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Araraquara: em defesa do Estado laico, vereadora do PT se recusa a ler a Bíblia na Câmara Municipal
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Araraquara: em defesa do Estado laico, vereadora do PT se recusa a ler a Bíblia na Câmara Municipal
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Não se trata de uma novidade, desde 2017 a vereadora Thainara Faria do Partido dos Trabalhadores (PT) se recusa a fazer a leitura de uma passagem da Bíblia antes do início de cada sessão da Câmara dos Vereadores de Araraquara, interior de São Paulo. Já naquele momento, o caso teve grande repercussão e a vereadora recebeu duros ataques da direita. De tempo em tempo a história ainda provoca comentários tendenciosos na imprensa local.

O mais curioso é que o caso não deveria causar nenhum tipo de constrangimento. A Constituição Federal de 1988 assegura, pelo menos no texto, a existência de um Estado laico. Na prática, isso deveria significar uma separação entre toda e qualquer religião e as atividades do Estado. Porém, o que vemos no Brasil é um privilégio da religião católica e dos católicos de manifestarem seus ritos e símbolos em repartições públicas.

Em Araraquara, o regimento interno da Câmara dos Vereadores determina que os parlamentares façam a leitura de um trecho da bíblia antes do início das sessões. Como se fosse suficiente, a parede ainda sustenta um enorme crucifixo. Essa leitura é sorteada através de um rodízio entre os vereadores. Thainara Faria (PT) se recusou desde a primeira sessão de 2017 a participar desse rodízio.

Na época, a vereadora fez a seguinte afirmação: “E se ao invés de chamarmos o vereador para ler um trecho da Bíblia, a gente chamasse um vereador para vir aqui e encarnar um caboclo e falar a palavra de outras religiões?”.

É importante reafirmar que a posição da vereadora é correta. Esse tipo de indicação como está presente no regimento da Câmara de Araraquara é completamente contraditório a laicidade do Estado.

Se o Estado é mesmo laico, como diz o texto da Carta Magna do país, é preciso combater e ser contra esse tipo de determinação. Além disso, todos os símbolos religiosos deveriam ser retirados das Câmaras Municipais, Fóruns, Escolas, Prefeituras, tribunais superiores e etc.