“Arte degenrada”: assim como Hitler, Bolsonaro vai perseguir a cultura

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No que diz respeito à cultura, as manifestações toscas e ignorantes de Bolsonaro e de muitos de seus supostos ministros e apoiadores indicam que haverá uma perseguição sem trégua à área da Cultura e da Educação.

Desde as imbecilidades recorrentes sobre Paulo Freire e suas obras, às alucinações dos defensores da Escola Sem Partido, das mentiras sobre kit gay até as mais recentes declarações do general Aléssio Ribeiro Souto, responsável pela área de educação do futuro governo fascista, de fazer uma “ampla revisão dos currículos e das bibliografias usadas nas escolas para evitar que crianças sejam expostas a ideologias e conteúdo impróprio”, inclusive para garantir que se ensine corretamente o que ele diz ser a “verdade” sobre o “regime de 1964”, ou seja, para reafirmar as mentiras sobre a Ditadura e exaltar figuras como o coronel Carlos Brilhante Ustra, o torturador, ídolo do Capitão candidato, todos os sinais foram dados sobre o que virá.

Não devemos nos assustar se houver, por exemplo, um novo index de livros proibidos, uma lista de autores proibidos, a volta de um órgão de censura. Como na Alemanha Nazista ou nos Estados Unidos do marcatismo, livros serão queimados em praça pública, talvez junto com seus autores.

Mas a coisa não vai parar por aí. Se já temos sofrido com as investidas do MBL, e outros grupos fascistas e fundamentalistas, atuando para proibir shows e mostras de arte, para recolher obras de arte em galerias, para perseguir artistas, num governo Bolsonaro – e não será por falta de aviso, já preparam ações muito claras para impedir que a ‘arte degenerada’ continue a ser permitida no país do Carnaval.

Se o General Souto, sem papas na língua, afirma que “os livros de História que não tragam a verdade sobre o regime de 1964 têm que ser eliminados”, com a autoridade de um governo “eleito”, a caneta na mão e as forças armadas à disposição, o que mais será censurado e eliminado? o senso crítico? a criatividade?

Imaginamos que talvez um samba-enredo que trate a ditadura como ditadura seja proibido? as músicas passarão novamente a depender de autorização de um órgão de censura ou classificação? artistas serão vigiados e proibidos de atuar, de expor sua arte, de publicar?

Não resta a menor dúvida de que um governo Bolsonaro, legitimado pela fraude da eleição, vai impor a mais dura derrota para os poucos resquícios de democracia que o Brasil tem fingido ser desde 1985.

Inicialmente, talvez, como aconteceu na Alemanha nazista, nem seja preciso acionar as forças do Estado para ‘combater’ os degenerados de toda ordem: artistas, intelectuais, professores, homossexuais, periféricos, quilombolas, indígenas (sim, pois na narrativa de pessoas como o General Mourão, estes são sobreviventes de um tempo que deve ser superado, preguiçosos e brasileiros de segunda categoria), prostitutas, ateus, ‘maconheiros’ etc. Os ‘guardas da esquina’, bombadões desocupados, militares aposentados, com suas milícias e esquadrões da morte farão o que ‘for melhor para o país’.

Nem arte degenerada, nem ideologia degenerada, nem pessoas degeneradas. E quem classificará a arte, a ideologia e as pessoas como degeneradas serão exatamente os que têm em mãos as armas e a ‘autoridade’, auto proclamada, para fazê-lo, de dentro de um Ministério, talvez com superpoderes. E os que pensam que podem escapar disso talvez se surpreendam um dia com a elasticidade das classificações que um fascista é capaz de criar para incluir sempre mais e mais tipos, adequados para alcançar novos inimigos.

A perseguição já foi iniciada, apenas será oficializada.