Arábia Saudita: extremas contradições com os EUA levam o país a se aproximar de China e Rússia

A crise do imperialismo estadunidense tem se aprofundado à medida em que se desenvolvem profundas contradições políticas e econômicas no regime capitalista a nível mundial. A crise de 2008 implodiu o precário sistema financeiro internacional baseado aumento insustentável de uma gigantesca bolha financeira internacional e na expansão dos chamados créditos de risco (“subprimes”). A crise levou a um enfraquecimento do sistema de controle internacional comandado pelos Estados Unidos e pela agudização das contradições existentes.

A crise interminável em que se encontra o Oriente Médio, região estratégica para o imperialismo, tem ganhado novos contornos à medida em que os EUA vai perdendo terreno seja nas invasões militares fracassadas pela resistência popular, como no Iraque e Afeganistão, seja pela intervenção direta de uma outra potência militar, como a entrada na guerra da Síria pela Rússia.

A mais recente notícia que faz o imperialismo norte-americano “ligar mais uma luz vermelha” é a troca de postos chaves no comando do governo saudita por pessoas favoráveis a uma política de aproximação com a Rússia e a China. Tal notícia se soma a outros indícios de aproximação do país árabe à Rússia, como na visita do príncipe Mohammed Bin Salman a Vladimir Putin, quando assistiram juntos à abertura da Copa do Mundo na Rússia.

A aproximação da Arábia Saudita com a Rússia não é um simples detalhe da geopolítica mundial. A Arábia Saudita é há décadas o principal sustentáculo da política imperialista entre os países árabes. Governada por uma monarquia extremamente conservadora e retrógrada, o país é o principal fornecedor de petróleo para o Estados Unidos e também a maior força militar e econômica árabe aliada do imperialismo no Oriente Médio.

O recente escândalo com a execução e tortura do jornalista Jamal Khassoggi no consulado na Turquia por membros do governo saudita, serviu de pretexto para o imperialismo pressionar a Arábia Saudita. Os árabes sauditas, no entanto, ainda não capitularam às pressões e, ao que parece, estão se aproximando de China e Rússia.