Argentina: 3 mil pessoas pedem desligamento da igreja católica depois da campanha do Papa contra o aborto

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A legalização do aborto vinha sendo discutida na Argentina, tendo sido aprovada pela Câmara dos deputados mas barrado na votação do Senado, o que acabou surpreendendo o movimento que estava confiante – com a errônea confiança nas instituições – após o projeto de legalização ser aprovado pela câmara dos deputados. O país sofre grande influência da igreja, e isso está no fato de não se ter o Estado laico, além do próprio pronunciamento do Papa, que é argentino, onde em sua declaração comparou a realização do aborto com o que foi o nazismo.

Com a declaração feita pelo Papa Francisco, que de maneira muito direta assimilou uma situação que é resultante da opressão das mulheres, com um verdadeiro regime fascista, explanou o posicionamento histórico da Igreja Católica. Em contrapartida, muitas pessoas presentes na igreja e que antes compartilhavam de ideias disseminadas pelo pontífice, neste momento estão passando a se desligar da Igreja Católica. Isso também é um reflexo da mobilização realizada no país, não somente feita pelos movimentos de luta das mulheres e por movimentos que lutam pelo estado laico, mas por uma própria inclinação da população pela legalização, o que se reflete no recente dado de quase três mil pessoas que se desligaram da igreja.

O fato deixa claro que a campanha pela vida feita por setores conservadores que estão diretamente ligados com a igreja, nesses momentos mostram a demagogia feita com a vida das mulheres. Onde se encontram sob a forte opressão do estado com a criminalização de uma situação que já demonstrou que a sua proibição não faz com que ela deixe de existir, mas que apenas contribui para o contínuo aumento do número de morte de mulheres no país, que assim como no Brasil são cerca de quase 500 mil abortos realizados anualmente, onde os que são feitos de maneira clandestina, se acentuam.

Esse é o momento de retomar a mobilização pela legalização do aborto na Argentina, um amplo setor já demonstrou que está disposto a levar essa luta adiante. É preciso que, esses setores em conjunto com o movimento de luta das mulheres levem adiante a campanha pela descriminalização das mulheres, com uma política clara que almeja a verdadeira emancipação das mulheres, travando a luta real por fora das instituições controladas pela burguesia e pela Igreja.