Argentina: Senado rejeita aborto, não dá para confiar nas instituições golpistas

pro

Após o período de mobilizações na Argentina acerca da legalização do aborto e contra a criminalização das mulheres, houve grande esperança por parte do movimento de luta das mulheres e por aqueles que apoiam a causa. Uma vez que o projeto que visa descriminalizar o aborto  fora aprovado na câmara dos deputados, houve um frenesi do movimento no país, que já dava a causa como consolidada ainda que estivesse sob um regime golpista assim como no Brasil, e a própria esquerda brasileira que no momento também discute a legalização do aborto no país com audiências públicas no STF (Supremo Tribunal Superior).

O projeto foi votado na madrugada desta quinta-feira (9) e rejeitado pelo Senado argentino, com 38 votos contra, 31 a favor e duas abstenções. Caso o projeto fosse aprovado o aborto seria legalizado no país até a 12ª semana de gestação, onde as mulheres estariam amparadas pelo Estado que arcaria com todo o procedimento realizado. Com o projeto negado, o aborto continua sendo permitido apenas em casos de estupro ou quando a gravidez oferece risco a vida da mulher.

Fato é, que ficou claro que mais uma vez se depositou a revindicação política de pautas históricas na luta das mulheres, assim como é a questão do aborto, em instituições golpistas. As mesmas que são comandadas por aqueles que compactuam com o massacre direto do direito das mulheres, e portanto em hipótese alguma sinalizariam positivamente para a descriminalização das mulheres e da realização do aborto assegurado pelo Estado.

O país que também passa por um regime golpista evidencia que desde o princípio, Maurício Macri, ao se colocar favorável à discussão da pauta na câmara dos deputados tinha um claro objetivo com relação ao seu governo, sabendo que sua atuação é extremamente impopular, logo não tem respaldo algum por parte da população argentina. Essa foi uma estratégia dos golpistas para dar credibilidade ao governo Macri, mas que finalmente, ao contrário daqueles que acreditam nas instituições como meio de garantia dos direitos democráticos da população, o regime golpista está aí para garantir os interesses da burguesia em detrimento dos direitos da população, principalmente quando se trata de setores oprimidos, como é o caso das mulheres.

Nesse sentido, mais uma vez é preciso ter claro que a luta das mulheres não se trava no campo institucional, mas sim na luta política organizada do movimento de mulheres contra o sistema e a própria direita que garante a sua opressão no estado burguês. Somente as mulheres organizadas diante dessa política será possível a sua emancipação e a garantia de direitos como o aborto.