estranhamente não ter votado na MP que autoriza privatização da Eletrobrás, contrariando sua própria ideologia, seu partido votou quase que totalmente favorável, não se trata de contradição considerando que o deputado se diz contrário, mas integra o partido da ditadura militar. 

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Kim Kataguiri e emais integrantes do MBL em lançamento da candidatura de Jair Bolsonato a presidência.

Deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) 

A deputada Joice Hasselmann esteve em diversos canais de comunicação que integram o Partido da Imprensa Golpista (PIG) – CBN, BandNews, VEJA, Record, SBT, Jovempan – verdadeiras latrinas, ao lado de maiores canalhas do jornalismo nacional como Marco Villa, Augusto Nunes e Reinaldo Azevedo. A deputada do PSL, ex-partido de Jair Bolsonaro, inacreditavelmente foi considerada uma das musas do “Fora Dilma” (Golpe) junto com Rachel Sherazade e Sara Winter. Em 2016, a então jornalista lançou o livro “Sérgio Moro – A história do homem por trás da história que mudou o Brasil” demonstrando todo seu apoio a operação farsesca da Lava-jato que destruiu milhões de empregos e que foi instrumento para pilhar a Petrobrás. 

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Joice Hasselmann no lançamento de seu livro em apoio ao ex-juiz golpista Sérgio Moro e a operação Lava-jato

Hasselmann como jornalista foi uma das maiores defensoras da “luta contra a corrupção”, que era utilizada sistematicamente para difamar e caluniar o PT, o qual era referido por ela como organização criminosa, defendia de maneira insistente a prisão de Dilma Rousseff e dizia que Lula era o “maior corrupto da história”. A ex-jornalista de extrema-direita, que se dirigia à Dilma Rousseff como “cretina” e “anta”, também foi defensora de deputado Eduardo Cunha (PMDB) que, antes de ser preso por receber 5 milhões de dólares desviados da Petrobrás para sua conta na Suíça, aceitou como presidente da Câmara o pedido de abertura do processo de impeachment contra a ex-presidente.    

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Joice Hasselmann em manifestação golpista em Brasília

Os antipetistas e lava-jatistas de extrema-direita se organizaram em torno do então presidenciável, Jair Bolsonaro, que capitalizava as bases da direita tradicional (centro) devido a radicalização provocada pela campanha contra o PT. Na campanha eleitoral de 2018, Hasselmann adotou o bordão “PT nunca mais! Esquerda nunca mais!”. A ex-jornalista, eleita deputada federal Partido Social Liberal (PSL) surfando na onda do bolsonarismo, foi escolhida pelo próprio presidente ilegítimo como líder do governo na Câmara. A lua-de-mel entre a deputado e “mito” (como ela se dirigia ao presidente) chegou ao fim após disputa política no Congresso Nacional com deputado Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro. 

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Joice Hasselmann e Jair Bolsonaro em campanha golpista

Deputado Alexandre Frota (PSDB-SP) 

O ex-ator de filmes para adultos, Alexandre Frota, apoiou o candidato do PSDB, Aécio Neves, para presidência em 2014, participou ativamente das manifestações golpistas contra presidenta Dilma e atualmente reivindica para si os direitos sobre a marca da organização fascista, MBL. Buscando protagonismo na luta contra o PT e a esquerda, Frota também apresentou pedido de impeachment enquanto se desenvolvia o processo fraudulento que derrubou a presidenta Dilma. Desde então estabeleceu vínculo com Jair Bolsonaro e apoiado nele se elegeu deputado federal pela mesma sigla (PSL). 

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Alexandre Frota em manifestação pelo Fora Dilma

O elemento de extrema-direita, em todas as oportunidades, defendeu as palavras de ordem “Fora PT! Lula na Cadeia! Durante o golpe atacou o governo chavista na Venezuela, acusou o presidente Nicolás Maduro de “assassino corrupto”. Também acusou os petistas como Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde, de ter dado dinheiro para Cuba. Nem mesmo o cantor Chico Buarque foi poupado das acusações de corrupção envolvendo a Lei Rouanet. O deputado de extrema-direita é ferrenho defensor do projeto “Escola sem partido”, que busca amordaçar o professor e tornar as escolas públicas instituições fascistas. 

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Alexandre Frota em foto de filiação ao PSL (ex-partido de Bolsonaro)

Apesar de também ter sido promovido através da onda bolsonarista, Alexandre Frota sempre teve vínculo com seu atual partido (PSDB), durante o desenvolvimento do golpe era comum os encontros com o então governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin. Neste sentido cabe destacar que o PSDB foi o pai do bolsonarismo, foi o partido que pagou Janaína Pascoal (PSL) para produzir a peça farsesca do impeachment contra Dilma, garantiu o acesso dos metros e transportes para as mobilizações golpistas na capital paulista, apoiou todos ataques contra os direitos dos trabalhadores, defende a privatização de todas as empresas públicas e também a reforma administrativa contra os servidores públicos. 

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Alexandre Frota com aliados de ontem e de hoje do PSDB

A política de Frente Ampla com golpistas não é solução 

É com esses delinquentes políticos que os partidos de esquerda e as direções dos movimentos populares assinara o pedido do superimpeachment de Jair Bolsonaro, os mesmos que derrubaram a presidente Dilma para atacar as condições de vida de toda população, aqueles que apoiaram a fraude eleitoral que alçou a extrema-direita ao poder. As lideranças de esquerda parecem não se dar conta que não há saída institucional, a soberania do voto popular está sendo tolhida sistematicamente, ora pelo parlamento e ora pelo judiciário igualmente golpista. 

Esses que são verdadeiros criminosos que num primeiro momento se beneficiaram do bolsonarismo para se eleger, agora com a imensa crise política que se instaurou no país buscam se desvincular do governo apodrecido de Jair Bolsonaro. A esquerda não deve permitir que os movimentos populares sejam usados para reciclar a imagem desses canalhas. Os bolsonaristas “arrependidos” não devem ser poupados, assim como toda direita golpista devem ser varridos para a lata do lixo. 

A única possibilidade de mudança real é a unidade das organizações e movimentos populares nas ruas para derrotar o golpe de estado no país sob a palavra de ordem “Fora Bolsonaro e todos os golpistas”, pelo estabelecimento de uma alternativa independente da burguesia “Eleições Gerais já com Lula Presidente”, por um governo dos trabalhadores da cidade e do campo “Congresso do Povo e Nova Constituinte”. 

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