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Mais uma propaganda eleitoral do PSDB para “combater” Bolsonaro

Aliança com PSDB

O MST deve marchar ao lado dos assassinos de sem terra?

Dirigente nacional João Pedro Stédile saúda participação dos tucanos nos atos da esquerda

Massacre de Corumbiara (Rondônia), comandado por governo FHC – Foto: Reprodução

Em entrevista ao jornal Brasil de Fato, o companheiro João Pedro Stédile, um dos principais dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), saiu em defesa da participação do PSDB nas manifestações Fora Bolsonaro que estão sendo convocadas pelo conjunto da esquerda nacional. Seu argumento, que revela uma ilusão inacreditável com verdadeiros vigaristas profissionais, seria a famosa tese dos golpistas “arrependidos”: “Todo mundo sabe que o PSDB, o governador João Doria, apoiou a candidatura do Bolsonaro. Eles são responsáveis por isso que está aí. E são bem-vindos, porque fizeram autocrítica e agora estão se somando ao ‘Fora, Bolsonaro!’”.

Em primeiro lugar, não é verdade que o PSDB fez alguma “autocrítica”. Após o ato do dia 3 de julho, o Diretório Nacional publicou uma nota em que dizia claramente: “O PSDB não participou institucionalmente das manifestações de rua do Sábado, dia 3/7. Ainda estamos ainda em período delicado da pandemia e é nosso dever não estimular aglomerações”.

Isso mesmo: o PSDB, até hoje, depois de quase 600 mil mortos pela crise sanitária, é contra a realização de atos de rua. Não somente os atos pelo Fora Bolsonaro, mas absolutamente qualquer ato popular. As pequenas dezenas de cabos eleitorais contratados para participar do ato de 3 de julho também não defendiam o Fora Bolsonaro: foram com bandeiras do partido e faixas — pasmem — da campanha eleitoral do defunto Bruno Covas.

Não há, portanto, uma adesão ao movimento do Fora Bolsonaro — há apenas um grupo isolado que compareceu à Avenida Paulista, sem reivindicações claras, para tentar aparecer como direção do ato a fim de sabotá-lo.

Mas há quem diga que, apesar de o PSDB não contribuir para aumentar o tamanho dos atos — os 40 capangas seriam 0,05% da manifestação —, aceitar sua participação seria uma maneira de agradar um grande “aliado” no parlamento. Ou seja, a esquerda deveria deixar a Folha de S.Paulo tirar várias fotos mostrando os tucanos pingados como se fossem a direção do ato e, em troca, receberia o apoio do PSDB ao impeachment.

Também é um equívoco profundo. Já há mais de 120 pedidos de impeachment engavetados no gabinete do presidente da Câmara, o direitista Arthur Lira (PP-AL). Nenhum deles, contudo, teve a “honra” de receber a assinatura do PSDB. Pelo contrário: por repetidas vezes, seja por posicionamento oficial, seja por meio de seus caciques, como Fernando Henrique Cardoso, a legenda pró-imperialista se colocou contra o impeachment de Bolsonaro. Alexandre Frota é um elemento marginal que está de saída do partido, não representa nem de longe o posicionamento do PSDB.

Feitas essas ressalvas iniciais e colocadas na conta de alguma confusão ou desinformação do dirigente do MST, debatamos, então, o conteúdo de sua política. O que Stédile defende — se fosse verdade que o PSDB tivesse feito uma “autocrítica” — é que a burguesia venha para as ruas marchar ao lado do povo. Isso fica ainda mais claro na seguinte declaração: “Espero que outros setores também da burguesia se somem, porque o Bolsonaro não tem força própria, ele é a expressão da força da burguesia e, em tempos de covid, se a burguesia criar coragem, ela tem força suficiente para afastá-lo”.

De um ponto de vista geral, a política de frente ampla com a burguesia já é um erro. Em nenhum momento da história, uma frente de organizações da esquerda a reboque da burguesia conseguiu levar a classe operária à vitória. E o motivo é óbvio: seus interesses são completamente antagônicos. Se são antagônicos e se a iniciativa, na política, sempre parte da burguesia, como quer a esquerda nacional, então trata-se de uma política da burguesia.

Ora, o fator mais poderoso da esquerda é a mobilização. É a capacidade de colocar as pessoas na rua e de ameaçar colocar o regime abaixo. Unir-se à direita não traz qualquer resultado, pois a direita não mobiliza ninguém.

Para a burguesia, no entanto, a “frente” com a esquerda tem muito valor, pois é uma oportunidade de infiltrar-se no movimento para destruí-lo por dentro. Isto é, para intervir naquilo que tem potencial para derrubar o regime e dispersá-lo a ponto de a direita conseguir permanecer no poder. Um dos grandes exemplos disso é a campanha das “Diretas já”, que transformou um movimento muito radical, que tinha potencial para estabelecer um governo dos trabalhadores, em um palanque eleitoral para um político burguês como Tancredo Neves. Até hoje, o regime não foi completamente desmantelado, e a vitória eleitoral do PT, já muito distorcida do que teria sido na época, demorou mais de uma década e o partido foi rifado do governo facilmente para hoje termos um novo governo de tipo militar.

Quando Stédile dá as boas-vindas ao PSDB nos atos, está abrindo as portas para que um partido que não só organizou o golpe de 2016 e é o maior representante do imperialismo no País, como também promoveu ou copromoveu inúmeros massacres contra os sem terra, se infiltre nas manifestações. É óbvio que o resultado não pode ser positivo: todos aqueles que perderam seus parentes e seu emprego por causa dos governos malditos do PSDB se recusarão a sair às ruas. Afinal de contas, se as manifestações servirem para trazer o PSDB de volta, melhor ficar em casa.

A política da esquerda e dos sem terra deve ser a inversa daquela levantada por Stédile. É preciso impedir a participação do PSDB nos atos e fazer o que ainda não foi feito desde que a esquerda abandonou o “fique em casa”: trazer, em massa, os assentados de todo o País e inundar as ruas de vermelho. Porque não há espaço para o PSDB e os sem terra no mesmo ato ─ certamente os sem terra concordam com isso e repetirão a revoada dos tucanos de 3 de julho. Mas desta vez, com o ódio de massacres no campo acumulado.

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