Argentina: ala direita do peronismo se junta a Macri para derrotar Cristina Kirchner nas eleições presidenciais

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O presidente coxinha da Argentina, Mauricio Macri, anunciou o seu candidato a vice-presidente para as eleições que serão realizadas em outubro: Miguel Pichetto.

Trata-se do líder do Partido Justicialista (o mesmo de Cristina Kirchner) no Senado, desde o primeiro governo da ex-presidenta. No entanto, como já indica essa tomada de posição ao lado de Macri, Pichetto é um político da ala direita do peronismo, nunca foi aliado do kirchnerismo (corrente esquerdista do peronismo) e está na coligação para dividir o eleitorado peronista e levar uma parte dos votos para Macri.

Isso porque Kirchner vai concorrer com Macri. Mas como candidata a vice, na chapa de Alberto Fernández, seu ex-chefe de gabinete.

A burguesia golpista argentina aliada ao imperialismo está dando um golpe atrás do outro contra a esquerda, principalmente contra o nacionalismo burguês. Mas para isso também tem contado com a colaboração desse próprio nacionalismo, particularmente da vacilação de seus dirigentes e da aliança com seus setores direitistas.

Primeiro, a partir da perseguição judicial contra Cristina Kirchner, muito semelhante a que está sendo implementada contra Lula no Brasil. Cristina pode ter sua imunidade parlamentar retirada para que seja presa, caso se transforme em um perigo verdadeiro para os golpistas argentinos.

Logo em seguida, foi feita uma gigantesca pressão contra ela para que abandonasse a sua candidatura às eleições de outubro. Cristina Kirchner, que foi eleita senadora com o recorde de votações, e que vinha ganhando cada vez mais apoio popular – polarizando extremamente a situação política no país -, desistiu da candidatura. Abriu o caminho para a vitória de Macri, sendo, claramente, um episódio de fraude “branca” eleitoral.

Agora, a ala direita do peronismo e do próprio Partido Justicialista se alia à direita neoliberal e mesmo à extrema-direita para boicotar qualquer chance de vitória da chapa de Cristina Kirchner. E não é apenas um dirigente isolado, como Pichetto.

“Falei com os governadores peronistas. Muitos companheiros do peronismo vão acompanhar esta proposta”, revelou o senador.

As eleições de 2015 no país sul-americano foram, efetivamente, um golpe de Estado, devido ao seu caráter fraudulento. A burguesia pró-imperialista fez de tudo para impedir o candidato aliado do kirchnerismo, Daniel Scioli (que já não tinha o mesmo apelo popular que Cristina), de vencer o pleito, e acabou colocando Mauricio Macri para devastar o país – o que, de fato, está fazendo desde o primeiro dia de seu governo.

O governo de Macri se caracterizou pela subserviência ao imperialismo – particularmente os grandes bancos internacionais. No início deste ano, aprovou-se oficialmente a entrega da economia argentina ao FMI, que obriga o país a abrir mão dos gastos públicos mais básicos, como diversos subsídios estatais para a população. Assim, as tarifas de águas, luz, transporte aumentarem sobremaneira, bem como o custo de vida. A inflação ronda os 50% e são conhecidos os casos de saques e brigas em supermercados para pegar os últimos produtos das prateleiras, muitas vezes escassas.

O caso argentino é mais uma comprovação da ilusão que é acreditar que uma eleição em meio a um golpe de Estado poderá resolver a situação de maneira favorável aos trabalhadores, ou seja, derrotar esse golpe de Estado. O governo macrista é um regime golpista, que busca a todo o custo suprimir a oposição nas ruas ou mesmo nas urnas, para se manter no poder. E, em um caso de impossibilidade de uma vitória do próprio Macri, os golpistas buscariam outro candidato igualmente direitista e golpista para substituí-lo, como ocorreu no Brasil, onde o imperialismo não conseguiu emplacar a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) e por isso optou por Bolsonaro.