Arquitetos realizam encontro em Curitiba e definem atuação da categoria na luta contra o golpe

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Realiza-se em Curitiba nesse final de semana a Reunião Ampliada da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA), congregando todos os sindicatos do setor no país. As entidades reúnem-se na capital paranaense também em apoio à mobilização pela liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujo encarceramento político naquela cidade completa um ano neste domingo (7).

Com duração de três dias, a reunião é parte do calendário regular de congressos da FNA, e o mais importante antes do Encontro Nacional de Sindicatos de Arquitetura e Urbanismo (ENSA) que se realizará em novembro em Salvador.

No cerne das discussões está o brutal ataque do governo golpista ao movimento sindical e os meios para derrotar o golpe. Os ataques foram muitos. Iniciaram-se logo após o impeachment fraudulento de Dilma Rousseff, quando da virtual proibição do direito de greve dos servidores públicos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2016. No início de 2017, a reforma trabalhista ainda na gestão do golpista Michel Temer desferiu o mais violento ataque contra a classe trabalhadora,  incluindo o aumento da jornada máxima de trabalho semanal e a terceirização irrestrita, abrindo caminho para a criação de milhões de novos desempregos e subempregados (com aumento da pejotização e outros mecanismos de contratação individual e informal) e impondo um duro ataque ao movimento sindical, cortando as contribuições sindicais obrigatórias, privilegiando o negociado sobre o legislado e promovendo diversas outras barbaridades diretamente contra os direitos dos trabalhadores

Como forma direta e imediata de combate, evidentemente, os dirigentes estarão presentes na manhã deste domingo (7) no ato nacional pela liberdade de Lula, o primeiro trabalhador e dirigente sindical, a chegar à Presidência da República do País. Essa palavra de ordem é central no combate ao golpe de Estado em curso, pois não apenas reúne em si a luta contra o arbítrio judicial, a perseguição e a criminalização das lideranças e organizações de esquerda, como também traz a alavancagem imediata para a superação do golpe: a deposição de Bolsonaro e de todos os golpistas, a convocação de eleições gerais e a ascensão de Lula, a maior liderança popular desse país, à Presidência da República.

Como estratégia ampla de mobilização e combate, os sindicatos planteiam a ampliação de sua base por meio do alargamento do campo de trabalho dos arquitetos e urbanistas. O eixo central colocado hoje é a Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (Athis), com amparo da lei 11.888/2008, que estabelece os meios e destina recursos públicos para que estes profissionais possam atender os mais de 85% da população brasileira que constroem sem sua participação. A Athis foi tema da palestra de encerramento do primeiro dia de encontro, ministrada pelo economista Eduardo Moreira, colunista do portal Brasil 247, na Capela Santa Maria Espaço Cultural, no centro de Curitiba.

Outra estratégia fundamental colocada é a reunião com outras categorias afins atuantes na construção civil, como a Engenharia. Os trabalhos de sábado encerraram-se com um amplo debate com representantes da categoria, como Clóvis Nascimento, presidente da Federação Interestadual dos Sindicatos de Engenheiros (Fisenge); Olímpio Alves dos Santos, presidente do Sindicato dos Engenheiros do Estado do Rio de Janeiro (Senge Rio) e Sérgio Luiz Grande, diretor da Associação Nacional dos Engenheiros e Arquitetos da Caixa (Aneac Paraná). Discutiu-se a necessidade de fortalecer as Confederações e a CUT de modo a oferecer estruturas de amparo aos trabalhadores, como planos de saúde, seguro, crédito. Especificamente no caso da Arquitetura e Urbanismo, uma profissão de maioria feminina, é necessário lutar pela criação de creches que auxiliem na emancipação da mulher.

Embora não conte com sindicatos majoritários, a categoria dos arquitetos e urbanistas tem grande influência política, como um enclave profissional entre bancários, servidores públicos, operários da construção civil e movimentos de luta pela terra e pela moradia, com presença nos conselhos municipais, estaduais e federais de planejamento urbano, patrimônio cultural, obras públicas, habitação, entre muitos outros. A presença da FNA, filiada à Central Única dos Trabalhadores, em Curitiba nesse importante momento da luta contra o golpe é sinal de que a categoria está a postos para agir em todas as esferas possíveis.